18 de dezembro de 2012

Armadilhas do comércio eletrônico

por Ricardo Marques

Recentemente pudemos acompanhar no Brasil o fenômeno Black Friday sendo assimilado a cultura brasileira. Para quem ainda não conhece, trata-se de uma ação comercial que ocorre na sexta-feira após o dia de ação de graças nos Estados Unidos (que acontece sempre na quarta quinta feira do mês de Novembro). Neste dia, os comerciantes praticam grandes descontos que – em alguns casos – atingem incríveis 90%.

No Brasil, muitas lojas viram na ação promocional uma oportunidade de lucrar. E o que deveria ser um grande saldão de descontos tornou-se uma grande armação por parte de muitas lojas.

Primeiro fato relevante: as lojas não praticaram descontos reais. Quando praticaram, fizeram-no em produtos com grande margem de lucro que permitia um desconto aparentemente grande. Não chegou nem a 3% das ofertas anunciadas no período, segundo análise de órgãos especializados como o PROCON/SP.

Segundo fato relevante: as lojas levaram a cabo a política de dar desconto sobre o dobro do preço. A armação era bem simples. Um produto era anunciado por um preço – digamos – R$ 100,00 e havia um desconto de – ainda por hipótese – de R$ 30,00.

“Puxa vida… que oportunidade!”,  você deve ter imaginado. Só que uma pesquisa rápida em sites de comparação de preços mostrava que o produto vinha sendo vendido nos últimos meses por R$ 75,00. Ou seja, o preço era inflado artificialmente e depois um grande desconto fazia com que o produto aparentemente fosse um bom negócio. O desconto real era bem menor que o apresentado.

Não é uma prática restrita somente ao Black Friday. Hoje eu estava pesquisando preços de HD’s removíveis. No site do Submarino, o mesmo HD que era vendido até domingo passado por R$ 199,00 teve seu preço inflado para R$ 221,00. Aí veio a promoção: um desconto relâmpago de R$ 22,11. Sabe o preço do HD com desconto? Exatos R$ 199,00!

Tem desconto?

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Portanto, fica a dica: não acredite muito nestes mega-descontos que parecem oportunidades imperdíveis. Muitas vezes, o preço é o mesmo de sempre. O que muda é a embalagem. É a volta daquelas promoções da feira livre: o feirante sabe o quanto ele pagou pelo produto… e sabe exatamente até que preço pode chegar. Mas no começo da feira, ele coloca o preço lá em cima. Quem chega no fim da feira, acha que está fazendo um ótimo negócio, mas está pagando exatamente aquilo que o feirante quer pelo seu produto.

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