9 de outubro de 2012

Até onde vale a pena o emprego público?

Já falei sobre a questão do emprego público algumas vezes. Na maioria delas fui extremamente criticado. Muitas vezes, as críticas partiram dos próprios funcionários públicos. Apesar de repetitivo, tenho que retomar o tema por mais uma vez.

Antes, um esclarecimento necessário: sou funcionário público. Se há 20 anos atrás me perguntassem se era este o meu objetivo de vida a resposta seria um sonoro não. Afinal, eu estava prestes a ingressar em uma faculdade de medicina e ser dono do próprio nariz (ou seja, ter o próprio consultório) me parecia a escolha óbvia. Mas o tempo passou, não concluí a faculdade de medicina. Dei alguns passos em falso em minha “carreira” profissional também. Fato é que – por força da situação – acabei na condição de servidor público.

Sendo isto um fato consumado, parece justo que eu tente desenvolver o meu trabalho da melhor forma possível. É um silogismo simples: o estado remunera seus servidoes para fazer um trabalho corretamente. Eu trabalho para o estado. Logo, sou remunerado para fazer meu trabalho corretamente.

Agora, o que significa este “trabalhar corretamente”? Para mim, significa cumprir o meu papel, observando as legislação vigente. Significa cumprir meus prazos e fazer aquilo que compete à minha função. É cumprir minhas horas de trabalho. É não levar vantagem por conta da minha função. Em resumo, é fazer o que tenho que fazer. Pois se fosse em uma empresa particular, não cumprir minha obrigação significaria uma pena de demissão.

Bom… eu tento fazer isso. Tento mesmo. Mas o fato é que existe uma verdade inegável e dolorosamente cruel: em sua maioria as pessoas que ocupam funções públicas não enxergam o exercício da sua função com o profissionalismo necessário. A verdade é esta: falta profissionalismo. Criou-se uma cultura do “se é trabalho público, então pode ser feito de qualquer forma”.

E isso me consome…

As justificativas apresentadas são as mais variadas possíveis: “no tempo do fulano não era assim”, “sou funcionário antigo e não sei essas modernidades”, “não conheço a lei”, “não tenho chefe”, “sempre foi assim”. E algumas vêm em tom acusatório: “você é muito radical”, “as pessoas não estão habituadas a trabalhar desta forma”, “você tem que ser condescente com fulano, ele não sabe fazer isso” e por aí vai.

Isso me consome mais ainda…

Alguns diriam “oras… se não está satisfeito, pede pra sair”. Um argumento válido. Mas será que é justo eu ser julgado e criticado por querer simplesmente fazer o que é o correto? Por querer ser profissional? Só quero fazer meu trabalho e quero que as pessoas façam os delas. Em alguns casos, é minha responsabilidade sim monitorar o trabalho de alguns funcionários. Mas em pouco mais de 3 anos de estado, tudo o que vi é um funcionalismo ineficiente. São poucos aqueles que realmente fazem o seu trabalho. E estes que tentam trabalhar, acabam trabalhando por aqueles que não têm nenhum comprometimento.

No geral, Acabo vendo a política do “fazismo” (as coisas só são feitas na última hora), da troca de favores, do coleguismo desmedido, da falta de foco em realizar um trabalho bem feito.

Não estou aqui para mudar o mundo. Não estou acima do bem e do mal. Também estou sujeito a erros e deslizes. Mas pelo menos tenho a consciência de que este é meu trabalho e que ele tem que ser bem feito. Posso não ter alguém me cobrando pelo resultado, mas eu me cobro por um bom resultado.

Afinal, eu quero chegar ao final do dia e ter a consiência de que fiz valer na prática, os valores que conduzem minha vida. E aí, ciente disto, posso colocar a cabeça no travesseiro e dormir em paz.

Recentemente aprendi uma frase que sintetiza isto: “Em alguns lugares, não é o cachorro que mija no poste… no caso, o poste é que mija no cachorro”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...