28 de janeiro de 2012

Pirataria… até que ponto?

Tramita no congresso norte-americano um projeto de lei que – em teoria – visa proteger conteúdos que possuem direitos autorais (filmes, músicas, livros, fotos, etc…) da pirataria. Hoje em dia, é algo muito simples obter downloads de sites que armazenam conteúdos protegidos, infringindo assim as leis de direitos autorais. Por esta lei, site que abrigam estes conteúdos deverão ser bloqueados.

A lei é conhecida pelo seu acrônimo SOPA (Stop Online Piracy Act – algo como “Lei para barrar a pirataria Online) e tem forte apoio das indústrias cinematográficas, fonoaudiográficas e até mesmo farmaceuticas (que temem a pirataria das fórmulas dos seus compostos medicinais).

Entretanto, existem temores que a lei funcione não só como uma barreira à pirataria, mas também como uma ferramenta para cercear o livre direito de expressão e opinião. Por conta deste entendimento, gigantes da internet como Google, Wikipedia, Facebook, Twitter, entre outros protestaram contra esta lei.

google-censored-censorship-sopa

218648-wikipedia-blackout-in-protest-against-sopa

Até aí, o que vemos é o livre direito de concordar ou discordar de uma determinada ideia. Particularmente, eu concordo com eles… parafraseando a Wikipedia: Imagine um mundo sem o conhecimento livre.

Todos estes protestos tiveram um grande impacto. Algumas lideranças políticas norte-americanas se reposicionaram em relação a questão. A opinião pública também pesou  em tudo isto.

O que eu não esperava era isto: uma grande personalidade que muito provavelmente deve sofrer grandes perdas financeiras por conta da pirataria de sua produção artística (livros) defendendo sites de distribuição de conteúdo ilegal e não só isso… defendendo também a pirataria.

12028240

Paulo Coelho fez isso… manifestou-se publicamente a respeito em seu blog (segundo matéria do site do UOL, que pode ser conferida em http://www1.folha.uol.com.br/tec/910219-paulo-coelho-volta-a-defender-pirataria.shtml).

Em homenagem a isto, o conhecido site Pirate.bay – cujo nome dispensa qualquer comentário sobre o tipo de atividade do site – fez uma “homenagem” (na falta de um termo melhor) ao escritor, colocou uma foto do mesmo em sua página inicial com os dizeres “The Pirate Bay proudly promotes Paulo Coelho” (A Pirate Bay orgulhasamente divulga Paulo Coelho).

Preciso dizer que nunca fui um grande fã do Paulo Coelho… li uns dois ou três de seus livros mais de maneira recreativa do que atenta. Mas achei muito lúcida sua posição sobre como deve funcionar a relação entre a tríade consumidor-autor-produtor.

O mais interessante é que o próprio autor mantém em seu blog uma área para download de seus livros. E ilustra tudo isso com uma pequena parábola que reproduzo aqui:

Uma mulher foi ao mercado e viu dois potes. Ela perguntou o preço ao vendedor. 'Dez moedas', ele respondeu. A mulher ficou surpresa: 'Mas um destes potes foi pintado por um artista!'. O vendedor respondeu: 'Estou vendendo potes. Beleza não tem preço'.

Toda esta polêmia fez com que eu repensasse em algumas coisas… a pirataria não está no ato de distribuir o conteúdo, mas sim no ato de as pessoas obterem o conteúdo e não valorizá-lo. De buscar lucro para si através do trabalho dos outros. Em um bom exemplo, um cidadão qualquer resolve baixar o livro do Paulo Coelho em seu blog, imprimi-lo e vendê-lo por aí…

Mas e por exemplo na questão de pessoas interessadas em consumo de produtos e os mesmos não estão disponíveis? Vou usar um exemplo meu… existe um seriado relativametne antigo chamado “Quantum Leap” (No Brasil, “Contratempos”). Este seriado foi transmitido pela Rede Globo na década de 90 e mesmo assim de forma parcial (foram 5 temporadas e a Globo transmitiu o seriado por uns 2 anos somente).

