12 de fevereiro de 2019

A morte de Ricardo Boechat

Talvez seja melhor começar o texto da forma como ele mesmo provavelmente faria… com a informação objetiva e direta. Sendo assim, a informação é essa: um helicóptero sofreu uma pane e caiu na região da Rodovia Anhanguera, na altura do km 7 do Rodoanel. Na queda, a aeronave se chocou com um caminhão na pista. Com a explosão, os dois tripulantes morreram. Entre as vítimas, o jornalista Ricardo Boechat.

Precisei de algum tempo para processar a informação… e a explicação é simples. Boechat é uma das minhas grandes referências, seja no jornalismo, seja nos princípios éticos (mesmo considerando o episódio do grampo telefônico em 2001, que resultou em sua demissão da Rede Globo… ele falou sobre isso em uma entrevista para o UOLleia aqui uma versão atualizada da mesma entrevista), seja na vida em geral.

E digo isso (a vida em geral) por uma razão… assim como eu, Boechat também foi acometido pela depressão. E ele enfrentou a doença com dignidade, de frente e falou abertamente sobre o assunto. Durante meus surtos depressivos, e em busca de informações sobre como enfrentar a doença, eu me deparei com seu relato e com a transparência como ele tratou o assunto. Mas o texto não é para falar de mim, e sim do meu xará.

[ A trajetória de Ricardo Boechat ]

Ricardo Eugênio Boechat é natural de Buenos Aires, nascido em 13/07/1952. Filho de diplomata, ele não chegou a concluir o 2º Grau (atual Ensino Médio) e sua formação jornalística é essencialmente prática.

Iniciou sua vida profissional aos 16 anos vendendo livros e material para escritório. Pouco depois, recebeu uma oportunidade para trabalhar na redação do extinto jornal Diário de Notícias.

Apesar da formação prática, esta não impediu Boechat de conquistar credibilidade e seu lugar de destaque no jornalismo. Com o tempo, assumiu a coluna de Ibrahim Sued no jornal ‘O Globo’ e tornou-se um dos mais respeitados jornalistas no Brasil.

Também passou pelas redações do ‘Jornal do Brasil’, ‘O Estado de São Paulo’ e também da revista ‘Istoé’.

Em 2001, após uma polêmica em torno de um escândalo no setor de telefonia, Boechat foi desligado das organizações Globo.

A saída conturbada da Globo fez com que Boechat tivesse que se reinventar. Posteriormente, foi contratado pelo grupo Bandeirantes para atuar no jornalismo do veículo. Em 2005, iniciou sua vida como radialista, na BandNews do Rio de Janeiro. Pouco depois, assumiu a apresentação do Jornal da Band.

Também era palestrante e ministrava cursos livres de jornalismo. Curso este aliás, que eu tive a honra de participar.

Sempre enérgico e contundente em suas opiniões, seus colegas próximos eram unânimes em afirmar que Boechat era um exemplo de doçura como pessoa. Generoso em suas relações pessoais, e nas palavras do jornalista William Bonner, Boechat foi um colecionador de amigos por onde passou.

E também um colecionador de prêmios… foi reconhecido com o prêmio Esso de jornalismo em três oportunidades: 1989, 1992 e 2001. Também foi reconhecido pelo ‘Portal Comunique-se’, sendo premiado nas edições de 2006, 2007, 2008, 2010, 2012, 2013, 2014 e 2017. Ainda foi considerado pelo ‘Portal dos Jornalistas’ como o jornalista mais admirado do país em 2014 e 2015. E ainda foi agraciado com o Troféu Imprensa como melhor apresentador de telejornal no ano de 2016.

[ A repercussão ]

Por ocasião da notícia de sua morte, os veículos de comunicação foram unânimes em apontar Ricardo Boechat como um dos maiores expoentes do jornalismo brasileiro. Uma referência que deixa uma lacuna insubstituível. Entre homenagens e honrarias, o bonito gesto da BandNews em aposentar sua cadeira no jornal. Ainda vimos uma salva interminável de palmas pelas redações de jornalismo da Rede Bandeirantes de Televisão.

