31 de dezembro de 2011

2011…

Último dia do ano. Passei alguns dias pensando no que ainda iria escrever no blog para este ano de 2011. Pensei em falar das realizações… dos erros… dos acertos. E no final alguma grande mensagem positiva para 2012.

Pelo menos era o que eu havia planejado.

Mas o mundo não é algo tão linear e planejado como gostaríamos (ou pelo menos eu gostaria) que fosse. Claro que – como acontece na vida da maioria das pessoas – algumas coisas deram certo. Outras foram um total fracasso. O saldo? Honestamente, não consegui avaliar. Não sei dizer se 2011 foi um ano bom ou ruim.

De qualquer forma, continuo por aqui… continuarei em 2012 e tenho que fazer com que minha tenha algum valor até o seu final. Então não posso desistir.

Hoje à tarde, minha noiva me perguntou se eu já havia feito minha lista com as metas de 2012. Não tinha. Na verdade, a lista não é grande.

Casar é uma das metas. Desde 2004 venho (junto com a Ana Paula) trabalhando nesta realização. Este ano finalmente as casas ficaram prontas (faltam apenas alguns detalhes). Nossa data é 17 de Março.

A outra é uma consequência da primeira: emagrecer. Já tem muito tempo que a noiva reclama do meu excesso de peso e já tem muito tempo que eu venho prometendo que vou emagrecer. Em nossa foto de noivado, um recadinho bem claro: “Só caso quando você emagrecer… Ass: a Noiva”. Além disso, meus joelhos e tornozelos andam reclamando bastante ultimamente. Ainda não sou um velho… mas já não sou um menino.

Pagar as contas também faz parte do planejamento. Eu e Ana Paula fizemos um investimento grande para que a tudo acontecesse. Neste último ano ela se sacrificou bem mais do que eu. O fato é que 2012 será um ano de cofre-porquinho onde economizar será muito importante.

Estudar também será necessário. Abdiquei conscientemente da faculdade em 2011 e 2012 para poder casar e cuidar da saúde. Mas eu me sinto péssimo em não frequentar a faculdade. Mas 2012 será um ano dedicado ao meu casamento. A faculdade de biologia pode esperar um pouco mais… e voltar à faculdade de medicina também.

Trabalhar será fundamental. Nos dois últimos anos tive que apanhar bastante para aprender o meu trabalho de secretário. Felizmente, tenho uma nova diretora, bem diferente das anteriores e tudo parece muito promissor. Espero que neste ano eu consiga colocar as coisas em ordem.

Enfim, não tenho um grande discurso para o encerramento de 2011… não tenho uma grande abertura para o ano 2012, mas tenho planos. Como em todos os anos…

E eu farei tudo para ser uma pessoa melhor.

Até 2012…

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4 de dezembro de 2011

Dr. Zuccas

Eu estava sentado na cozinha tomando meu café da manhã e vi na televisão a notícia do falecimento de um famoso doutor… o Dr. Sócrates. Jogador de futebol de grande talento e médico por formação. Deus, ironicamente, deu ao Dr. Sócrates o diploma de médico que praticamente nunca foi usado e talento para jogador de futebol (que foi exaustivamente utilizado).
Minha mãe – que também estava na cozinha – então falou da morte de outro doutor… o Dr. Zuccas.
Obviamente nem todos vão conhecer este nome. Mas ele também foi um homem público. Aliás, com certa notoriedade. Algis Waldermar Zuccas foi filho de refugiados da Revolução Russa e nasceu em 1929. Seu pai era dono de uma farmácia e ali ele tomou gosto pela área da saúde. Em 1948, entrou na Escola Paulista de Medicina e graduou-se médico com especialização em pediatria.
Trabalhou por toda sua vida como médico pediatra na Mooca. Seu consultório ficava instalado na Rua Pirassununga e ali, em um casa com duas salas transformadas em ambulatório e uma sala de espera, o Dr. Zuccas tratava dos pequenos.
Ele trabalhou com saúde pública, participando de programas epidemiológicos para o controle do sarampo e meningite. Pertenceu ao Rotary Clube (Alto da Mooca) e foi chefe de gabinete do Secretário Municipal da Saúde na gestão Jânio Quadros.
Para mim, ele foi mais importante do que tudo isso. Foi o médico que me inspirou a cursar medicina. Em suas consultas ele pacientemente ouvia todas minhas perguntas e respondia a todas elas com muito carinho e de uma forma que eu pudesse compreender. Eu perguntava sobre a doença, sobre o remédio, sobre o funcionamento do “tetoscópio”… tudo respondido gentilmente por aquele senhor que me inspirava. E que em todas as suas consultas eu dizia: “Quando eu crescer, quero ser um médico igualzinho ao senhor”.
Em foi no dia 03 de Março de 1995 a última vez que eu o vi. Neste dia fui até consultório não como seu paciente, mas como futuro estudante de medicina da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP. E lembro até hoje de minhas palavras:
Hoje eu vim aqui para contar ao senhor que finalmente eu consegui cumprir minha promessa… eu entrei na faculdade de medicina e terei a oportunidade de ser um médico tão bom quanto o senhor. Eu queria poder contar isto para o senhor. E queria pedir para o senhor que me aconselhasse o que devo fazer daqui para frente.
Em sua serenidade habitual, ele me disse:
Você deve estudar muito a Anatomia e a Fisiologia que são as bases da medicina. Mantenha-se concentrado e estude muito porque a faculdade exigirá isto de você. Ao praticar medicina, você deve se lembrar sempre de ouvir tudo o que seu paciente venha a lhe dizer. Por mais simples que seja, por mais confuso que lhe pareça, você terá nas palavras do seu paciente a solução de muitos diagnósticos. Eu fico muito feliz em saber que aquilo que faço serviu de inspiração para um jovem inteligente como você.
Ele me deu um abraço e me desejou sorte e ainda disse que quando estivesse formado, poderia voltar ali para visitá-lo, desta vez como um colega e não como um paciente. Eu lhe disse: “O senhor tem a minha promessa”.
O que eu não sabia é que nenhum de seus filhos seguiu a carreira médica e que seu consultório, após 58 anos de funcionamento fechou em 2011.
Eu nunca consegui cumprir a promessa e envergonhado, nunca mais retornei ao seu consultório…
Doeu saber que o homem que me mostrou como se deve praticar medicina não está mais por aqui. Faleceu em 11/08/2011, vítima de câncer na próstata. Deixou viúva e três filhos, além de cinco netos.
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Algis Waldemar Zuccas (1929 – 2011)
Médico – CRM 1734/SP

Sócrates

Não tem muito o que dizer…

socrates

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