24 de dezembro de 2015

A bafista

Ela chegou trazida pela enfermeira do SAMU… vinha pálida, suando muito e as gotas de suor se espatifavam no chão à medida que progredia lentamente pela sala de emergência com seus passos arrastados. A palidez lhe emprestava uma cor - se é que aquilo poderia ser chamado de cor - chamuscada de branco que se espalhava na pele morena. Por um breve instante, todos pararam para vê-la passar, como num desfile. Ela parecia querer capitular diante de seu quadro, pois  mal podia consigo.

A enfermeira segurava o frasco de soro que se prendia por um ducto fino fincado numa veia do cotovelo, e com o outro braço a conduzia pelo ombro, muito mais com o intuito de não deixá-la cair do que de oferecer amparo. Ela segurava o coletor cheio de urina escura, o qual se ligava a uma espécie de mangueira que lhe atingia por entre as pernas, tudo isso coberto por uma bermuda curta de tecido mole.

Chegando próximo à cadeira que lhe serviria, a enfermeira fez menção de ajudá-la a se sentar, mas ela olhou de lado, fez com a mão um sinal de "basta" e o fez de forma firme e branda, que é como nos chegam as epifanias. A enfermeira se afastou e ela roteou 180 graus em seu próprio eixo, segurando agora sozinha o frasco de soro, o coletor de urina, o corpo coalhado em suor e na dignidade que teimava em querer lhe escapar. E com a altivez daqueles poucos que acham acertadamente que a vida lhes é credora e não o contrário, ela agora de costas para a cadeira, olhou para o infinito e foi se assentando lentamente, senhora de todos os movimentos.

Foi-lhe trazido um cabide para colocar o frasco de soro, ela agradeceu com um assentimento. Depois colocou o coletor de urina no chão. No fundo desconfiava que sua via crucis estava começando. Não, isso quem desconfiava era eu, que a observava de longe, mesmerizado. A certeza dela era a de que se tratava apenas de mais uma de muitas estações de sua via, e foi por isso que se ajeitou na cadeira até encontrar o conforto possível ao que depois recostou a parte de trás da cabeça na parede fria e fechou os olhos lentamente.

Perguntei com o olhar para a enfermeira que a trouxera e ela repondeu:

- Dezenove anos, diabetes juvenil, descompensada, dextro acima de 500

- E a família?

- Não tem. Mora numa invasão.

- Mora numa invasão sem a família?

- É. Acontece muito.

E a enfermeira, sem paciência para mais nada me estendeu a prancheta para que eu carimbasse. Tentei falar com ela a respeito da sonda vesical mas ela sumiu mais rápido que uma ambulância.

O técnico de enfermagem me contou o que eu já sabia:

- Dextro 'hi' doutor.

- E aquela sonda?

- Que sonda?

- Deixa pra lá.

Por um momento achei que só eu estava vendo a sonda que ligava a bexiga da paciente a uma bolsa plástica transparente que neste momento jazia no chão. Dirigi-me até ela, que abriu os olhos como se adivinhasse minha aproximação.

- Oi!

- Oi!

- A gente vai fazer insulina tá bom? Quanto você toma por dia?

- Era duas de 30, mas não tomo desde que cheguei aqui em São Paulo.

- Você chegou quando?

- Tem uns dez dias.

- Tá. E não trouxe a insulina?

- Não

E pareceu esboçar um sorriso pra mim…

- Pra invasão a gente só traz a roupa do corpo e mais algumas coisas. E eu vim meio que fugida.

- Entendi…

E me levantei, verifiquei seu pulso, pressão, coração e pulmões. Ela não estava com dor de barriga, disse apenas que parecia que ia "cair para dentro, o senhor sabe como?" Eu disse que sabia. É sempre melhor dizer que sabe como. Quer dizer, tem hora que não é...

Escrevi as medidas de insulina e hidratação, entreguei ao enfermeiro responsável, e falei baixinho de maneia que só eu e ele entendemos:

- Corre!

Fui atender a outros casos. Um tempo depois chega o enfermeiro:

- Doutor, o dextro da menina da invasão abaixou pouco.

- Como ela chama?"

“Como assim menina da invasão?", pensei.

- Não sei, o senhor que falou com ela.

É verdade, os médicos falamos coisas de vida ou morte para as pessoas sem nem sequer saber do nome delas, nem elas do nosso. Coisa de profissão antiga. Ele me trouxe a ficha: Iasmin.

- Nome chique, né?

- Você quer dizer que é chique para uma sem-teto, é isso?

- Imagina Doutor, não é isso não!

- É sim, eu também achei, até ela deve achar. Olha só, repete o esquema da insulina e soro.

- Não é muito pesado não? Ela pode fazer hipoglicemia.

- Se ela fizer a gente corrige. Vamo, vamo! - Exclamei apressando.

E ele saiu desaprovando com a cabeça.

Alguns pacientes depois, ele chegou no consultório triunfante:

- Doutor, ela tá fazendo hipoglicemia. Faço uma glicosinha?

- Não. Dá dieta. Depressa. Aquele sanduichezinho horrível e o suquinho quente e doce, bem horrível também. Mas vai dar conta. Eu já vou falar com ela.

Saí do consultório quando deu. Iasmin terminava o sanduíche com o suco. Tinham lhe dado uma banana. Sentei-me do seu lado:

- Mandaram até fruta pra você? Que chique!

Ela sorriu…

- Você está melhor?

- Tô sim.

- Tá caindo pra dentro?

- Não tanto, só um pouquinho.

- Que bom…

Depois de um breve silêncio, cortado pelo barulho das bolhas do fim do suco, continuei:

- Você veio de onde?

- Norte de Minas

- Como chama a cidade?

- Pai Pedro.

- Sei, perto de Montes Claros, né?

- Longe pra caralho.

Dei uma gargalhada e ela riu também. Emendei:

- Eu sou de Minas também.

- Mas não é do Norte.

- Não, sou do Triângulo.

- Diz que é região rica, né? O senhor teve sorte de nascer lá.

- Não sei se foi sorte... pra você ver, nós estamos aqui hoje juntos, olha só!

- Ah tá. O senhor é um sem-teto doente num hospital do SUS?

Eu devo ter feito uma cara que certamente inspirou pena em Iasmin. Ela riu, bateu na minha perna e aproveitou a deixa:

- O senhor quer banana?

- Não, obrigado, pode comer, é sua.

- Mas eu quero te dar, toma!

- Quer que eu coma? Por quê?

- Porque o senhor está com bafo de fome…

- E tem bafo de fome? - Falei soprando com as mãos em concha.

- Tem. E tem bafo de raiva, de cansaço, de gripe. Bafo de quem anda de moto.

Entendi…

Mordi a banana e falei de boca cheia:

- Então você entende de bafo, né?

