20 de agosto de 2009

Coerência política

Há quase 8 anos atrás tomei um decisão que contrariava muitas das minhas convicções políticas: resolvi votar em Aloizio Mercadante (PT/SP) para o Senado Federal. Meu outro candidato seria José Aníbal (PSDB/SP).

Sempre que opinei sobre discussões políticas dentro da faculdade eu tentava ao máximo expressar uma opinião apartidária. Que fosse coerente com a situação atual e não contrariasse minhas crenças e ideais.

Desta maneira, na época a decisão me pareceu bastante acertada. Afinal de contas, acredito que toda unanimidade é burra. E que para cada opinião, temos que ter uma visão contrária. Desta forma, podemos todos crescer com o debate de idéias.

Assim, votei em meus candidatos do PSDB para os diversos cargos da ocasião (Presidente, Deputados e Governador) e para Senador, optei pelo Aloizio. A princípio, a decisão me pareceu equivocada: obviamente ele apoiou incondicionalmente o Presidente Lula e muitas de suas decisões absurdas. Além disso, protegeu o governo de diversas formas quando surgiram escândalos que colocavam em xeque a credibilidade do governo.

Nestes últimos dias, acompanhei com certa apreensão a impunidade no Senado em relação ao Senador José Sarney (PMDB/AP). Este canalha hipócrita (não consigo encontrar um termo menos correto) que tem sede de poder e transformou o estado do Maranhão em seu curral político e que transformou o Senado Federal em um cabide de empregos para familiares e amigos. O Conselho de Ética livrou a cara do Sarney, arquivando as denúncias que o acusavam. Mais uma pizza para a grande pizzaria chamada Brasília tendo como pizzaiolo-mor nosso presidente barbudo.

Agora me ocorreu que o barbudo salvou o bigodudo…

Bom, alguns políticos mostraram ter vergonha na cara. Marina Silva saiu do PT depois do embate que teve com a Dilma. Um nome que eu desconhecia – Flávio Arns (PT/PR) – também saiu do partido envergonhado com a impunidade que o PT preparava para Sarney. E agora o Mercadante anuncia que deixará a liderança do PT no Senado.

Se ele decidir sair do partido, pelo menos terei a tranquilidade de finalmente poder acreditar que meu voto – há quase 8 anos atrás – não foi em vão.

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