O seriado é muito legal e eu gostaria de assisti-lo. Porém a detentora dos direitos autorais não tem planos de lançar o seriado em DVD’s por aqui. O seriado também não passa na TV a cabo… e aí? Como fica? A série já teve seu lucro em sua transmissão original, foi devidamente paga, que mal há em ver os episódios? Desde que ninguém tenha a “brilhante” ideia de revender o mesmo por aí…

O grande mal é a ganância… concordo que o criador de um filme, o escritor de um filme mereça ser remunerado pelo seu trabalho, mas também acredito que a arte – em todas as suas formas de expressão – deve ser de domínio público. O conhecimento deve ser de domínio público. Mas com responsabilidade. Se você admira um autor e seu trabalho, mostre esta admiração comprando seus livros, divulgando suas opiniões, se não tem certeza se gosta de um filme, assista-o, comente, divulgue, pergunte. E se ao final disto, gostar do filme, compre-o ou alugue-o. Tudo de forma legal…

Outro exemplo. Adoro o seriado The Big Bang Theory. Na televisão aberta no Brasil, o SBT detém os direitos de transmissão, mas não divulga o produto. Na TV a cabo, a transmissão nem sempre é em um horário adequado… o que fazer? Baixá-lo… assisti-lo… divertir-me. E ao final da temporada, comprar em DVD (original) a temporada completa para guardar e rever.

Isso é pirataria?

Honestamente, eu acho que não…

27 de janeiro de 2012

As mudanças da bolinha azul

Uma foto que eu acho muito bacana é a emblemática “Pálida bolinha azul” (ou também pálido ponto azul e no seu original em azul é o Blue Marble) é uma foto do nosso planeta Terra que foi tirada pelos astronautas da Missão Apollo 17 em seu retorno à Terra. A captação da imagem foi feita à distância de 45 mil quilometros do planeta.

Esta foto trouxe uma série de questionamentos sobre a dimensão de nossas vidas em relação ao universo, a preocupação ambiental, a fragilidade da Terra… etc… etc…

Eu lembro de ter visto esta imagem pela primeira na capa de um caderno de escola. Adotei como sendo o de geografia…

Nesta noite, andei procurando um pouco sobre a história da foto e descobri que a foto foi atualizada para uma nova versão em uma resolução impressionante (a foto baixa tem 8000x8000 pixels)… aproveitei e fiz uma pequena fotocomposição. Apenas para me divertir..

bolinhas

É impressão minha ou o continente americano (visível nas fotos de 1997 e 2012) está menos verde?

25 de janeiro de 2012

Encruzilhadas

Demorei bastante para começar a escrever em 2012. Não foi por falta de um bom tema, ou por falta de vontade. Na verdade, duas razões me impediram. A primeira – e mais fácil de explicar – é a falta de tempo.
A segunda não é tão fácil. As vezes muito subjetiva… mas  a verdade é que cheguei em um encruzilhada. Em mais uma das encruzilhadas que a vida me colocou.

Crossroads - (c) Martin Liebermann


Ainda me lembro do momento em que tive que escolher entre fazer um ano de cursinho pré-vestibular para medicina, ou abandonar o sonho e seguir por um caminho mais conhecido e mais seguro. Optei por ir atrás da medicina. Entrei na faculdade, cursei alguns anos, tive problemas financeiros e emocionais (que na ocasião eu não tive maturidade suficiente para enfrentá-los) e deu no que deu… em 2001 voltei para São Paulo, sem meu diploma. Sem uma profissão… sem uma formação específica.
Na ocasião eu contava já com 26 anos… quase 27. Sem nunca ter trabalhado, uma nova escolha… dedicar-me novamente ao vestibular para ingressar em Medicina na cidade de São Paulo, ou trabalhar. Não me lembro ao certo porque optei por trabalhar. Acho que estava cansado de ser sustentado pelos meus pais e queria mostrar a eles que eu tinha algum valor.
Optei por trabalhar… e tentar a sorte no vestibular por conta própria.
A questão é que aos 27 anos você já tem desenvolvido aquela sensação de ter suas próprias coisas. Queria poder comprar minhas próprias roupas, pagar minhas contas, ser dono do meu nariz. E aos poucos, fui deixando de lado o vestibular e trabalhando cada vez mais para ter meus bens materiais.
E a faculdade de medicina, cada vez mais longe…