Ela sorriu bonito. Continuei:

- Cocê é uma bafista, é isso?

- Pode ser.

- Então vem cá. Tem bafo de saudade?

E aí, depois de tanto tempo de pronto socorro público, eu finalmente consegui ver a miséria em um de seus estados brutos:

- Deve ter doutor, Mas eu nunca tive saudade de nada não…

Ficamos bem sérios. Na verdade eu fiquei. Ela parecia querer conversar mais. Perguntei finalmente apontando a cintura dela:

- Escuta, por que você usa essa sonda?

- Então, doutor, eu não sei.

- Não?

- Não. Cheguei de Minas toda ruim, bem ruim, me levaram não sei pra qual hospital, não foi pra esse aqui não. Me deram alta com isso aqui. Era pra tirar no posto e fazer exame. Mas no posto não podem me cadastrar porque eu moro em invasão.

- Entendi…

Fitei o chão por alguns instantes.

- Iasmin... - olhei pra ela - a gente vai ter que descobrir isso. Aí você vai ter que ficar aqui internada, tá bom?

- Tá bom.

- A gente vai fazer um monte de exame de sangue, raio x e exame de urina. Nós vamos tirar essa sonda também, tá certo?

- O senhor que sabe!

- Ótimo. Você tem alergia a alguma coisa?

- Não que eu saiba.

- Tá. Vou fazer os papéis e o pessoal vai trazer para você assinar. É provável que um leito para você só apareça amanhã de manhã, então essa noite você passa por aqui. Não tem outro jeito, me desculpe.

- O que é um leito?

- É uma cama, Iasmin. Agora a noite a gente não tem cama para você ficar.

- Ah... nem rede?

- Não - eu ri - nem rede… Infelizmente.

- Tá bom.

- Qualquer coisa você me chama. Você quer fazer alguma pergunta?

- Quero, Como é que é seu nome?

Disse meu nome e estendi a mão num comprimento, terminando a conversa como ela deveria ter se iniciado.

Procurei o enfermeiro e avisei:

- A gente vai internar a Iasmin, tá bom?

- A sem-teto?

- A gente já sabe o nome dela, cacête. Outra coisa, vai ter que tirar a sonda vesical tá? Ela não sabe a razão da sonda ter sido passada.

- E se for uma razão importante?

- A gente só vai saber tirando a sonda.

Olhei Iasmin quando entreguei no balcão os papéis da internação. Ela olhava para cima, alheia a tudo. Em que será que pensava? Ela não sabia o que era saudade, não sabia a razão de uma mangueira lhe adentrar feminilidade adentro, não sabia como arranjar insulina para se tratar, e devia saber que sua doença era grave.

No fim, ri de mim mesmo, e me recriminei da conclusão que tive: ela deveria apenas estar contemplando, maravilhada... o teto.

17 de dezembro de 2015

Curso para Mortadellers: Aula I: Perda de grau de investimento

Amigos, eu acredito na humanidade. Eu creio que seremos um mundo bão.

Por isso, e principalmente pelo fato de estar de atestado médico, acamado, sem poder sequer pegar no colo meu mais novo de um ano, começarei uma empreitada hercúlea: a de pelo menos sujar os cérebros dos menininhos e menininhas que foram tão lavadinhos na escola. Chama-los-emos de Mortadellers por razões relativas ao pagamento que recebem para apoiar um governo que rouba e afunda um país. Essa série não será para a dona do Magazine Luiza, nem para o Eike Batista. Eles apoiaram o governo e receberam bem mais que mortadela.

Tentaremos ser didáticos e breves dentro do possível. Caro Mortadeller, os textos aqui são incrivelmente mais fáceis que os de Marx, Foucault, Gramsci e Zizek (sim, eu sei que tem uns sinais gráficos por cima dos Z´s do sobrenome do cara. Mas ao contrário de você, eu sei mais sobre ele). Ok, você nunca leu nada destes caras aí. Tá bom. E se eu prometer que será mais fácil que os do Tico Santa Cruz ou do Durvivier? E mais curto que os do Sakamoto? E com menos referências que os do Stafale? Eu, ao contrário de você, Mortadeller, leio essa turma toda. Não me faz mal não. Eu leio até o Diário do Centro do Mundo. Palmeirenses suportamos fortes emoções.

Aceita o desafio? Vambora? Você já leu dois parágrafos de um reacionário. Morreu? Se o Mauro Iasi não souber, você vai continuar vivo, fera.

Então vamos lá: a aulinha de hoje é sobre "perda de grau de investimento"

Olha só, enquanto você e seus 04 amiguinhos estavam debaixo do Masp xingando gente como eu que estava trabalhando, as agências internacionais rebaixavam a nota do país para que invistam aqui. Já somos considerados como de "padrão especulativo".

Deixa que eu te diga uma coisa. Isto é beeeem chato. Mais chato que você não ter conseguido ingresso para o show do David Gilmour. Sabe por quê, criança? Porque assim fica mais difícil o governo pagar a dívida pública (faremos uma aulinha só de dívida pública, fique em paz).

E é chato por uma razão muito simples. O governo do Brasil tem pouco dinheiro no seu nome. Não se desespere, porque o governo da Itália e o da Inglaterra tem menos ainda. Por isso, para pagar a dívida imensa, ele tem que tirar de você, na forma de impostos. Esse é um jeito, mas é um jeito antipático. Existe um outro jeito que é a emissão do que se chama "Títulos da Dívida". São papéis vendidos a determinados sujeitos bem ricos, que também garantem a entrada de dinheiro no caixa do governo.

Vamos dar um exemplo: eu sou um país endividado até as cracas e emito um Título da Dívida que vale dez reais. Daqui a um tempo, conforme a minha atuação no governo, esse papel vai valer vinte reais e quem comprou por dez revende por vinte e todos ficam felizes. Para que este papel valha vintão, ou pelo menos mais que os dez iniciais, é preciso que uma coisinha aconteça: sendo ele um título da dívida, é importante que eu, como governo, consiga pagar, ou pelo menos mostrar que posso pagar minha dívida pública num espaço de tempo decente. Até aí beleza?

Bom, antes de continuarmos, deixa que eu te diga quem são estes "sujeitos" que compram esses papéis. Inicialmente, saiba que Títulos da Dívida não são comprados como mortadela. Não vende na padoca. Muito menos os "sujeitos" são pessoas ricas a dar com o pau que ficam se divertindo comprando e vendendo títulos, enquanto você se diverte ocupando reitorias. A maioria dos clientes são os FUNDOS DE PENSÃO. Tem um monte por aí.

