24 de abril de 2009

A vergonha chamada ProUni

Saiu no jornal Folha de São de Paulo e também em reportagem do Jornal Nacional. Embora se destinem apenas a jovens com renda mensal de até um salário mínimo e meio (R$ 697,50) por pessoa da família, bolsas integrais do ProUni (Programa Universidade para Todos) foram concedidas a mais de mil proprietários de carros novos, entre eles modelos de luxo, como Honda Civic, Toyota Hilux, Ford Fusion, Vectra, Zafira, Mitsubishi Pajero e o XTerra da Nissan.

Para quem não conhece, o ProUni é um programa do Ministério da Educação, criado pelo Governo Federal em 2004, que oferece bolsas de estudos em instituições de educação superior privadas, em cursos de graduação e seqüenciais de formação específica, a estudantes brasileiros, sem diploma de nível superior.

A idéia é ajudar a quem não tem conseguiu uma vaga na rede pública e custear a formação do aluno na rede particular. Foi uma maneira de equilibrar as coisas, pois afinal de contas, os concorridos vestibulares públicos levam em consideração o candidato mais preparado e não a sua condição financeira.

Não serei hipócrita de afirmar que o ProUni é uma grande idéia. Afinal, ele não resolve o problema fundamental da educação que é criar uma educação básica (leia-se ensino fundamental e médio) de qualidade. Junto com o programa de cotas e a recente mudança nos vestibulares das Federais é apenas uma maneira de mascarar a precariedade do ensino brasileiro. Ao invés de criarmos cidadãos, empurramos semi-analfabetos para o ensino superior.

Agora vem esta notícia de que alguns “filhinhos de papai” se beneficiam do ProUni. Como pode um estudante com renda de até R$ 697,50 manter um carro destes? Não paga nem a parcela do financiamento…

Mais curioso ainda foi a posição do ministro da educação, Sr. Fernando Haddad que alega que o ProUni leva em conta a situação do candidato no momento em que o beneficiário entrou e não considera a evolução financeira do beneficiário.

Vejamos:  um Honda Civic novo custa R$ 64.365,00. Considerando uma entrada aproximada de 20%, ou seja R$ 12.800,00 (arredondei), significa que o indivíduo empregaria quase 19 meses de renda apenas para o valor da entrada, supondo que ele não use transporte público, não se alimente, não tenha despesas com moradia e vestuário e não tenha nenhuma despesa na faculdade.

Mesmo que o beneficiário tenha uma condição financeira melhor ao longo do seu curso, qual a razão então de mantê-lo no programa? Ajudá-lo no pagamento do IPVA?

O programa é mal estruturado, com poucas exceções, e não colabora para a formação de profissionais qualificados. Acho que o Sr. Lula deveria voltar seus esforços para o ensino básico e tratar de melhorar qualidade de escolas onde o aluno muitas vezes vai para ter o que comer e não para estudar.

Este governo não leva a educação a sério. Se levasse, programas de cotas e ProUni não existiriam. E teríamos um ensino básico de qualidade onde os alunos não seriam semi-analfabetos.

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