21 de abril de 2013

Kindle

Para um estudante – e muitas vezes para os profissionais também – faz-se necessário ter uma boa quantidade de material de consulta: são livros, apostilas, manuais, anotações, diagramas, check-list, enfim… temos que ser uma biblioteca ambulante.

Eu sou o tipo de pessoa que – para poder estudar ou trabalhar – precisa de material de consulta o tempo todo. A tarefa fica um pouco mais lenta, mas o resultado no geral é mais consistente.

O problema é que para isso, eu precisaria de uma bolsa enorme para carregar meu material. No caso do trabalho na escola são manuais e manuais de rotinas administrativas e legislações pertinentes. No caso da faculdade, são livros, artigos, resumos e exercícios. Enfim, é muita coisa para se carregar todos os dias.

Antigamente este seria um problema insolúvel. Mas a cada dia que passa surgem dispositivos (o que o pessoal descolado chama de gadgets) que nos auxiliam em tarefas rotineiras. Primeiro, eu me rendi ao laptop. Depois, surgiu o smartphone e agora, surge em minhas mãos um e-reader. No meu caso, agora disponho de um Kindle.

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Para quem não conhece, um e-reader funciona como um livro eletrônico. Basicamente ele tem um formato muito similar a um tablet, mas sem as funcionalidades de um. Ele pode (e deve) ser considerado literalmente um livro digital.

Para este post, reservei uma análise detalhada da minha experiência com o Kindle nestas duas últimas semanas.

Sobre o aparelho

A primeira coisa que pude fazer com o Kindle foi reduzir a quantidade de papel transportado. Apostilas e documentos em Word e PDF podem ser portados sem nenhuma dificuldade para o aparelho. A única limitação (na minha opinião) é a ampliação: como ele só tem 6 polegadas, documentos formatados para o tamanho A4 podem apresentar uma redução drástica. Um zoom resolve, apesar de ficar mais desconfotável a leitura.

Além disso, posso instalar livros virtuais nele. Desde livros de leitura geral (como por exemplo “O guia do mochileiro das galáxias”) até livros mais técnicos (como o “Basic of cladistics”). Assim, um pesado livro como “Invertebrados” de Gary Brusca (que pesa mais de 1 kg) pode ser levado sem problemas em sua versão digital no aparelho que pesa menos de 200g. Ele aceita armazenar cerca de 1000 livros digitais (pelo menos é o que consta no manual).

Pude também digitalizar minhas anotações, exportá-las para PDF e colocá-las no Kindle (de novo registre-se a questão do zoom).

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Outra coisa que gostei bastante: a bateria. Já estou com o aparelho há 2 semanas e ainda não cheguei a 50% da bateria. A autonomia fica por conta da tecnologia usada na tela (que é estática e permite economizar muita bateria). Além da autonomia, ele é extremamente fino e leve. Sugere até um pouco de fragilidade (sim, eu já o derrubei… ainda está inteiro).

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Claro que o aparelho tem suas limitações. Ele não é dotado de iluminação própria. A imagem formada é impecável, mas sempre em tons de cinza e não é retroiluminada (existe uma versão com iluminação, mas bem mais cara).

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Ele também não possui teclado, nem é sensível ao toque. Digitar no aparelho é uma experiência demorada, lembrando bastante o sistema de digitação de vídeo-games antigos como o Atari ou o Odissey onde você selecionava letra por letra.

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Outra restrição é para carregar sua bateria. Na caixa não vem nenhuma fonte de alimentação (vendida separadamente) o único jeito de carregá-lo é através de um conector USB em um computador. Isto é compensado pela sua grande autonomia. Como eu disse anteriormente, meu Kindle não vê uma recarga há 2 semanas e está mais da metade da carga.

A tela inicial é também um pouco confusa. Os títulos são exibidos pelo critério de prioridade de leitura (o título lido recentemente é exibido em primeiro lugar). Ainda não mexi em todas as configurações, mas não encontrei nenhuma opção para alterar isto.

