21 de abril de 2010

Viva o “Caipirês”

Alguns dias atrás eu falei sobre revistas em quadrinhos… Basicamente um desabafo sobre a queda de qualidade das revistas Disney e o consolo de ainda termos boas revistas, como por exemplo a revista do Chico Bento.

Em uma ida ao mercado, acabei comprando um exemplar da revista para passar o tempo. Como sempre, as histórias são bem boladas, refletindo a realidade de um garoto que vive na roça com muito bom humor e um pouco de realismo mágico.

E ao chegar na última página, um anúncio de página inteira onde Maurício de Sousa publica sua opinião sobre as críticas ao personagem e seu ambiente, principalmente ao fato de ele falar o “Caipirês”.

Sim, nas revistas do Chico Bento, os personagens da roça falam com aquele jeito gostoso da roça: o “que” vira “qui”, “pouco” vira “poco”, “volta” vira “vorta”, o “estou” vira “tô” e assim por diante.

Acho ridículo que pessoas que se julguem educadores critiquem um personagem que ensina tanto sobre um Brasil que existe e está próximo de nós. Acho ridículo pensar que isso prejudica os pequenos leitores. Acho que educação não é limitada só a leitura de uma revista, mas um apanhado de “saberes” que são transmitidos por diversos formatos.

São poucos os educadores que merecem ser chamados como tal.

A seguir, a íntegra da opinião de Maurício de Sousa:

O Chico Bento foi criado em 1961. Desde então, virou um ícone do caipira brasileiro. E com muito orgulho. Mas ainda tem gente que acha que o jeito dele falar é prejudicial aos pequenos leitores.

Não concordo! Uma criança forma o seu vocabulário de acordo com o que ouve ao seu redor: na família, na escola ou na sociedade. Ela não modifica seu jeito de se expressar por ler histórias do Chico Bento. Se fosse assim, já imaginou quanta gente bem crescida falaria “caipirês” até hoje?

É preciso lembrar que Chico Bento vive a realidade da zona rural. E com sua personalidade doce e pura, além de muito humor, fala da preservação do meio ambiente, da vida no campo e do nosso folclore. Ele pode até não estar entre os melhores alunos da escola, mas dá aula quando o assunto é a sabedoria de como viver.

O Chico nos mostra um Brasil gostoso, saudável, onde a criança tem espaço e elementos para experimentar, interagir e viver a infância em toda sua plenitude. E mostra isso falando no mais puro e gostoso “caipirês”. Quer coisa mais fofa?

Extraído de “Chico Bento” edição n.° 40
Abril de 2010

E mais uma vez, viva o “Caipirês”!

19 de abril de 2010

Empresas auto-destrutivas

Quem trabalha com administração, convive em um ambiente corporativo ou assiste ao Fantástico no Domingo já deve ter ouvido falar em Max Gehringer.

De modo gera, Max é um consultor de carreiras que analisa o mundo corporativo de maneira crítica, mas com muito bom humor. Podemos ouvi-lo diariamente na rádio CBN que exibe um comentário sempre às 08h00.

Antes disso ele foi executivo de grandes empresas chegando até a presidência de multi-nacionais como a Elma Chips. Considerado como um dos melhores executivos do mundo, no auge da carreira ele simplesmente jogou tudo para o alto e decidiu ser comentarista e escritor.

Devo confessar que sou grande fã de sua filosofia de trabalho e de vida. Acho sensacional o fato dele trocar fama e fortuna por uma carreira incerta como escritor. Seus livros e suas palestras são super concorridas e o que era uma carreira incerta, tornou-se certamente (com o perdão do trocadilho) uma escolha acertada.

Em seus inúmeros comentários, um deles é muito interessante.

A seguir, a transcrição do comentário:

Existem empresas que são autodestrutivas, ou seja, elas trabalham para diminuir e não para crescer. É claro que naquele quadrinho que tem "A nossa missão", não está escrito: "Nosso objetivo é ser a empresa que mais encolhe no Brasil". Pelo contrário, sempre está escrito que ela vai ser a maior, a melhor, a mais rápida e a mais eficiente. Só que, na prática, as ações não condizem com as palavras.

Existem 10 sintomas de que uma empresa possa estar se autodestruindo:

  1. Primeiro: uma dificuldade muito grande para implantar idéias novas.
  2. Segundo: muito trabalho que é feito, tem que ser refeito, porque, no fim, se descobre que não era bem aquilo.
  3. Terceiro: muitos documentos são produzidos sem uma clara finalidade. São memorandos, emails, relatórios e cópias de relatórios, que vão para o arquivo ou para o lixo, sem ninguém ler.
  4. Quarto: existe uma grande dificuldade para achar alguém que realmente possa tomar uma decisão. Um sempre manda falar com o outro.
  5. Quinto: projetos raramente são implantados na data prevista. E não raramente são adiados para uma data indefinida, mas nunca muito próxima.
  6. Sexto: os funcionários têm dificuldade para conseguir conversar com os superiores, que estão sempre muito ocupados e não podem atender naquele momento.
  7. Sétimo: a comunicação é falha. Os funcionários não são informados das coisas, eles descobrem as coisas.
  8. Oitavo: a inconsistência é a regra. O mesmo problema é tratado de um jeito hoje e de outro jeito amanhã.
  9. Nono: exemplos de coisas positivas que acontecem fora da empresa são sempre citadas de modo negativo. Por exemplo, um concorrente lança um novo produto e a empresa se preocupa mais em achar os defeitos dele, do que tentar enxergar as suas possíveis qualidades.
  10. Décimo: o clima é pesado. Em empresas assim, os funcionários passam o dia inteiro sentindo uma espécie de desconforto, que ninguém consegue explicar direito.

A explicação é que a empresa está, lentamente, se autodestruindo.

11 de abril de 2010

Gibis

Acho que toda criança passa pela fase das revistas em quadrinhos. Ou melhor, do velho “Gibi” que na verdade, era o nome de uma revista em quadrinhos que fez tanto sucesso que o termo “gibi” virou sinônimo deste tipo de publicação.

Na minha infância, eu lia os gibis da Disney (Pato Donald, Tio Patinhas, Almanaque Disney e Disney Especial) e alguns da Turma da Mônica. Já na vida adulta tornei-me fã dos mangás. Entre eles: Dragon Ball, Yuyu Hakusho, Love Hina, Samurai X e Evangelion.

Dias atrás, na fila do supermercado, vi um gibi à venda. Era um exemplar da Disney (Duck Tales, com o Tio Patinhas) e um tanto saudosista comprei-o para relembrar os velhos tempos.

E me decepcionei…

A capa do gibi foi muito mal desenhada, as histórias são de apenas autores estrangeiros e o traço atual deixa muito a desejar em relação aos cartunistas da década de 70 e 80.

Pesquisando sobre o assunto, descobri que há anos que o estúdio brasileiro deixou de produzir e que as histórias da Disney no Brasil são reproduções de estúdios estrangeiros (basicamente EUA e Itália).

Com o fechamento do estúdio brasileiro, algumas histórias ótimas não são mais publicadas…

Fica o consolo das boas revistas da Turma da Mônica… em especial a Turma do Chico Bento.

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