14 de agosto de 2018

A cobertura do GP Magic São Paulo 2018

O evento já aconteceu a algum tempo e provavelmente a atenção da comunidade já esteja voltada para o próximo grande evento: o “Nacional Magic 2018”. Mas ainda assim, cobri o evento na época em que ele ocorreu, observei alguns pontos positivos e negativos que considero importantes.

20180815_ubqvisita_gpsp

[ Sobre o evento ]

Um Grand Prix é como um grande encontro de jogadores de Magic. Obviamente há um torneio que serve como pano de fundo para o evento. Mas além do torneio principal, o GP é uma grande oportunidade para você conhecer novos jogadores, participar de pequenos torneios paralelos, comprar/vender/trocar cards e interagir com a comunidade de modo geral.

IMG_20180708_150833136

Lá você encontra estandes de grandes lojas (nacionais e estrangeiras), painéis de discussão sobre o futuro do jogo e também a presença de alguns ilustradores famosos. Para esta edição, estiveram por lá: Steve Argyle, Josu Hernainz e Ryan Yee. Ainda tivemos alguns fãs que fazem cosplay de alguns personagens famosos da história (sim… Magic tem uma história!). E você pode acompanhar tudo isso gratuitamente.

Enfim, o GP é uma grande celebração da comunidade.

Este ano, o evento foi realizado no Expo Center Norte (Pavilhão Amarelo) nos dias 6, 7 e 8 de julho. Havia uma previsão de cerca de 1500 participantes nos eventos competitivos. Mas de acordo com informações publicadas por alguns produtores de conteúdo especializados em Magic, foram contabilizadas mais de 3000 inscrições.

O evento principal consiste em um torneio no formato Modern e acontece em dois dias: no primeiro dia são 8 rodadas no formato suíço modificado. O corte para o segundo dia fica em 18 pontos e temos mais 7 rodadas. Os oito melhores fazem a disputa pelo título de campeão do GP. Existiu uma premiação em dinheiro para os finalistas, além de uma vaga para disputar o ProTour (que é uma competição do circuito profissional) para o campeão do GP.

A propósito, o campeão deste ano foi José Echeverria, jogando um deck Mardu Pyromancer… Parabéns ao campeão!

gpSãoPaulo2018_Day2_Champion

O evento principal precisou de uma inscrição. A inscrição básica custou R$ 165 e deu direito a participação no evento principal, além de uma carta promocional (no caso, Caverna Mutável ou Mutavault). O jogador poderia também fazer uma inscrição “master” por R$ 260. Neste caso, a inscrição incluiu um playmat exclusivo do evento e também um voucher de R$ 20 para usar em inscrição de eventos paralelos.

[ Eventos Paralelos ]

Além do torneio principal, durante todo o dia vários torneios paralelos são realizados nos mais diversos formatos: pauper, legacy, standard, commander, draft e sealed. A premiação destes eventos foi em “Tix”. Funciona assim: você ganha um tanto de Tix e troca este valor em prêmios no “Prize Wall”. São boosters, bundles, playmats, boxes… enfim… cacarecos diversos de MTG.

IMG_20180708_151133563

Ah sim… é importante dizer que você também poderia sentar em alguma mesa livre por lá e jogar um bom “for fun”. Sem prêmios, sem torneios… apenas pelo jogo.

[ Estandes dos artistas ]

Além dos torneios, quem foi ao evento pode conhecer ilustradores dos cards de Magic. Na verdade, é uma oportunidade deles faturarem algum dinheiro, pois os autógrafos são pagos. Por R$ 10, o jogador teve a oportunidade de conseguir uma carta autografada. Alguns dizem que isto valoriza as cartas. Outros dizem que isto desvaloriza o card.

IMG_20180708_150909087_HDR

Pessoalmente? Não tenho opinião sobre isso…

Outro estande bacana que estava por lá é da Tutti Waka Laka. Um trabalho bacana de personalização de cards que vale a pena conhecer.

altered card

[ As lojas ]

Algumas lojas que patrocinaram o evento montaram seus estandes por lá.. o bom disto é que normalmente dá para conseguir alguns cards por uns preços bem bacanas. Além das lojas, era possível encontrar alguns dealers por lá. São negociantes de cartas que não têm loja própria, mas ganham algum dinheiro com compra e venda de cards. Tecnicamente, isto é proibido no evento (apenas as lojas credenciadas poderiam comercializar cards e acessórios), mas de certa forma, a organização fez vista grossa para isso.

