31 de dezembro de 2012

Vem aí o ano de 2013…

por Ricardo Marques

2012-2013

E lá se vai mais um ano… Normalmente escrevo de forma geral sobre os acontecimentos do ano, faço uma reflexão sobre erros e acertos e encerro com um planejamento otimista para o ano seguinte. Ultimamente isto não tem funcionado…

E não tem funcionado por um motivo muito simples: o que é escrito aqui acaba caindo no esquecimento durante o ano. O planejamento dá lugar ao emergencial e com isto vou fazendo “aquilo que aparece”ao invés de manter-me em meu planejamento. Se tem algo que aprendi nos últimos anos é que abandonar o planejamento para executar tarefas emergenciais têm sido meu grande erro.

Errar, todos erram. São poucos aqueles que tentam genuinamente consertar seus erros para que exista uma transformação em sua vida. Não existe um milagre pronto. As coisas não acontecem apenas porque desejamos que elas aconteçam. Meu erro está em não tornar o meu desejo real. Em não praticá-lo para transformá-lo.

E nisto estou muito errado…

Assim, para 2013 não farei nenhuma loucura. Não planejo nenhuma grande virada… nada em especial. Vou me concentrar apenas no essencial. Aquilo que tenho que fazer  para conduzir a vida.

E não é tao difícil assim…

No trabalho tenho que organizar a secretaria da escola que trabalho.

Na vida acadêmica tenho que fazer a faculdade de forma organizada e aplicada. Meu desempenho no último semestre em 2010 foi medíocre.

Na vida pessoal tenho que providenciar o herdeiro. Ou a herdeira… Ou sei lá… gêmeos?

Na vida financeira, acertar as contas. Pagar os cartões e o banco. Fazer um pé-de-meia.

Não consigo pensar um planejamento mais simples do que esse.

Um bom ano novo a todos. Estou pronto para você, 2013…

18 de dezembro de 2012

Armadilhas do comércio eletrônico

por Ricardo Marques

Recentemente pudemos acompanhar no Brasil o fenômeno Black Friday sendo assimilado a cultura brasileira. Para quem ainda não conhece, trata-se de uma ação comercial que ocorre na sexta-feira após o dia de ação de graças nos Estados Unidos (que acontece sempre na quarta quinta feira do mês de Novembro). Neste dia, os comerciantes praticam grandes descontos que – em alguns casos – atingem incríveis 90%.

No Brasil, muitas lojas viram na ação promocional uma oportunidade de lucrar. E o que deveria ser um grande saldão de descontos tornou-se uma grande armação por parte de muitas lojas.

Primeiro fato relevante: as lojas não praticaram descontos reais. Quando praticaram, fizeram-no em produtos com grande margem de lucro que permitia um desconto aparentemente grande. Não chegou nem a 3% das ofertas anunciadas no período, segundo análise de órgãos especializados como o PROCON/SP.

Segundo fato relevante: as lojas levaram a cabo a política de dar desconto sobre o dobro do preço. A armação era bem simples. Um produto era anunciado por um preço – digamos – R$ 100,00 e havia um desconto de – ainda por hipótese – de R$ 30,00.

“Puxa vida… que oportunidade!”,  você deve ter imaginado. Só que uma pesquisa rápida em sites de comparação de preços mostrava que o produto vinha sendo vendido nos últimos meses por R$ 75,00. Ou seja, o preço era inflado artificialmente e depois um grande desconto fazia com que o produto aparentemente fosse um bom negócio. O desconto real era bem menor que o apresentado.

Não é uma prática restrita somente ao Black Friday. Hoje eu estava pesquisando preços de HD’s removíveis. No site do Submarino, o mesmo HD que era vendido até domingo passado por R$ 199,00 teve seu preço inflado para R$ 221,00. Aí veio a promoção: um desconto relâmpago de R$ 22,11. Sabe o preço do HD com desconto? Exatos R$ 199,00!

Tem desconto?

image

Portanto, fica a dica: não acredite muito nestes mega-descontos que parecem oportunidades imperdíveis. Muitas vezes, o preço é o mesmo de sempre. O que muda é a embalagem. É a volta daquelas promoções da feira livre: o feirante sabe o quanto ele pagou pelo produto… e sabe exatamente até que preço pode chegar. Mas no começo da feira, ele coloca o preço lá em cima. Quem chega no fim da feira, acha que está fazendo um ótimo negócio, mas está pagando exatamente aquilo que o feirante quer pelo seu produto.

13 de dezembro de 2012

Resiliência

Por Ricardo Marques

Segundo a Wikipedia, a resiliência é um conceito psicológico emprestado da física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas sem entrar em surto psicológico.

Minha definição para resiliência é um pouco diferente: é a capacidade de levar pancadas por todos os lados e assimilar estas pancadas sem perder meu objetivo principal.