estetoscopio-curso-de-medicina

Mas ao invés do rumo natural das coisas, eu tomava o sentido inverso. Eu não tinha uma profissão. Era apenas um instrutor de informática que ensivana as pessoas a usar o Windows, Office, fazer páginas na internet. Sem registro, com uma remuneração incerta, sem perspectiva de uma carreira… eu estava cego e só pensava em como voltar para Campinas.
O tempo passava e eu criava uma expectativa sobre meu retorno. E então, sem profissão certa, sem carreira, sem a medicina, uma coisa boa aconteceu: uma mulher… a mulher que é para toda vida finalmente apareceu em minha vida. O tipo de mulher que só um maluco desprezaria. Eu não desprezei… e ali finalmente, em uma nova encruzilhada, um caminho fácil a se seguir…

Eu e Ana Paula... bom... pelo menos os dedinhos... Adoro essa foto. Para mim, resume a simplicidade e a força do nosso modo de amar um ao outro

Mas construir um grande amor, construir um futuro com alguém não é uma tarefa fácil. Você precisa de um bom planejamento, precisa de um terreno sólido. Caso isto não exista, muitas vezes você faz a pessoa amada sofrer.
Em busca de um melhor condição de vida, busquei novas escolhas… novas encruzilhadas. Troquei o baixo salário de um instrutor de informática por uma posição em uma pequena empresa de automação comercial. Uma empresa de administração familiar e com 3 ou 4 funcionário não comportava um chefe de laboratório. Mais uma vez, não era uma profissão, mas sim um deslumbramento de um dos meus alunos pelo meu conhecimento técnico. Ganharia um pouco mais do que como instrutor, mas não teria registro.
Achei que valia a pena. Não valeu.

1277505433_101905998_3-Cgs-Sistema-de-Automacao-Comercial-Servicos-de-informatica

Voltei então a fazer a única coisa que já tinha feito: trabalhar com aulas de informática. Uma nova e desesperada escolha para poder manter o sonho de fazer a mulher que amo feliz. De manter nossos planos vivos. Trabalhei em uma escola sem nenhuma estrutura, sem nenhum conhecimento técnico, onde seus donos só pensavam no lucro e não na qualidade da escola. Cheguei ao posto de coordenador técnico, mas de novo, não era uma profissão. Na verdade, eu era apenas o cara que concentrava as informações de pagamentos e aulas para repassar aos administradores. Depois de dois anos fui deixando de receber meus pagamentos, nunca fui registrado e descobri o que era assédio moral.

bully2

O resultado de tudo isso? Um processo trabalhista onde ganhei, mas não levei. Nunca vi um tostão de tudo aquilo. O pior: tentando manter meu sonho… gastei o que tinha e o que não tinha para continuar os planos do meu casamento. Eu e minha futura mulher gastamos muito dinheiro para tornar possível nosso sonho… mas a partir daquele momento eu já não estava sendo mais capaz de cumprir minha parte.
Veio então, a culpa…

Assedio

Em meus desespero, aceitei o primeiro trabalho que surgiu. E foi em uma pequena empresa de informática, como suporte técnico. Todos os programas eram desenvolvidos em Cobol uma linguagem conhecida por mim, mas nunca utilizada (afinal, nunca precisei desenvolver um sistema fiscal para emissão de notas fiscais).
Eu não estava nem um pouco preparado para a função. Na verdade, aceitei o trabalho porque as contas estavam chegando e eu precisava pagá-las de algum modo.
Apesar desta escolha às pressas, eu já estava me preparando para outra encruzilhada: eu precisava de uma formação. De uma profissão. A medicina seria inalcançável naquele momento, então pensei em algo próximo. Pensei em biologia. Assim poderia ter uma profissão real (professor) e dar aulas. Depois de algum tempo, eu poderia pensar até em cursar medicina novamente.