Grosso modo, um Fundo de Pensão é uma entidade criada para fazer render o dinheiro que categorias de funcionários de determinado setor recolhe para suas aposentadorias. Pra você se situar, você deve ter ouvido falar na Previ. É um fundo de pensão que administra o dinheiro da aposentadoria dos funcionários do Banco do Brasil. E não pense que só compram e vendem títulos da dívida. A Previ foi uma das maiores investidoras e é, pode-se dizer, dona de grande parte da Vale - aquela que te disseram que foi privatizada.

Em resumo, um Fundo de Pensão cuida do dinheiro de muita gente, que vai precisar muito dele daqui a um tempo, e exatamente por isso tem que ter muita responsabilidade ao investi-lo. Estamos falando aqui de investimentos de uma quantidade absurda de dinheiro, cuja perda traria catástrofes inimagináveis.
Voltemos aos papéis da dívida. Eles vão dar mais retorno lá na frente, tão maior for a capacidade de o país conseguir pagar sua dívida num prazo razoável, certo?

Os Fundos de Pensão têm mais o que fazer do que ficar fuçando nas economias dos países para ver se eles podem ou não pagar as suas dívidas públicas. Para isso existem agências internacionais que, elas sim, analisam se as contas dos países estão pagáveis ou não. Quanto mais pagável, maior a nota do país, e ali o investidor sabe que a chance de ganhar é grande. Imagina a pressão do pessoal que opera o Fundo de Pensão dos Correios, o Postalis. Eles sabem (ou pelo menos deveriam saber) que não podem brincar com a aposentadoria dos nossos amigos carteiros. Então irão comprar títulos de países bem avaliados.

E como é divulgada essa avaliação? De um jeito parecido com o que sua mãe fazia, grudando estrelinhas na geladeira conforme seu comportamento. Mais estrelinha = mais mesada. Menos estrelinha = dormir depois do Jornal Nacional.

Pois é. Hoje o Brasil perdeu estrelinhas, isso porque já tinha poucas.

As agências internacionais fazem isso não por serem bobas, chatas e feias, muito menos porque o Eduardo Cunha mandou. Fazem isso porque o Brasil vai mostrando que cada vez mais pode pagar suas dívidas cada vez menos. Então, não vai entrar dinheiro no bolso do governo por essa via.

Só tem outro jeito do governo encher o bolso dele, que é esvasiando o nosso. Isso é feito aumentando impostos. É, a gente sabe que é chato. É chato também saber o quanto foi desviado para Suíça ou pra outro escambau qualquer. É chato também saber que tiraram da Petrobrás até praticamente falir aquilo tudo.

Para terminar, existe uma lei onde se lê que todo ano o orçamento do governo precisa fechar no azul, ou seja, o governo precisa arrecadar mais do que gasta. A lei é toda explicadinha, praticamente uma receita de bolo. Dá dicas tipo até quanto se deve gastar em folha de pagamento. É bem interessante e se chama "Lei de Responsabilidade Fiscal". Na Constituição, existe uma lei que manda abrir processo de impeachment para o governante que não cumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal. A Constituição sabe da importância do cumprimento desta lei, porque assim as estrelinhas na geladeira ao lado do nome do Brasil se multiplicam, e o din-din vem mais de fora, e os impostos não precisam ser tão altos e a inflação fica sob controle, os juros baixos e todos ficam felizes - em tempo, teremos também aulinhas de "Inflação"e "Política de Juros".

Dilma Rousseff, sabendo que a boca ia esquentar feio, deu uma maquiada no orçamento apresentado ao Tribunal de Contas da União - as "Pedaladas Fiscais" (vai ter aulinha disso tambéééém!!!). Ela assim comete dois crimes: o primeiro de malversação do dinheiro público. O segundo de decoro, pois é feio tentar enganar o TCU. Notadamente por conta do primeiro crime, o processo de impeachment pode ser aberto se houver base legal, e há.

Notadamente por tudo isso, as agências internacionais colocaram nossa nota praticamente como valor especulativo - ou seja, comprar o título da dívida brasileira é como jogar na loteria. Quando o dinheiro não entra dessa forma de jeito nenhum, o governo vai fazê-lo entrar com juros altos, que geram dólar e inflação também altos. Aí a atividade econômica cai - as pessoas não compram e as empresas produzem menos e aumenta o desemprego. Isso se chama recessão.

Este é o segundo ano seguido de recessão. A última vez que tivemos tal situação foi em 1930-31, por conta da crise de 29 (pra essa não vai ter aulinha. Ou dê um google ou assista "A Rosa Púrpura do Cairo", do Woody Allen). Agora, por mais que a petezada tente culpar alguém que não eles mesmos, a culpa é deles.

A parte boa é que continuamos uma democracia. Você pode escolher seguir nosso cursinho ou pegar uma sombrinha esperta, movida a sanduíche de mortadela com tubaína no vão livre do Masp para defender que Dilma continue a fazer o que está fazendo com você.

25 de outubro de 2015

Pequenas histórias em uma noite de insônia

Quero contar 4 histórias… e eu participei em todas elas. Gostaria de antecipar que algumas delas podem parecer duvidosas ou pouco factíveis (até mesmo inverossímeis). Mas acreditem… todas elas aconteceram.

Primeira história… façamos aquilo que precisa ser feito.

A primeira história aconteceu salvo engano no ano de 1998. Eu ainda morava em Campinas e ainda tinha planos para ser médico. Ainda acreditava que tudo era uma questão de tempo, já que eu fazia faculdade de medicina.

Era noite… e naquela época eu ainda não sabia separar os problemas do coração dos problemas da razão. Era um período que minha saúde se deteriorou na mesma medida que minha saúde emocional estava igualmente afetada. Em resumo… eu sofria da “síndrome do pé-na-bunda”. O fato é que passei a ter picos de hipertensão, crises emocionais, dispnéias. E não procurei muita ajuda na época.

E naquela noite em questão eu mais uma vez voltava do PS do HC-UNICAMP. Comigo estava meu amigo de longa data Michel (sim… o mesmo Michel que escreve no blog. Nem sei se ele se recorda disto…). Voltávamos para o centro de Campinas e eu lhe falava dos meus problemas com a ex-namorada e também com a faculdade.

Em sua sabedoria, Michel me ouviu pacientemente por boa parte do percurso. Quando cansei de me falar, ele então comentou o seguinte:

“Moe*, você de certa forma é um cara privilegiado… sim… privilegiado. Você é um cara que sabe que errou, sabe onde errou e tem a oportunidade de começar tudo novamente. Diferente de muita gente, você pode recomeçar. Simplesmente recomeçar do ponto de partida e fazer novamente o que precisa ser feito. Então, porque ao invés de gastar todas suas energias em lutar contra o que já está feito, porque você não começa a fazer aquilo que realmente precisa fazer?”

(*) Meu apelido na faculdade… Moe.

Engraçado é que passamos boa parte daquela noite conversando. Mas até hoje só consigo me lembrar desta parte da conversa.