A leitura é bastante confortável no formato padrão do Kindle, é possível aumentar e diminuir a fonte, mudar o estilo da letra, espaçamento entre linhas e até mesmo orientação da tela.

E os livros?

Pois é… esta é uma questão complexa. O Kindle é fornecido pela empresa Amazon.com que é uma gigante do comércio eletrônico no mundo. Aqui no Brasil ela opera atualmente com sua livraria digital. Então parece redundante dizer que o Kindle só lê livros comprados na livraria da Amazon.com.

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Ah sim… esqueci de dizer que o Kindle não é único no mercado. Seus concorrentes são o Nook (Barnes & Noble), Kobo (Livraria Cultura) e até mesmo o Positivo Alfa (sim… eles também fazem e-readers). E, como em toda concorrência, existe uma variedade de formatos para livros digitais. Para simplificar, eu apenas citarei os dois mais populares: o ePub e o MOBI (este último é o padrão da Amazon).

A oferta de e-books no Brasil já é grande para títulos – digamos – populares. Você pode encontrar facilmente livros best-sellers como “O Código da Vinci”, “Cinquenta Tons de Cinza”, “Comédias da Vida Privadas”, entre outros. Pode também encontrar livros gratuitos (como as obras de Machado de Assis). Para livros mais específicos a oferta não é tão grande assim. E quando existem, custam bem mais caro na sua edição em português.

Um exemplo é o “Tratado de Medicina Interna” (Cecil). O livro em papel custa R$ 450,00 (no site Submarino.com), a edição Kindle sai por R$ 620,19 em português, R$ 206,50 na versão em inglês e R$ 195,75 na versão em espanhol. Em encontrei muitos livros que usaria na faculdade de medicina. Quase não encontrei nenhum livro que uso na faculdade de biologia. Para mim, este ainda é um ponto fraco do Kindle. Livros de áreas consagradas como medicina, engenharia, administração e direito são fáceis de encontrar. Livros mais específicos (como na área de ciências biológicas), não.

Aliás, isto reforça a linha de pensamento de meu professor de Genética (Vilela): Livros para consulta e estudo devem ser adquiridos em inglês preferencialmente. Não apenas porque o inglês é a língua utilizada para divulgação das pesquisas mais importantes, mas também porque os livros são mais baratos.

Voltando a questão da oferta de livros. Mesmo alguns livros populares não são encontrados no formato eletrônico. Procurei por exemplo pelos livros do Harry Potter. Não encontrei nada nem em e-Pub nem em MOBI. Também não encontrei livros do Mário Cortella no formato MOBI, só no e-Pub.

Tecnicamente, o Kindle não é compatível com o e-Pub. Mas encontrei diversos tutoriais que ensinam a fazer a conversão de um formato para outro através de um programa chamado Calibre. Fiz uma conversão teste a parece ter funcionado muito bem.

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Livros mais populares têm preço praticamente equivalente ao livro real ou ainda à sua versão em e-Pub. Um exemplo: o livro “A culpa é das estrelas” de John Green custa R$ 16,92 na Amazon (MOBI) e na Livraria Cultura (ePub). A versão impressa sai por R$ 19,85 na FNac.

Outras características

Mesmo sem comprar nenhum livro digital, você pode usar seu kindle para ler documentos em PDF’s ou ainda baixar e-books gratuitos. Além disso, o Kindle vem com dicionários instalados em inglês, português, alemão, espanhol e francês.