IMG_20180708_150044613
Não… não tem merchan… foi a única loja que me autorizou a fotografar

[ Pequeno review do evento ]

O UBQ esteve no evento apenas para conferir a estrutura e produzir conteúdo por lá. A ideia era produzir vídeos para o canal e eventualmente conteúdo para um podcast. Comparado ao evento de 2017, a impressão é que o local do evento encolheu. Em compensação, o número de jogadores aumentou consideravelmente. No evento principal, foram quase 1500 jogadores. Somando os inscritos nos eventos paralelos, foram mais de 3000 jogadores. Sem contar a galera que foi lá pela diversão.

Considero um erro estratégico posicionar o GP em um final de semana bem na época da Copa do Mundo e também no mesmo final de semana em que ocorreu a Anime Friends. Talvez em outra data, o número de jogadores seria ainda maior.

Eu estive lá no domingo. E já estava cheio… Quem esteve no sábado, disse que o pavilhão estava lotado. Isso causou problemas na praça de alimentação, na utilização dos sanitários e outras questões de infra-estrutura. Então talvez o lugar pudesse ser maior e melhor dimensionado.

Outro problema foi a falta de produtos para premiação e eventos. Faltou booster, faltou box… e alguns eventos paralelos foram cancelados por conta disso. Mesmo assim, o evento cresceu em números quando comparado à 2017. E isso trouxe talvez um problema para organização: ao que parece, a organização não esperava um crescimento tão consistente. Por conta disto, houve um desabastecimento no prize wall.

A organização do evento ficou por conta da loja Channel Fireball, que aliás, é responsável mundial pela organização dos GP’s. Apesar desta centralização, a CFB foi coerente em firmar parcerias com os organizadores locais para realização do evento.

Mas aparentemente, ninguém contava com um sucesso tão grande.

Eu confesso que nenhum destes problemas me afetou. Como eu disse, fui pelo evento… não pela competição. Então, o que vi foi a parte boa. Teve gente que achou caro o preço dos eventos… mas sinceramente? O preço das inscrições era compatível com valor das premiações.

Mas houve uma parte ruim… pelo menos para mim.

[ A panela dos criadores de conteúdo de Magic ]

Na edição de 2017, a organização do evento promoveu um estande dos criadores de conteúdo… Youtubers teriam um espaço próprio para interagir com sua audiência. Eu mesmo pude aproveitar isso e conhecer pessoalmente algumas pessoas que acompanho pelo YouTube… canais como Umotivo, Fazendo Nerdice, Diário Planinauta, Formato For Fun, entre outros.

Para 2018, a CFB não abriu este espaço de interação. E por conta disso, cada criador de conteúdo fez sua produção individualmente. Mas é um fato… esta galera já se conhece há algum tempo e de alguma forma colaboram entre si para a produção de seu conteúdo.

Esta comunidade é bem ativa… e por conta disso, a Wizards Brasil acaba promovendo mais estes conteúdos.

E a parte ruim… em alguns momentos é uma comunidade bem fechada. Você até pode entrar nela… mas precisa de convite para isso.

O conteúdo do UBQ não é exclusivo de Magic… isso é um fator que acaba complicando. O fato de eu não ser um jogador competitivo que está em várias lojas ou que conhece a fundo o lineup das cartas também complica.

Sendo assim, os criadores de Magic não dão muita bola para o conteúdo do UBQ. Eu até tentei me aproximar de alguns deles, mas, ou fui solenemente ignorado ou fui visto mais como um fã do que como um criador de conteúdo.

E isto refletiu na cobertura do evento também. Estou esperando até hoje uma resposta sobre os questionamentos que fiz à organização do evento sobre os problemas que foram citados.