E ele tinha razão…

A segunda história… Deus está em todos os lugares

A segunda história aconteceu em 2000. Eu me preparava para a última prova que faria na faculdade (até eu então eu não sabia que seria a última, mas enfim…). Eu estava a caminho da casa de uma amiga em São Paulo para estudar. Fui de metrô, pois era o melhor meio para chegar até lá.

Eu estava na linha verde do metrô e em determinado ponto do caminho fui abordado por um gentil senhor que me perguntou o caminho para um determinado ponto da cidade.

Eu informei aquilo que sabia e o senhor agradeceu. Em seguida, me perguntou:

“O senhor é médico?”

Quero deixar claro que eu carregava em minha mochila alguns livros de medicina. Mas DENTRO da mochila. Não tinha nada que me denunciasse na condição de estudante ou médico ou qualquer coisa parecida.

Ele pareceu desapontado diante da minha negativa…

“O senhor não é médico? Pois deveria ser… acho que o senhor seria um bom médico. É só se dedicar um pouco mais…”

Eu confesso que estava sentindo um misto de confusão, estranheza, medo talvez… e naquele momento parecia que tudo tinha sumido ao nosso redor. Era como se somente eu e ele estivéssemos sozinhos no vagão do metrô.

Ele deve ter percebido minha confusão, pois logo em seguida emendou…

“Engraçado não é? Deus encontra alguns modos curiosos de conversar com a gente, não é mesmo?”

De repente, tudo voltou como antes… chegávamos a estação Sumaré do metrô e aquele gentil senhor me estendeu a mão e com um sorriso se despediu de mim:

“Ricardo… foi um grande prazer conversar com você. Desejo tudo de bom em sua vida.”

As portas se abriram e aquele gentil senhor que de algum modo sabia meu nome e qual era meu maior sonho desapareceu no movimento da estação. Saí da estação, sentei em um banco e chorei…

A terceira história… um fio de esperança.

A terceira história aconteceu em 2007. Naquela época muita coisa já tinha saído errado. A faculdade de medicina tinha ficado para trás e eu já trabalhava como professor de informática. Lembro que a convite do dono da escola em que eu trabalhava, participei de uma reunião espíríta em um lugar chamada “Comunidade do ancião” (bom… não era esse nome, mas eu lembro que era uma casa espírita kardecista e que a entidade que ali era recebida por um sargento aposentado da polícia militar que era carinhosamente chamado de “velho”)

A celebração consistia em uma palestra proferida pela entidade que após seu discurso, atendia ao público que lhe fazia perguntas. A palestra em si demorou pouco mais de 30 minutos. Após isso, muitos permaneceram em pé. Eu inclusive.

Cada um fazia uma pergunta sempre questionando algum problema ou buscando alguma orientação espiritual. Lembro que uma senhora perguntou como poderia alcamar um filho extremamente violento e um senhor que perguntou como poderia se comportar diante da grave enfermidade de sua mãe…

Foram várias perguntas… e eu ali em pé aguardando minha vez.

Alguns perguntavam coisas mais práticas, sobre como prosperar nos negócios ou se deveriam ou não investir dinheiro em alguma coisa.

O “Velho” respondia a todos. Nem sempre as respostas eram aquelas esperadas. As vezes ele dava um puxão de orelha, as vezes ele dava uma resposta evasiva e por duas vezes sua resposta foi “não posso responder a isso”.

Finalmente chegou minha vez. O “Velho” olhou para mim e disse:

“Ah… é o nosso irmão que tem dúvidas sobre o que deseja ser na vida… Vamos lá… faça sua pergunta rapaz…”

Acho engraçado que nestas histórias eu sempre passo carão…

Enfim, formulei minha pergunta: “Bom, eu há muito anos perdi algo muito importante para mim. Eu basicamente tive a oportunidade de fazer uma faculdade de medicina e depois de alguns anos eu a abandonei por circunstâncias que fugiram ao meu controle. A questão é que até hoje isso me persegue. Minha pergunta é simples: devo aceitar que perdi minha chance ou ainda posso pensar em lutar por isso?”

O velho fechou os olhos e colocou-se numa posição introspectiva (ele fez isso com os outros também). Em seguida voltou a olhar para mim e falou:

“Você deveria saber que é você quem deve estabelecer seu caminho. Você pode vir a ser um bom médico. E não só um médico que cura o corpo, mas também um médico que cuida da alma das pessoas. A questão é que para isso, você deve deixar o que lhe aflige de lado e trabalhar para que isso se concretize. Lembre-se que para ser médico, não basta apenas estar em uma faculdade, não basta apenas querer. Você precisa trabalhar para isto acontecer. Tenho certeza de que você será um bom médico.”

E ele passou a palavra para o próximo… eu me sentei. Com mais dúvidas do que respostas…

A quarta história… verdades são duras

Aconteceu no ano de 2008. Nesta época eu trabalhava em uma empresa de programação de sistemas e era um analista de suporte técnico. Trabalhava muito, ganhava pouco e ali eu definitivamente me sentia um estranho no ninho.

Na época, meu pai tinha um conhecido endinheirado que resolveu me pagar um curso de liderança motivacional. Não deixa de ser um curso de auto-ajuda. A ideia é simples: você vai para um retiro de um final de semana em um hotel e ali você fará um curso de liderança motivacional.

Para quem não conhece, o curso é cheio de segredos e mistérios, mas na verdade, eles trabalham com emoções. Então o que fazem é levar você ao medo, para depois atingir a raiva, depois enfrentar a tristeza, para finalmente encontrar a alegria.

Auto-ajuda…

Bom… lá fui eu para o tal treinamento. Preciso dizer que o negócio é impactante. Eles pegam pesado no psicológico. Mas o fato é que naquele momento, a psicologia de impacto funciona.

Um dos facilitadores era médico e ele veio a ser o meu mentor durante a imersão.

E em uma das etapas do curso… a raiva. Ele me provocou com algumas questões pertubadoras:

“Como você espera conseguir cuidar de pessoas se você não cuida de você mesmo?”

“Você acha que cuidar da vida de alguém é algo simples? Você primeiro precisa aprender a ser responsável!”

“Ser médico para você é apenas entrar em uma faculdade? Você precisa merecer estar em uma faculdade!”

Bom… juntando a tudo aquilo que eu já havia passado no curso, foi o que bastou. Ele despertou a raiva… e eu aos berros e coberto de lágrimas arrebentei duas cadeiras de madeira tentando acertá-lo.

Em tempo… não fui o único que arrebentou cadeiras por ali. Acho que elas estavam ali pra isso. E nem eu nem ninguém acertou nenhuma cadeira em nenhum facilitador naquele dia.

