30 de outubro de 2012

Eleições 2012: vitória sem representatividade

Terminado o processo eleitoral, São Paulo já conhece seu futuro prefeito. É Fernando Haddad do Partido dos Trabalhadores (PT). Não era o meu candidato (acredito que isto era óbvio, não?), mas o fato que ele é o novo prefeito. Então teremos que torcer por uma boa gestão.

Independentemente do resultado final, o que me chamou a atenção nesta eleição não foi a polaridade entre PT e PSDB na cidade de São Paulo. Tampouco o surgimento do PSD como uma força política idealizada pelo Gilberto Kassab (ele perdeu aqui em São Paulo com o José Serra, mas mesmo assim conseguiu vencer em 490 municípios, incluindo aí uma capital).

O que me chamou a atenção foi o número de abstenções + votos nulos + votos em branco: em São Paulo o total foi de 31,59%. Deixando os dados um pouco mais claros:

Total

%

Fernando Haddad (PT)

3.387.720

39,30%

José Serra (PSDB)

2.708.768

31,42%

Votos Nulos

500.578

7,26%

Votos em Branco

299.224

4,34%

Abstenções

1.722.880

19,99%

O número assusta… é claro que alguns destes votos são de abstenções justificáveis pelos mais variados motivo. Mas quase um milhão e oitocentos mil pessoas optaram por simplesmente ser indiferentes à escolha do novo prefeito.

Além disso, temos os votos em branco e nulos que também não deixam de ser uma forma de protesto. Todos estes votos poderiam mudar o destino desta eleição. Isto me faz concordar com a posição do cientista político Leonardo Barreto que concedeu entrevista à Rádio CBN nesta tarde: tem-se a impressão que “a eleição tem um significado menos dramático na vida do cidadão. A eleição de um ou de outro não mudará nada na vida dele”.

Assim, independente de quem está lá, as coisas irão continuar como estão. Não vemos mais a eleição de um candidato como necessária para nossa vida.

Em seu comentário, o professor Barreto ainda comenta que o voto acaba sendo facultativo pois a punibilidade é praticamente nula: basta o cidadão ir ao cartório pagar a multa de pouco menos de quatro reais e ficar quite com a justiça eleitoral.

E quem deveria se preocupar com isso? Em minha opinião, os partidos políticos. Pois ser eleito por 3.400.000 eleitores e quase 2.600.000 resolveram se isentar, dá a impressão que o candidato eleito perde sua legitimidade, afinal, no caso de São Paulo, o Haddad foi escolhido por 39,30% e preterido por 60,70%. Quase 3/5 da população de São Paulo não escolheu Haddad. Da mesma forma teria acontecido o mesmo com o Serra se ele tivesse vencido, pois a margem também seria pequena.

A impressão que fica é que foi eleito um prefeito pela minoria, pois pouco mais de 31% escolheu o outro canditado e quase 30% não quis escolher nenhum deles.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...