16 de agosto de 2009

Igreja Universal versus Rede Globo

Esta briga é antiga. Em 1999 a Rede Globo veio a plena carga com argumentos contra a Igreja Universal do Reino de Deus. Dízimos forçados, denúncias de mau uso das doações, irregularidades na administração da igreja e outras acusações.

Não é a primeira vez que a emissora carioca, incomodada com a constante queda de audiência e o consequente avanço da Record, tenta atingir seu principal motor: a igreja.

Esquecendo por alguns minutos a fé dos fiéis que inegavelmente é verdadeira e jamais poderia ser questionada como certa ou errada (afinal, o Brasil é um país onde a liberdade de culto é preservada constitucionalmente), pensemos apenas na estrutura da igreja. Não é necessário muito brilhantismo acadêmico para perceber que realmente há algo errado ali.

A igreja enriqueceu, o bispo enriqueceu, a Record cresceu. O dinheiro angariado por meio das oferendas tinha que ir para algum lugar. Os canais de televisão serviram como lavanderia. O dinheiro pago pelos horários alugados à igreja ia para a televisão que por ser uma empresa comercial, gerou lucro. E por meio deste lucro, o bispo enriqueceu. Montou até um segundo canal de notícias.

Esquecendo também por um momento o desespero da Globo é verdade que a qualidade da emissora melhorou. Bons seriados (House, Monk, CSI, entre outros…), boas novelas (pelo menos na produção), uma grade de programação estável e bons patrocínios (que aliás, renderam os direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos de Londres; um duro golpe para a Globo). A Record copiou a receita de sucesso da Globo e está se dando muito bem.

A questão de tudo isto é: a Globo pretende derrubar a ascensão da emissora concorrente ou denunciar uma igreja que abusa da fé dos seus fiéis?

Porque se a questão é denúncia, a Globo também não tem um passado muito saudável. Basta lembrarmos da manipulação dos debates políticos de 1989 em favor de Fernando Collor, da guerra de bastidores pelos direitos de transmissão do futebol nas copas e nos campeonatos brasileiros (que chegou mesmo a gerar campeonatos paralelos), da sua parcialidade durante o período do regime militar em que a sua supremacia na televisão foi absoluta dado o favorecimento político que o regime lhe proporcionava.

A Globo deveria fazer as duas coisas: uma denúncia consistente contra o abuso da fé dos fiéis da Igreja Universal e melhorar sua programação com atrações melhores. E a Record cresceu. Poderia tentar andar pelas próprias pernas e não com o dinheiro do dízimo.

A briga vai longe.

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