Pena…

Pena mesmo…

[ Balanço Geral ]

Seja como for, eu consegui fazer uma cobertura bacana… entrevistei dois jogadores profissionais: Matheus Akio Yanagiura, também conhecido como “Sandoiche” lá na Liga Magic, que participou do evento principal ficando no top 16.

VID_20180708_183344094.mp4_snapshot_06.54_[2018.08.06_18.25.53]

Entrevistei também o Carlos Eduardo Yamaue Romão, também conhecido como “Jabaiano”, campeão mundial de Magic no ano de 2002. Ele também foi campeão mundial da versão on-line em 2015. Ele também é o atual campeão brasileiro, tendo vencido o nacional de 2017.

VID_20180708_185334065.mp4_snapshot_00.21_[2018.08.06_18.34.07]

Produzi conteúdo para o canal UBQ TV com os dois e também com o Bruno Dias, do canal Benália TV. Em breve publicarei os vídeos.

O próximo evento será o Nacional 2018. E ele será realizado no mesmo local do GP de 2017. Estaremos por lá para fazer a cobertura também.

No geral, saímos de uma cobertura bastante improvisada no ano de 2017 e fizemos uma cobertura mais abrangente em 2018. Vamos trabalhar para melhorar em 2019, combinado?

Não foi um evento perfeito… mas não foi um evento ruim. Foi divertido.

Você esteve no GP? Jogou algum evento? Conta pra mim a sua experiência!

8 de agosto de 2018

Radiohead - "In Rainbows" (Disco da Semana #34)

Buenas,

Estamos de volta e antes de qualquer coisa, queria pedir desculpas por mim e pelo nosso senhor editor pelos atrasos nas resenhas. Estou fazendo de tudo para que elas saiam dentro do prazo proposto pela coluna, semanalmente. (NOTA DO EDITOR: A maior parte da culpa cabe ao editor que atrasa a publicação dos textos. Briguem com o editor, não com o colunista, combinado?)

Desculpas a parte, vamos ao que interessa? A resenha de hoje é de uma das minhas bandas de cabeceira ...

20180808_disco_radiohead

O que fazer quando você já experimentou de tudo na música e ainda busca pelo novo, pelo inusitado? Essa pergunta deve permear a cabeça de Thom Yorke e da rapaziada do Radiohead o tempo todo, e deve ter sido a base para a composição de seu sexto álbum de estúdio, o genial "In Rainbows".

Musicalmente falando, é uma síntese de todas as fases da carreira dos caras. Do experimentalismo eletrônico (da fase "Kid A" e "Amnesiac") em "15 Steps", passando pelo esporro e guitarrístico (da fase "Pablo Honey") em "Bodysnatchers" e pelas fases deprês existencialista (de "The Bends" e "Ok Computer") em "Nude" e "All I Need", tudo aqui é feito com a magistral competência Radioheadiana.

Está tudo no seu devido lugar, as guitarras do Johnny, as vozes do Thom e do Ed, o baixo pesado e cavernoso do Coz e a batera econômica do Phil.

20180808_radiohead

Se tudo corre pelo certo, qual a diferença e genialidade desse álbum pros outros? A forma de distribuição. Isso mesmo. Eles colocaram à época o álbum para ser vendido em seu site e cada um pagava o que achava justo. Claro que havia um valor mínimo, mas a ideia em si já foi revolucionária e o álbum vendeu muito mais que o esperado.

E independente de quanto se pagasse, esse álbum vale cada centavo. Parece uma coletânea de tanta música boa. É um disco desigual, alterna momentos mais introspectivos com momentos mais alegres, mas tudo na medida certa, nem deprê demais, nem feliz demais. Uma meia estação. Aquele clima típico inglês. Não conseguiria indicar uma ou duas músicas, ouça tudo, de preferência com bons fones de ouvido. A experiência é absurda.

Não a toa o Radiohead é abanda mais genial de sua geração, se reciclam, se reinventam a cada novo disco. Longa vida a Thom Yorke e cia. Disco mais do que recomendado, esse é daqueles que mudam vidas.

Para ouvir, acesse aqui.

Logo menos tem mais.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...