Depois disso, me deitaram no chão e colocaram uma coberta e devo ter adormecido por algum tempo. Minutos, horas… não sei. Quando acordei, ele estava ao meu lado, sorrindo.

“Você acha que está pronto para deixar para trás tudo aquilo que deixa você tão confuso? Comece a pensar que você se tiver responsabilidade e souber cuidar de você, você terá méritos para ser um bom médico… e não só um médico do corpo… mas um médico da alma”

Após muito tempo que fiz o curso eu descobri duas coisas a respeito daquele facilitador: a primeira é que ele era espírita e a segunda é que foi ele quem pediu para ser meu mentor durante o treinamento.

O resumo…

Quem estiver lendo isto não é obrigado a acreditar em todas estas histórias. Por muito tempo eu também não quis acreditar…

Não sei nem mesmo se elas estão relacionadas. Mas hoje, não sei por qual motivo, todas insistiam em vir a minha memória. Então resolvi contá-las…

Mas é um fato que não precisa ser nenhum gênio para concluir que ninguém chega a lugar nenhum se não tem ideia para onde está indo.

Acho que hoje acordei assim… me sentindo desorientado. Da mesma forma que me sentia quando vivi estas histórias.

E hoje… nada aconteceu…

5 de outubro de 2015

365 dias…

Foi em uma manhã de domingo… Acordei com uma frase de efeito:

“Acho que fiz xixi na cama…”

Não era xixi, mas sim o primeiro sinal de rompimento da bolsa. Não havia dor, nem cólicas ou contrações. Ainda não era a hora. Mas eu já sabia que a partir daquele dia muita coisa mudaria.

Em um primeiro momento, tranquilizei minha esposa. “Esta tudo bem… descanse mais um pouco”. E ela precisaria mesmo descansar porque mais tarde, se realmente a bolsa rompesse, teria muitos motivos para estar descansada.

Voltamos a dormir e somente tomamos café da manhã por volta de 10h30. Naquele 5 de Outubro de 2014 ocorria no Brasil eleições gerais e – sentados à mesa do café – planejavámos como faríamos durante o dia.

Combinamos como faríamos para votar e em seguida iríamos ao hospital. Como não havia nenhum outro sinal clínico, seria mais para um desencargo de consciência. Eis que então, ao levantar-se da cadeira, novo fluxo. Desta vez bem mais volumoso.

Agora não restava dúvidas… a bolsa rompera. Mariana estava a caminho.

Os planos então mudaram. A escolha do próximo presidente da república, governador, deputados e senador ficaria à cargo dos outros eleitores. Nós tínhamos a partir daquele momento outras escolhas mais urgentes.

Fizemos todos os preparativos. Bolsa, documentos, carro, avisar alguns familiares… Enfim… Coisas que você só descobre como fazer no momento em que precisa realmente fazer.

No caminho para o hospital, uma parada estratégica na casa da minha mãe. Acalmá-la foi uma das coisas que tive que fazer. Depois fomos diretamente para o hospital. Após os primeiros exames, a constatação de que minha esposa entrou em trabalho de parto e que a partir daquele momento seria uma questão de tempo.

Fizemos contato com a obstetra. Em suas contas provavelmente o parto seria somente no final da noite. Havia tempo.

Fui tratar da internação e da parte burocrática… a parte chata da história. Já era por volta de 14h30. Quando voltei ao Centro Obstétrico encontrei Ana Paula já com algumas dores. Finalmente ela descobriu na prática o que é uma contração.

Engraçado que eu me lembro de cada momento daquele dia. Foram contrações, banhos mornos… Ana Paula naturalmente feliz, mas também com dores. Muitas dores.

O tempo foi passando e a dilatação aumentando. Quando próximo de 18h00 a dilatação já estava total e os médicos de plantão decidiram por realizar o parto. A obstetra calculou mal o tempo – ou então Mariana resolveu chegar logo – e lá fomos para a sala de parto.

Nos tempos da faculdade de medicina eu tive oportunidade de assistir alguns partos. Partos normais, cesarianas e tudo parecia tão linear, tão processual… é bem diferente quando é com a esposa e com o filho (no caso, filha) da gente.

E então, o primeiro sinal da minha baixinha. Um cabelinho rebelde apareceu e depois a cabeça, um braço, o outro, o corpo, as pernas e por fim, o cordão… Alguns instantes para avaliação e pude então ouvir minha filha chorar.

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O relógio da sala marcava 18h02…

E isso foi há 365 dias atrás… 1 ano. Hoje, minha filha Mariana completa seu primeiro ano de vida. Como todo pai de primeira viagem, tive que aprender algumas coisas na marra. Fraldas, banhos, papinhas, mamadeiras… InstagramCapture_fed42d72-7f3d-4567-8997-04417f89f36e

Neste um ano pude ver minha filha em vários momentos… E aprendi muito com ela.

Devo ter trocado a fralda dela uma centena de vezes (Ana Paula com certeza trocou muito mais…). Pude dar banho nela. Eu a coloquei para dormir. Pude ver seu sorriso ao acordar, pude dar conforto e segurança quando ela chorou.

Pude acompanhar a primeira papinha. Fiquei preocupado com a primeira febre. Fui ao desespero com o primeiro dodói. Pedi a Deus que causasse em mim – e não nela – a dor da primeira injeção. Escovei seus cabelos. Segurei suas mãos.

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Ouvi sua primeira “palavra”… Não era bem uma palavra. Afinal, nunca vi “Agú” em nenhum dicionário. Hoje ela já sabe o que significa beijoca. E quando digo: “Filha, manda uma beijoca pro pai?” recebo um beijão estalado…

InstagramCapture_2905fedd-9534-453d-afdc-ca6721677a7eEu a vi sentar, engatinhar, levantar com algum apoio. Eu a vi no andador… Dancei com ela. Aprendi a amar uma música que nunca significou nada para mim (e que hoje pra mim é a música mais linda do mundo).

Vi seus primeiros dentinhos também… e antes dos dentinhos eu amei seu sorrisão sem dentinhos, naquela que pra mim é a foto mais linda do mundo.

Aprendi as músicas da galinha pintadinha. Todas elas… Aprendi que ela não gosta de Simpsons e descobri que ela adora ver abertura de novelas. E foi com uma abertura de novela que uma música se tornou especial…

Que mundo maravilhoso…

Ela também me ensinou o que é amar incondicionalmente…

Este primeiro ano foi sobretudo um ano de aprendizado… um ano de descobertas… de muitas perguntas… o primeiro ano da vida de minha filha.

E valeu muito a pena…

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Feliz aniversário, Mariana.

21 de setembro de 2015

Planos

Quando eu tinha 10 anos de idade não costumava fazer grandes planos. Não sei como as outras crianças faziam nesta época, mas eu não pensava muito em como me preparar para jogar bola, fazer lição, jogar vídeo-game e outras mumunhas da época.

