30 de agosto de 2009

Funcionário Público… vocação ou necessidade?

Um dos chavões populares diz que “Todo funcionário público é encostado”. Quem é funcionário público fica mordido com a fama de preguiçoso e incompetente e tenta desfazer a má fama. A questão é: será que a fama é merecida?

Bom, eu sou funcionário público. Trabalhar para o Estado nem sempre significa trabalhar com aquilo que se pretende. As funções disponíveis na maioria das vezes são burocráticas e/ou mal remuneradas. Outro fator é que muitas vezes o setor privado paga melhor. Assim, um médico ou um engenheiro ganhará mais trabalhando no setor privado do que no público.

Para algumas funções de nível médio, a situação é ainda pior. Pois a remuneração é ruim em ambos os casos (público ou privado) e aí, a escolha pelo público recai na questão da estabilidade. Pelo menos o emprego público é garantido…

A consequência é que em sua maioria, funcionário público está lá trabalhando em determinada função pelo salário. E apenas pelo salário. Dane-se a vocação… dane-se a dedicação. Infelizmente, muitos pensam assim.

Isso gera muitos problemas. O principal deles, em minha opinião, é que o serviço é executado por pessoas desmotivadas que só estão pensando em seu salário e não gostam nem um pouco do que fazem. Em uma escola por exemplo: alguns professores por motivo de saúde são readaptados para trabalhar em outras funções. Então vão para – de acordo com meu exemplo – para a secretaria da escola. Trabalham mal, sem dedicação e de forma pouco produtiva e eficiente.

Aí, alguém pode estar pensando que uma boa conversa pode resolver a situação. Ledo engano. O fato de que na coletividade impera o a filosofia do “trabalho mínimo” faz com que quem queira trabalhar de verdade seja visto com desconfiança e até mesmo como um inimigo.

Nesta luta pelo trabalho competente contra o desinteresse pela eficiência e o bom trabalho, o mais comum é que as pessoas desistem de mudar e acabam adotando a máxima “se não pode contra eles, junte-se à eles” ou então desistem e procuram outra coisa para fazer.

Dinheiro é importante? Claro… sem ele não podemos continuar a tocar nossas vidas. Não podemos realizar projetos. Mas o salário, o dinheiro é só parte da vida. Será que ninguém se importa em fazer um bom trabalho e poder encostar a cabeça no travesseiro a noite e dormir tranquilamente sabendo que fez o seu melhor?

Eu não vou desistir…

3 comentários:

  1. Ricardo, mais uma vez parabéns. Concordo com você, olha, entrei no estado em 1992 como Agente de Serviços(na época Servente de Escola), estudei, hoje além de Secretária,(ingressante)sou técnica em Informática e graduada em Sistemas de Informação, mas, fui mordida pelo bichinho da Educação...quando trabalhava na cozinha, meu maior pagamento era ver as crianças comendo com prazer, hoje, sempre que que meu trabalho (que estou aprendendo) dá certo fico feliz da vida!!!
    Infelizmente, pessoas como as que você cita acima, ainda predominam, mas acredito assim como você, na luta pelo trabalho competente...
    Boa sorte!!!

    ResponderExcluir
  2. Ricardo, achei legal começar um blog com esse assunto. eu já tinha o meu antes de trabalhar numa Subprefeitura,e postei muita coisa do que aprendi. Está bem no comecinho do blog. Tem fotos, tem experiências, e tem uma amizade muito boa com gente que ainda acredita em mudanças, como a minha ex-chefe, Soninha Francine).
    Lá aprendi muito, também reclavam e encostavam, mas agora, como estadual, vi que o bicho pega muuuito mais. E a Soninha tá querendo ser candidata em 2010. Já a preveni do que vai encontrar pela frente...rs.
    Estou bem maluca naquela escola. Falo sozinha, corro pra janela, pra porta, pro telefone, fico que nem barata tonta, e às vezes me pego meio autista. Estou estressada mentalmente e fisicamente.Mas espero em Deus superar tudo e continuar lá.
    Te desejo boa sorte, e força todo dia.
    Meu blog:
    www.musicaparapoucos.blogspot.com

    Bjs
    Emilinha

    ResponderExcluir
  3. Oi Ricardo, eu tb penso assim, não é só o salário que nos motiva, embora precisamos dele, mas a vontade de fazer a diferença, não só em nosso trabalho, mas em tudo em nossa vida, para que um dia possamos dizer o mesmo que um famoso soldado romano disse: "Combati um bom combate, acabei a carreira e guardei a fé", fé aqui no sentido de vida, não apenas num contexto religioso, valeu.

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...