2 de julho de 2009

Há 15 anos atrás..

Lembro como se fosse hoje. Em 01/07/1994 fui à uma agência bancária e troquei meus CR$ 34.800,00 (Cruzeiros Reais) por R$ 12,65. Na época pensei: “Lá vem mais uma mudança de moeda e mais um corte de três zeros”. Isto foi num tempo em que o preço de um produto era “X” e amanhã “X+Y”. E às vezes “X+Y+Z” ainda no mesmo dia.

O fenômeno chama-se hiperinflação. Tempos difíceis. Quando garotinho eu recebia uma mesada de Cr$ 500,00 do meu pai. Lembro que a quantia era suficiente para comprar um gibi do Pato Donald, uma caçulinha (uma espécie de guaraná antartica em miniatura) e ainda sobra Cr$ 50,00. A moeda chamava-se Cruzeiro. Entretanto, lá por volta de de 1986 minha mesada tinha aumentado bastante: eu ganhava cerca de Cr$ 5.000,00. Mas o nosso atual presidente do senado, José Sarney, que já tinha um vasto bigode, uma cara de pau enorme (naquela época eu não estava nem aí para política, mas lembrando daquele tempo, era muita cara de pau dele vir à TV e conclamar os “Fiscais do Sarney”) e era o Presidente desta esculhambação chamada Brasil, mudou a moeda. Agora o dinheiro no Brasil chamava-se Cruzado e cortaram três zeros. Assim, Cz$ 1,00 = Cr$ 1.000,00. Eu lembro de ter ficado bravo com ele. Afinal, ele diminuiu minha mesada.

Os primeiros meses foram diferentes, o preço estável, sem grandes mudanças de preço. Mas aí tudo começou de novo. Minha mesada começou a aumentar novamente e de tempos surgiam notas mais graúdas. Para se ter uma idéia, as primeiras notas (1986) foram de Cz$ 10,00, Cz$ 50,00 e Cz$ 100,00; além de moedas com valor em centavos até Cz$ 1,00. Em 1989 as notas  já tinham valores de Cz$ 10.000,00 e Cz$ 5.000,00. Voltavámos à inflação.

Então, o desastrado presidente bigodudo lançou um novo plano econômico: o Plano Verão. Novo corte nos zeros, nova moeda: Cruzado Novo (NCz$). As notas mais graúdas de Cruzados foram carimbadas e novas notas foram impressas. Nesta época eu já entendia um pouco mais sobre o corte de zeros e sendo assim, não fiquei bravo quando minha mesa foi reduzida.

Bom, aí o Fernando Collor de Mello ganhou a eleição para presidente, assumiu e então, mais um pacote. Confisco da poupança e mudança da moeda. Voltamos ao Cruzeiro. Voltou a moeda e voltou a inflação. As primeiras notas com valores na casa da centena em pouco mais de um ano eram troco para comprar balas na padaria.

Inflação galopante e nova mudança de moeda. Desta vez, no governo “tapa-mandato” de Itamar Franco. Em 1993, novo corte de zeros e novo nome: Cruzeiro Real (CR$). Puxa, se eu tivesse 08 anos novamente (minha idade em 1984) e ainda estivéssemos nos tempos do Cruzeiro, eu seria bilionário. Afinal, considerando apenas o valor de face, temos que CR$ 1,00 = Cr$ 1.000.000,00.

Teria comprado muitos gibis e tomado muitas caçulinhas…

Aí, em 1994 veio o Fernando Henrique Cardoso, ainda como Ministro da Fazenda propondo uma tal de “Unidade Real de Valor” que era um índice atualizável de acordo com o dólar. E aí, finalmente, a inflação parou. Bom, pelo  menos diminuiu bastante.

E aí chegamos ao dia 01 de Julho daquele ano. O dia em que fui mais uma vez trocar o meu dinheiro. E nos últimos quinze anos, foi a última vez.

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