esfm_aula

Pareceu-me um bom caminho, então o escolhi.
Pensei que o melhor jeito de ir para a área da educação seria trabalhando em alguma escola. E foi nesta época que surgiu uma oportunidade: um concurso público. Entre ficar em um emprego onde eu não tinha nenhuma perspectiva e ir para uma função pública onde ao menos a remuneração seria constante e eu estaria mais perto da área em que gostaria de atuar, a segunda opção me pareceu mais lógica.
Assim, ingressei no funcionalismo público para exercer o cargo de Secretário de Escola. Uma função que não requer nenhum grau de especialização na teoria, mas exige um sólido conhecimento em administração na prática. Conhecimento este que tive que adquirir na marra. Finalmente, uma de minhas escolhas passadas (quando fui coordenador técnico) serviria para alguma coisa. O conhecimento administrativo que ali tinha adquirido me ajudou a aprender o serviço.
Paralelamente a isso, busquei meu ingresso no curso de ciências biológicas. Todos os meus anos de estudo valeram alguma coisa. Consegui ser aprovado no vestibular da Fuvest e fiz minha matrícula na USP.

03

Parecia um plano perfeito…
O que parecia perfeito, deu lugar a algumas incertezas. Em primeiro lugar, o acúmulo de serviço. Não sei se tive azar, mas muita coisa simplesmente foi deixada de lado em detrimento das obrigações mais urgentes. O planejamento deu lugar ao “fazismo”. As coisas eram feitas em cima da hora e sem nenhum critério. Quando existia algum critério, muitas vezes era a afinidade das pessoas, ou então, o critério do “quem grita mais alto”. Aos poucos, descobri que o cargo de secretário de escola não é uma profissão. Eu não estava exercendo uma profissão, apenas uma função burocrática.

Trabalho_de_um_funcionário_público[1]

Descobri ainda que a administração está entregue, em sua maior parte, a professores que não tem perfil para administradores, ou ainda são bons administradores, mas não entendem nada de relações humanas. Enfim, o fato é que hoje entendo porque a educação está esfacelada: não existe a profissionalização. Quem administra, está na função porque está saturado das salas de aulas, mas adota práticas de liderança arcaicas como imposição por meio de ameaças, ou ainda administram com o carimbo e a caneta, onde a autoridade dá lugar ao autoritário. Onde ordens são cumpridas não porque são as mais corretas ou as mais óbvias, mas porque são determinadas.
Já passei alguns dissabores por conta disso. Já refleti se valia a pena ou não. De novo, eu poderia me colocar em uma nova encruzilhada e fazer uma nova escola. Decidir o que seria melhor para minha vida.
Mas desta vez, apesar de saber que existem outras possibilidade, eu sei que não posso parar e pensar em um caminho. Mesmo porque… esse é o único caminho. E buscar um novo caminho; recomeçar do zero… aos 37 anos… me parece um pouco demais.

Esquecimento

Refletindo um pouco, lembrei-me que neste mês faz 11 anos que eu deixei a faculdade de medicina. Em mais alguns dias, completarei 8 anos de relacionamento com minha futura esposa. Completei 29 meses no exercício da função pública. A faculdade está trancada… das três que fiz, duas ficaram incompletas (medicina e biologia) e nunca fui busca o diploma da terceira (que depois de tantos anos não tem serventia nenhuma para mim). Pretendo voltar a biologia em 2013 e pretendo casar ainda este ano – em 17 de Março – numa cerimônia simples, sem festa ou igreja, apenas algum tipo de almoço com familiares.
E preciso do meu trabalho… não é uma profissão… não era aquilo que planejava fazer, mas foi o que minhas escolhas ao longo destes anos me trouxeram. Não posso ensinar as pessoas como conviver ou como respeitar outras pessoas. Mas posso fazer meu trabalho. E é o que farei. Alguns sapos virão e serão engolidos. Ouvirei algumas coisas que poderiam ser caracterizadas como assédio moral ou mesmo como ofensas. Mas mostrarei que todos estas escolhas ao longo dos anos serviram para ao menos eu tenha consciência de que o que é mais valioso para mim não é o que está na escola, nem as pessoas que ali estão. O mais importante para mim é minha família (meu pai, minha mãe, minha noiva) e a felicidade deles. Dane-se se vão gritar comigo, dane-se se vão me ofender ou me desmoralizar…
E nesta encruzilhada mais recente – meu trabalho ou minha tranquilidade – eu escolho o meu trabalho. É neste caminho que vou conseguir me livrar disto. Não em um futuro próximo… mas um dia… um dia…
Que venham os sapos…
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...