Planejamento é algo que surge naturalmente na vida. A questão é perceber isto.

Acho que meu primeiro planejamento verdadeiro foi minha preparação para o vestibular. Eu queria realmente estudar medicina. Eu sabia que precisava ter um plano bem amarrado. Eu sabia que se eu não seguisse o plano, não entraria na faculdade.

Planos em geral são suscetíveis a falhas. Ainda não vi nenhum plano perfeito. Mesmo meu plano para estudar medicina precisou de ajustes para funcionar. E mesmo quando eu achei que ele funcionou (isto é, eu entrei na faculdade de medicina) ele não funcionou (isto é… não terminei a faculdade)

Ah… ok… muita gente já conhece a história e continuo sendo repetitivo…

Depois da medicina, parei um tempo de fazer planos. A lógica era um tanto óbvia: eu não queria planejar porque meus planos não funcionavam a contento.

Voltei a fazer planos quando conheci a Ana Paula. Namoro, noivado, casamento, casa, filhos… É verdade: Mariana foi um bom plano (sim… um plano… a Ana Paula só engravidou quando julgamos que era o momento certo). Um dos poucos planos que realmente funcionou em minha vida.

Mas no geral, meus planos não são muito bons.

Eu estou escrevendo sobre planos porque – não é segredo nenhum – eu tenho um plano maluco. Eu sou um cara com 41 anos de idade (aliás, neste ano não escrevi sobre isso… um falha minha) e estou cuidando da minha vida profissional ainda pensando na medicina.

Eu sou um secretário de escola… e estou gerente de organização escolar em uma escola pública. Um cargo público de certa forma dá alguma estabilidade. Estou novamente fazendo faculdade (Licenciatura em Ciências Naturais). Desta vez, as coisas estão indo bem. A previsão é que eu conclua em 2018.

O plano é esse:

  1. Garantir uma licenciatura (química ou biologia)
  2. Fazer um novo concurso público… desta vez para Professor de Educação Básica.
  3. Conseguir uma escola com aulas no período noturno
  4. Prestar novamente vestibular para medicina em uma universidade pública (minhas opções são USP e UNIFESP… não tenho outras)
  5. Voltar a cursar medicina durante o dia e trabalhar como professor durante a noite.
  6. Nos dois últimos anos do curso tirar as licenças prêmio possíveis (pelas minhas contas, poderei ter 3 blocos de 90 dias) e se necessário tirar uma licença sem vencimentos.
  7. Concluir medicina
  8. Fazer uma residência em clínica médica

E é um plano beeeeeemmm maluco. Mas eu disse que meus planos não são lá muito bons. Na verdade, este para funcionar tem que atender a vários “senões”. E muitas coisas não dependem só de mim. Tem várias coisas que podem dar errado em cada etapa:

  1. Posso não concluir a licenciatura… afinal de contas, além da medicina (que eu abandonei), eu saí do curso de ciências biológicas da USP. Minhas notas estão boas, mas não tenho como saber se chego até o fim…
  2. Passar no concurso público acho que é até relativamente tranquilo. Mas existe a questão da perícia médica. E eu sou obeso mórbido… Hoje dificilmente teria chances numa perícia médica.
  3. Mesmo que eu consiga a nomeação, muitas escolas estão abolindo o período noturno. Isto não é um fator isolado, mas uma tendência na educação pública. Então as vagas serão reduzidas.
  4. Eu já fui aprovado nos vestibulares da FUVEST, UNICAMP e UNESP para o curso de medicina. Mas isso foi há mais de 20 anos e em uma época em que eu só tinha uma obrigação (estudar). Hoje, tenho esposa, filha, gatos, cachorro e uma casa. E vestibular nunca foi algo fácil.
  5. De todas as etapas, essa é a mais tranquila, eu creio. Uma vez na faculdade e uma vez com um cargo em uma escola, basta fazer o feijão com arroz. Mas ainda vou ter que encontrar tempo para estudar e cuidar da família.
  6. Exste um boato sobre o fim da licença-prêmio. Neste caso, a LSV seria minha única opção, mas aí eu teria que conseguir alguma bolsa acadêmica para não sobrecarregar as contas de casa. Aliás, eu deveria fazer um pé-de-meia para isso também.
  7. Bom… se eu conseguir passar por tudo. Esta aqui é molezinha.
  8. Eu gostaria de ter sido cirurgião… mas preciso ser realista ao menos um pouquinho.

E por que razão estou escrevendo isso?

Nem eu mesmo sei… acho que precisava desabafar um pouco… Eu poderia simplesmente desistir e viver o restante da vida que me resta…

Mas… caramba… Eu posso não ter dado o meu melhor antes, mas eu sinto que posso fazer isso. Tenho medo… mas sinto que posso fazer.

E – afinal de contas – não deixa de seu um planejamento.

Bom, medo faz parte da vida não é?

Vou tentar dormir agora…

29 de agosto de 2015

O péssimo hábito da pirataria

A história é real… quero contar a você…

Um chefe de repartição pública fez uso da verba da repartição para comprar um equipamento de informática (um computador desktop). Aceitou o serviço de um prestador de serviços que tratou de providenciar as cotações (para uso de verba pública sempre são necessários três orçamentos, sem contar que os fornecedores devem estar regularizadas e em dias com suas obrigações fiscais), comprar o equipamento e entregar o equipamento solicitado.

Até aí… nada demais.

Aí o tal computador foi instalado e ligado. Lembrem-se: trata-se de um computador novo. Eis que surge a tela:

E neste momento, começam alguns questionamentos… Por que um computador novo está carregando o Windows 7? Por que um computador equipado com processador Intel i5 que foi montado em 2015 após o lançamento do Windows 10 veio com um sistema operacional de 2011?

Enfim, o Windows é carregado e surge a área de trabalho. E surge um novo questionamento… Por que a resolução da tela está desconfigurada (o monitor é um Full HD 1920x1080, mas a resolução está em apenas 1024x768)?

Uma rápida verificação e mais duas descobertas: 1) o computador veio com o pacote Office 2010 completo instalado (nesta época, a Microsoft já oferecia a versão Starter pré instalada nos computadores), 2) o Windows não apresentava a mensagem para ativação, tampouco de que o SO já estava ativado.

Uma última observação… na lateral do gabinete uma bela etiqueta branca e preta informando que aquele computador tinha uma configuração XYZ e vinha com o Linux instalado.

E aí, a óbvia constatação… o tal prestador de serviços vendeu um computador sem Windows. E aí tratou de instalar um Windows “alternativo” e de quebra um Office “alternativo”.

No popular: Programas piratas… o tal prestador vendeu um computador com programas piratas instalados no mesmo. E eu não sou nenhum legislador, advogado e sequer me aproximo de um rábula. Mas desconfio que tal prática não é lícita.

