10 de fevereiro de 2013

O criador e suas criaturas

por Ricardo Marques

Você pode amá-lo, odiá-lo, elogiá-lo, criticá-lo… mas não pode ignorá-lo. Apesar de eu não concordar em muitas questões, não posso negar que Lula é um fenômeno político inquestionável.
 
Entretanto, uma coisa me chamou a atenção por estes dias: sua influência nas decisões políticas de seus apadrinhados políticos. Em especial, dona Dilma e seu Fernando…
Recentemente a revista Veja publicou matéria criticando a postura do ex-presidente que participou de reunião com a cúpula da prefeitura de São Paulo, agora comandada por seu ex-ministro Fernando Haddad.
 
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Só os mais inocentes não perceberam que neste jogo político, Lula é quem continua dando as cartas. Ele se tornou a “eminência parda” do governo. Lula é quem manda. E suas criaturas apenas funcionam como os executores de suas ordens.
 
Mas se eles foram legitimamente eleitos, então qual o problema em tudo isso?
 
Em minha opinião é que a ordem das coisas foi invertida. As pessoas ali foram eleitas representantes do povo para governar pelo povo e para o povo. Mas o que se vê é que o “governar” significa ampliar ações demagógicas que ampliem concessões temerárias que aludem a tão sonhada distribuição de renda por meio de suas “bolsas-qualquer-coisa”. Na prática, o governo é uma extensão do partido que governa para aumentar o poder do partido. E consequentemente sua permanência no governo.
 
Não se governa para o povo. Estão governando para ampliar seu poder. Estão criando ações que aparentemente beneficiam a população, mas que na prática apenas funciona como uma espécie de curral eleitoral. Antes eram as camisetas, os chaveiros, as cestas básicas… hoje são os bilhetes mensais de ônibus, a bolsa-família, o minha casa minha vida, o ProUni e as cotas raciais.
Lula descobriu o caminho das pedras: jogamos as migalhas, damos a oportunidade das pessoas ingressarem na universidade sob a alegação de igualdade (mesmo que o ensino esteja sucateado), damos uma bolsa aqui e ali (mesmo que continuemos endividados, morando na periferia) e pronto… nunca antes na história deste país vimos um governo tão justo.
 
Pelo menos, é a ideia deles…
 
E a maioria dos brasileiros comprou a ideia… tanto comprou que elegeram Dilma… elegeram o Haddad e provavelmente elegerão o próximo governador de São Paulo, isto se o candidato não for o próprio Lula. Uma estratégia seria colocar um nome forte como vice, ser eleito governador e no final do segundo mandato da Dilma ele sairia novamente como candidato à presidência. Dificilmente seria derrotado e de quebra garantiria o governo de São Paulo com o vice forte continuando seu legado…
 
É simplesmente a volta da velha prática do curral eleitoral. Com a diferença que agora temos um curral proporcionalmente bem maior…
Por fim, um desabafo: até agora, depois de quase 45 dias, não vi o senhor Fernando Haddad dar o ar da graça como prefeito. Suas promessas estão aí: (1) fim da fila nas creches e mais aulas, (2) hospitais e “Rede Hora Certa” de atendimento médico, (3) fim da taxa de inspeção veicular, (4) mais corredores de ônibus, (5) bilhete único mensal, (6) emprego mais perto e menos trânsito, (7) mais verde na periferia e combate à enchente, (8) vigilância contra o crime, (9) favelas urbanizadas, (10) virada cultural o ano inteiro e (11) mais dinheiro para a cidade com a Copa. (Fonte: Portal G1).
 
O que mais virá por aí?

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