É como deformar um mola: a mola tem que voltar ao seu estado original…

mola

Ser gerente escolar é um exercício de paciência. Significa aceitar as críticas, receber reclamações, cumprir metas e prazos muitas vezes a qualquer custo. Além de conviver com prazos e processos, faz parte do trabalho conviver com as pessoas… algumas profissionais e éticas, outras, nem tanto.

Mal humorado? Pessimista? Vamos aos fatos do dia para entendermos o que acontece.

O cenário é o seguinte: a Secretaria de Estado da Educação promoveu um curso em formato de vídeo-conferência (o tal PDG). O curso em si é uma história à parte, contarei sobre ele em outro post.

Em determinado momento do dia, liguei para a escola para passar algumas informações para minha vice-diretora. O telefone chama, chama até que alguém atende:

“Alouuuu?” (Sim… arrastado mesmo)

Veja bem, eu liguei para uma repartição pública, um lugar público que tem por obrigação ser identificado no momento que um cidadão entra em contato. Isto é assim na iniciativa privada também: qualquer empresa séria atende a uma ligação informação o nome da empresa com uma saudação cordial…

É o que eu espero de um funcionário público profissional. Infelizmente, nem sempre é isso que ocorre. Bom… no caso… não foi isso que ocorreu. Pedi para a pessoa se identificar. Em seguida, me identifiquei e pedi para falar com minha vice-diretora. E aí emendei a seguinte orientação:

“Fulana… nós estamos em uma repartição pública. Quando atendemos o telefone na repartição devemos informar o nome da repartição e nos identificar se solicitado”

A fulana disse que só dessa vez tinha atendido assim e então completei: “ok, mas da próxima vez por favor atenda da forma como expliquei".

A fulana então largou o telefone e começou a disparar um monte de impropérios em voz alta. Não… ela não estava falando comigo, estava reclamando para alguém do outro lado da linha. Parece que a orientação foi encarada como um puxão-de-orelha e dentre as várias frases, uma se destacou:

“Quem esse moleque pensa que é para dar ordens aqui?”

O “moleque” em questão provavelmente era eu…

O episódio em si foi extremamente banal. Uma bobagem. Mas ao que parece alguns funcionários públicos que têm anos de estado entendem que tempo de serviço lhes conferem algum tipo de autoridade suprema ou o direito de berrar a falar o que bem entender…

Pois bem, é muito provável que a servidora não leia minha resposta (na hipótese provável que a pergunta era para mim), mas mesmo assim ficará registrada…

Em primeiro lugar, eu não PENSO que sou. De acordo com os registros mais recentes sou Secretário de Escola efetivo designado Gerente de Organização Escolar. Claro que a designação é algo transitório que pode ser cessada a qualquer momento, mas por conta desta designação tenho algumas responsabilidades que aliás estão bem definidas por instrumento legal: Resolução SE 52/2011 publicada em diário oficial em 10/08/2011.

E está lá no seu artigo 7° de forma bem clara:

Artigo 7º - O servidor designado para o exercício da função de Gerente de Organização Escolar exercerá a gestão das atividades previstas nos artigos 3º, 4º, 5º e 6º, responsabilizando-se pelo acompanhamento e controle de sua execução, com vistas ao pleno desenvolvimento dos trabalhos, a fim de garantir o cumprimento das atividades e o atendimento às necessidades da escola.

Aliás, os artigos ali destacados deixam bem claras as funções dos Agentes de Organização Escolar. O texto é grande, mas quem tiver interesse, pode ler o texto, clicando aqui.

Portanto, o “moleque” em questão tem a convicção – amparada por lei - que é funcionário público e que deve realizar seu trabalho com responsabilidade e presteza.

Só estou fazendo o meu trabalho. E tentando fazer com que as pessoas entendam que a secretaria de uma escola não é uma extensão da sala de estar de suas casas. Tentando fazer com que algumas pessoas entendam que o serviço público é impessoal e deve ser realizado sob a égide da lei e dentro do mais estrito profissionalismo.

Amanhã sei que será um dia difícil. Espero não ter que entrar em discussão com a funcionária e espero que meus superiores entendam que quero fazer meu trabalho da melhor forma possível e gostaria que fulanas como a de hoje tenham humildade para reconhecer que precisam aprender a trabalhar como um profissional e não como um puxa-saco. Ser profissional, no meu entendimento, não é apenas ser prestativo e ser um bom quebra-galho no momento de um aperto qualquer.

Novamente estou dando a cara a tapa para fazer o meu trabalho. Provavelmente novamente serei criticado. Só espero que as pessoas antes da crítica, reflitam e percebam que estou exercitando exatamente aquilo que esperam de mim.

Esperam que eu seja capaz de llidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas sem entrar em surto psicológico.

Esperam que eu seja resiliente.

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