O chefe da seção foi alertado para o fato. E ficou indignado ao saber que comprara o gato… e não a lebre. Tratou de chamar o prestador de serviços que alegou inicialmente que a questão não era com ele, mas sim com um fulano da mesma prestadora de serviços. Falou-se com o fulano que disse que quem resolvia isso era o primeiro prestador. Um empurrava a responsabilidade para o outro.

Aliás, em determinado momento, jogaram a culpa no coitado do rapaz que apenas foi lá na sala do chefe configurar a rede no computador. Segundo os prestadores: “Que raio de técnico o chefe da seção arrumou que sequer sabia instalar Windows?”

Uma ressalva importante: o tal técnico estava ali em caráter informal, prestando consultoria solidária pro-bono. Em português claro, fazendo um favor para o chefe de seção. O tal técnico – a propósito – tinha alguma experiência de campo… trabalhou na área e lecionou em cursos de montagem e manutenção de computadores por 8 anos… E ele sabia sim instalar o Windows.

E também sabia reconhecer um Windows pirata…

Calma… a história ainda não terminou…

Depois, o prestador informou que a prática era comum e que outros chefes de seção fizeram isso e nunca tiveram problemas. Que aquilo era algo normal e que era feito para oferecer um produto por um preço melhor.

E aí, a história seguiu como quase sempre acontece no Brasil… o prestador de serviço que teoricamente deveria propor a melhor solução para o seu cliente tanto financeiramente como tecnicamente propôs o famoso “jeitinho brasileiro”.

O que mais me incomoda nesta história é o fato de que se o tal técnico não estivesse por ali, provavelmente o cambalacho passaria sem maiores problemas.

Não vou tapar o sol com a peneira… atire a primeira pedra quem nunca instalou um programa pirata no computador. Seja por desinformação, falta de recursos ou até mesmo simpatia com o Partido Pirata do Brasil (sim… eles existem!) muita gente já usou ou ainda utiliza software pirata.

Houve uma época em que eu até tinha de cor um número de série do Windows 98 SE (o famoso XJ3XX-YR4CJ-etc…etc…etc…). E tinha não só o Windows e o Office, mas também o pacote Adobe, Corel e Macromedia. O uso era indiscriminado.

Eu me regularizei quando no lançamento do Windows 7. Comprei duas licenças (uma para o desktop e outra para o notebook) e também comprei uma licença do Office 2010 (que permitia a instalação em até 3 computadores). Quando chegou o Windows 8, aproveitei a migração do sistema por R$ 69,00 nos dois computadores. E também atualizei meu Office para a versão 2013 University. Há muitos anos atrás eu comprei uma licença do Photoshop CS4 e do Acrobat 9 (longa história… deixa pra lá). O Anti-Vírus utilizado antigamente era o Norton e depois migrei para o Kaspersky (também com direito a 3 licenças).

Então acho posso me gabar… só utilizo software original nos meus computadores.

Curiosamente, isto não deveria ser motivo de orgulho. Apenas um rompante de honestidade e ética. Mas muitos não enxergam assim.

“Puxa vida, Ricardo… que bom que você tem dinheiro para gastar em licenças de software… problema seu” pode ser o seu pensamento neste momento. Não o critico… como disse, eu já fiz uso dos alternativos também.

Mas eu mudei meu pensamento sobre a utilização dos software pirata, quando atuei como consultor de informática. Pelo meu conhecimento, as pessoas me remuneravam para que eu as atendesse. De forma análoga, os programadores também são remunerados pelo seu trabalho de criação, a empresa tem toda uma cadeia produtiva por trás do software e precisam auferir lucro com isso. Criar o Windows, Office, Photoshop e outros tem um custo elevado.

Então nada mais natural e justo de que a empresa seja remunerada pelo seu trabalho também. Pare e pense por um momento… você trabalha de graça? Você doaria o seu tempo e talento para criação de algo?

Se sua resposta é sim… então você pode pensar em alternativas legítimas como o Linux e seu Open Office. Ou então, o Android e o pacote Google Docs. Eles são gratuitos.

Mas se você optou por utilizar o Windows, Office, Corel, Photoshop e tantos outros bons programas, lembre-se que eles são produtos. E como tal, possuem valor agregado. Então o desejável é que você seja honesto e ético consigo mesmo.

Se pensarmos na vida útil de um computador, temos uma média de 4 anos. Vamos considerar que você é um usuário comum que usa o computador para trabalho, estudo e entretenimento. Uma licença do Windows no varejo custa R$ 469,00 (preço da Microsoft Store para a versão Windows 10 Home). Uma licença simples do Office sai por R$ 320,00 (R$ 80 anual por quatro anos). E se você quiser um pacote de aplicativos gráficos, a Adobe Creative Cloud sai por R$ 1056 (valor da assinatura por 4 anos). Isso dá um total de R$ 1845,00 para utilização do computador por 4 anos.

Faça as contas… Se pensarmos em termos de mensalidade, teríamos um custo aproximado de R$ 40,00 mensais. E se o utilizador for estudante, este valor pode ser ainda menor graças aos pacotes acadêmicos (falarei sobre isso em outra ocasião).

Sinceramente, não creio que seja um custo tão pesado como muitos alegam por aí. E se você for trabalhar e ganhar o seu dinheiro com o computador, esse gasto faz parte dos seus custos fixos. Ou seja, com o seu faturamento você deve ter provisão de recursos para pagar isso.

Mas do mesmo jeito que as pessoas pagam pela luz, água, comida, telefone, tv a cabo, roupas e outros cacarecos que consomem, defendo que deveriam pagar pelo software que utilizam também.

Engraçado… isso deveria ser uma coisa tão natural, não deveria?

Por fim, algumas observações importantes que podem fazer com que alguns repensem sua posição:

  • As versões acadêmicas dos diversos programas costumam ser mais baratas. O Office em sua versão University custa R$ 210 numa licença de 4 anos. Microsoft, Adobe e Corel são algumas empresas que possuem pacotes acadêmicos
  • Com a enxurrada de apps existentes você dificilmente não encontrará um programa gratuito para algumas aplicações. O BitDefender e Comodo são ótimos anti-vírus gratuitos. A suite de aplicativos Open Office também é bastante completa e pode funcionar como uma excelente alternativa ao Office.
  • Caso você não tenha grande necessidades, pode fazer uso da versão online do Office. Ela tem menos recursos, mas é totalmente gratuita.
  • Você ficaria feliz em ser um desenvolvedor de software, ter que pagar suas contas com o seu trabalho e não receber um centavo por isso?