O dispositivo também é dotado de um adaptador Wi-Fi. Assim, para receber conteúdo no seu Kindle, basta estar conectado a uma rede sem fio. Aliás, a entrega de conteúdo pode ser feita pelo USB, pela loja on-line (é possível comprar livros diretamente pelo Kindle se você estiver conectado a uma rede e cadastrado na loja) ou ainda por envio de e-mail, sempre no formato usuario@kindle.com

O que dá pra fazer muito bem no Kindle

  • Ler livros eletrônicos em geral (da loja Amazon)
  • Ler PDF’s

O que dá pra fazer razoavelmente no Kindle

  • Ler livros no formato e-Pub (não é o padrão do Kindle, precisa fazer uma conversão para ler os livros)
  • Ler documentos do Word formatados para o padrão A4
  • Usar redes sociais (como Facebook, Twitter) para interagir com as suas leituras no Kindle. Você pode publicar no Twitter um trecho que gostou em algum livro, por exemplo.

O que não dá pra fazer no Kindle

  • Ler no escuro (o dispositivo é desprovido de iluminação própria)
  • Navegar na internet (até dá, mas a experiência é horrível por conta das limitações do aparelho)
  • Receber/Enviar e-mails

Lembre-se, o Kindle não é um tablet.

Preço: R$ 289,00 na loja on-line do Ponto Frio.

Compensa?

Para o leitor eventual talvez seja mais interessante optar por um tablet e utilizar apps específicos para leitura. Tanto Amazon como as lojas que usam o ePub disponibilizam aplicativos para leitura compatíveis com o iPad e os diversos sabores do Android. O Windows RT e o Windows Phone também dispõem de aplicativos para esse fim.

Um e-reader vale a pena para quem precisa de um dispositivo leve, prático e específico para carregar livros e livros de consulta. É também indicado para leitores compulsivos (como eu sou, por exemplo…)

No meu caso, compensou… e muito. O kindle reduziu o peso da minha pasta e permitiu ter sempre a mão leitura profissional, educacional e recreativa.

Para saber mais sobre e-readers eu indico este blog aqui. Recomendo em especial a leitura deste artigo. Para conhecer um pouco mais sobre as livrarias virtuais, leia este artigo no Gizmodo.

Por fim, não se esqueça que o Kindle não é a única opção de e-reader. Caso seja seu interesse, além do Kindle, pesquise sobre as opções da Livraria Cultura (Kobo) e opções de importados, como o Nook da Barnes & Noble.

4 comentários:

  1. ola, tenho muuitos livros de medicina em pdf, converti no calibre p formato mobi mas ficou desconfigurado..n dá p ler..existe outra alternativa a n ser comprar? os livros de medicina são muito caros e n tem variedade na Amazon..

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  2. Olá... o Calibre funciona bem na conversão dos formatos e-Pub para Mobi e vice-versa. O kindle lê nativamente arquivos em PDF. Creio que gerar um e-book a partir de um PDF não gere um bom resultado mesmo.

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  3. Ewerton J. Gomes6 de julho de 2015 17:54

    Olá. Estou escrevendo um trabalho de conclusão de curso sobre soluções
    sustentáveis para reduzir o uso do papel e gostaria de saber se há
    viabilidade no uso de e-readers, considerando que os recursos naturais
    demandados para a produção de um e-reader podem superar a os demandados
    na produção do papel, mesmo que reduza drasticamente o uso deste último.
    Ou seja, o impacto do e-reader faz valer a pena a sua produção?

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  4. Não sou nenhuma autoridade no assunto de sustentabilidade. Mas considerando que o kindle é um dispositivo eletrônico, ele utiliza materiais que certamente causam impacto ambiental. O e-reader surge como ferramenta que auxilia os leitores mais vorazes.
    Em meu uso pessoal e profissional, tento gerar o maior número de PDF's (já formatados em um layout adequado para leitura no kindle). Eu reduzi muito a quantidade de impressões. Graças a ele tenho sempre a mão todo material de consulta que necessito (além do material de entretenimento). Tenho mais de 120 livros no kindle e incontáveis PDF's. Pensando na usabilidade, sua produção é muito bem-vinda.
    Buscando informações para responder ao seu comentário, encontrei um artigo que talvez interesse a você: http://tecnoblog.net/37695/kindle-so-e-benefico-ao-meio-ambiente-depois-de-23-livros/
    Boa sorte em seu TCC.

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