E vimos vários jornalistas de emissoras concorrentes noticiando o triste fato com a voz embargada…

Ricardo Boechat era casado com Veruska Seibel Boechat e deixou 6 filhos, sendo 2 deles oriundos do relacionamento com Veruska. ou ‘Doce Veruska’, como ele mesmo insistia em dizer. Uma relação linda, que ele mesmo fazia questão de demonstrar…

E como não se divertir com o seu amor pelo seu carro favorito? O Renault Twingo 2001 era o seu amor automotivo. O carro surgiu em sua vida quando ele veio para São Paulo. O primeiro, um modelo prata fabricado em 2001. O carro sofreu um acidente em 2014 e foi doado por Boechat a um artista plástico que fez várias peças de arte com as sobras do carro.

Mas é claro que Boechat não ficou muito tempo sem sua paixão. Pouco depois, um novo Twingo. Desta vez, um modelo azul. Também 2001.

 

Sua simplicidade e talento fez com que eu me tornasse fã do seu trabalho e também da pessoa. Sempre me divertia com suas diabruras em frente ao microfone (como não se lembrar da briga com o Pastor Malafaia???). Ou suas brincadeiras em relação a sua falta de traquejo com a tecnologia?

Imagina esse homem fazendo Podcast? Seria fenomenal…

O UBQ está em luto… perdemos – ou melhor – eu, como editor deste blog perdi uma das minhas maiores referências jornalísticas. E da mesma forma que a BandNews, precisarei de um tempo por aqui…

Vá em paz e obrigado pelos seus ensinamentos, xará…




30 de janeiro de 2019

Fallulah - "Black Cat Neighbourhood" (Disco da Semana #51)

Buenas!
Antes de qualquer coisa, feliz 2019!!! Que seja um ano leve e repleto de bons sons. Depois do meu período merecido de férias (o ano letivo de 2018 foi pancada!), a volta, e a coluna volta com a sua habitual esquisitice musical que todos amamos.
Tá brotando banda boa na Escandinávia. Tá parecendo a Escócia "mid 90's". Em cada garagem, uma banda dando sopa e o mais bacana é que com a internet, isto está sendo divulgado e chegando aos ouvidos do mundo, é por isso que divido essa pérola com vocês.
Hoje quero falar de uma artista que não tem nada a ver com essa cena neo-rocker escandinava, mas que pegou o mesmo bonde. Fallulah é o nome artístico da jovem compositora e cantora Maria Apetri, nascida em 1985 em Copenhagen, Dinamarca.
Não há como catalogar a música que essa cidadã faz… uma mistura de ‘Indie Rock’, orquestrações, canções típicas da região dos Balcãs... Podemos usar como paralelo (por mais pobre que seja) a sonoridade de outra lenda da região, uma tal de Björk.
Se fosse para inventar um rótulo para o som 'Fallulístico’ (neologismos… sempre) seria curto e grosso (porém, mesmo assim não seria amplo o bastante para defini-la): Música Orgânica. O que Björk faz de maneira maravilhosa usando samples, Fallulah grava com músicos de carne e osso.
Seu som tem sido comparado com algumas bandas (artistas femininas, na verdade) de grande destaque na atual cena musical, como por exemplo: Florence & The Machines, Bat For Lashes e Marina and the Diamonds.
Seu primeiro álbum, o indefectível ‘Black Cat Neighbourhood’ conseguiu uma façanha que há um bom tempo não conseguia... me prendeu do começo ao fim de boca aberta e se manteve no repeat por 3 semanas consecutivas na minha playlist.
Foi praticamente a playlist das minhas férias…
Dadas as devidas proporções, fica complicado falar de faixas avulsas, ouçam tudo, vale cada segundo de audição. Tudo é milimetricamente bem encaixado: vozes, violinos, barulhinhos, indistintamente. Há uma gama de timbres e de sonoridades que fez com que eu pensasse que o álbum fosse praticamente impossível de ser reproduzido ao vivo, coisa que o YouTube fez questão de me provar o contrário.
A mina canta demais e a banda que a acompanha é muito bem azeitada e competente, como vocês poderão perceber ouvindo.
Bom, sem mais delongas, se joga que esse é predileto da casa.
Para ouvir, clique aqui.
Logo menos tem mais.
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