Pura reflexão e insônia…

24 de agosto de 2015

E chegou o Windows 10

Diferentemente do lançamento do Windows 7 e do Windows 8, desta vez eu não me preocupei muito em divulgar o lançamento do Windows 10. Tenho algumas razões para isso. Mas acho que a principal é o fato de que já tem um bom tempo que eu não me atualizo no assunto “informática”.

Atuei como professor de montagem, manutenção e configuração de computadores por oito anos. Houve uma época que eu gastava uma média de três a quatro horas por dia em sites de tecnologia, leitura de livros técnicos e acesso à fóruns especializados. Meus autores favoritos eram: Gabriel Torres, Laércio Vasconcelos e Carlos Morimoto.

Mas muita água passou por debaixo da ponte. Fui para o estado trabalhar na área de administração. Fui para uma faculdade de educação e conhecer a fundo a informática simplesmente deixou de ser uma prioridade.

Digamos que deixei de ser um usuário expert e passei a ser apenas um usuário avançado…

Seja como for, o novo SO da empresa do tio Bill (Gates) chegou no final de julho. E com muitas novidades.

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E é aí que eu paro e me pergunto: são tantas novidades assim?

É praticamente um consenso na mídia especializada que a Microsoft oscila entre o lançamento de um SO bom e um SO ruim. A história nos mostra isso: O Windows 3.11 (Deus o tenha) era prático e funcional. Veio o Windows 95 e ferrou tudo. Aí o Windows 98 consertou uma série de coisas e em sua atualização SE se tornou um ótimo SO. Para em seguida a MS estragar tudo com o malfadado Windows Me (Deus não o tenha).

Depois foi a vez do Windows XP que foi muito bem sucedido como SO. Tem muita máquina rodando ele ainda. E aí a MS cagou tudo (desculpe a expressão, mas ela ainda é fraca neste caso) com o Windows Vista (queime no inferno). O Windows 7 fez a remissão dos pecados pelo Windows Vista. De longe, o “Seven” (apelido carinhoso) é um dos SO’s mais estáveis que já vi funcionando.

Adoradores do Linux e Unix… me poupem… Estou falando de computação doméstica de baixo nível e não aplicações High End.

Por essa lógica da gangorra, o Windows 8 deveria ser uma bomba. E muita gente enxerga este SO desta forma.

A questão é… eu não concordo.

Não concordo porque o Win8 tem basicamente a mesma estrutura do Win7. A mesma velocidade e as mesmas facilidades de utilização. A não ser por um pequeno detalhe que fez toda a diferença.

O maldito botão iniciar…

Bill Gates apresenta o Windows 95 no dia do lançamento

Tecnicamente, o Windows não nasceu sistema operacional. Ele era uma espécie de organizador do ambiente de trabalho. Em seu surgimento, quem fazia o trabalho pesado era o MS-DOS. Este sim, um sistema operacional.

Mas o Windows deixava as coisas mais visuais… uma tendência que foi inaugurada pelo Macintosh… tio Jobs também entendia das coisas.

Bom… fato é que o Windows só virou sistema operacional quando chegou à versão Windows 95. Mesmo assim, ele precisava de toda a estrutra MS-DOS para ser instalado e então funcionar como SO.

E foi nessa versão que ele surgiu… o famigerado menu Iniciar.

A partir dele, o usuário conseguia acessar todos os programas e configurações do computador. Era uma nova maneira de organizar as coisas. As janelas ainda estariam por ali, mas o acesso a elas seria por um menu. E tudo ao alcance pelo botão iniciar.

Com poucas alterações, o menu iniciar do Windows 98 seguiu a mesma linha…

Padrão que voltou a ser utilizado no Windows Me (Bleargh!!)…

E que foi repaginado no Windows XP…

E novamente repaginado no Windows Vista…

Aí, com o Windows 7 eles resolveram deixar as coisas mais organizadas. Em um menu iniciar muito bem organizado surgiu…

Windows 7 Start menu

Só para registro, do lançamento do Windows 95 (em 24/08/1995)  até o lançamento do Windows 8 (em 26/10/2012), temos um intervalo de mais de 12 anos. Doze anos… Doze anos em que as pessoas estavam acostumadas a encontrar tudo o que queriam apenas clicando no ícone do Windows e acessando um menu com tudo que precisavam.

Eu até entendo a razão da insatisfação geral… a Microsoft simplesmente extinguiu de uma vez só o menu iniciar e o botão iniciar… Uma pancada muito grande e muito forte.

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O que se via agora era uma tela com uns quadradões, quadrados e quadradinhos (chamam-se tiles) e pouca gente entendeu porque a MS fez isso. Para acessar a Área de trabalho, você clicava no quadradão Desktop e pronto… você voltava a ter um computador normal.

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E para o desespero de muitos... nada do botão “Iniciar”.

Isso gerou um descontentamento geral. E muitas pessoas simplesmente fizeram o downgrade para o Windows 7. Demorou muito para o Windows 8 se firmar. E não se firmou. Apesar de ser um ótimo SO, ele tinha o pecado de não ter o botão…

Isso fez com que surgisse um Windows 8.1 com o botão…

Tudo bem que o botão só tinha um efeito moral (você voltava para tela dos quadrados). Mas pelo menos deixava os usuário menos órfãos.

Depois de toda a história, minha análise. Bem simples por sinal…

A Microsoft se esqueceu que as pessoas ainda não têm a cultura da tela sensível ao toque. O Windows 8 foi feito para telas sensíveis ao toque. Os comandos seriam dados pelos movimentos dos dedos e não pelo mouse. Eu já tinha lido sobre isso, mas pude comprovar isto quando comecei a usar um tablet HP Stream 7 equipado com Windows 8.1. A interface do Windows 8 é simplesmente sensacional… Abrir, fechar, minimizar, maximizar e outras tarefas do mouse são muito intuitivas e com uma curva de aprendizagem muito leve.

Mas a MS não contou com o fato que mesmo com o touch, as pessoas ainda usam o mouse. E isso destruiu a fama e reputação do Windows 8.

E aí, temos agora o Windows 10. Com botão e menu iniciar incluídos e reinstituídos em suas funções. Vale a pena?

Bom, pra início de conversa, a atualização para o Windows 10 é gratuita para quem possui uma licença original do Windows 7 ou Windows 8. Seus requisitos de sistema são baixos e ele roda confortavelmente até em configurações modestas (está rodando liso no netbook equipado com processador Intel Atom).

Instalei também em meu Desktop e até agora não tenho do que reclamar. Uma interface elegante, sistema robusto, ótima integração com meu Windows Phone. Então, no geral minha recomendação é… sim… vale a pena migrar para o Windows 10.

Mas confesso que tenho receio de instalar o novo SO no tablet. Ele realmente funciona muito bem sobre o Windows 8 e ainda não sei quais serão os recursos que perderei com a nova interface. E para ajudar, a própria atualização me informa que uma vez instalado, eu não poderei desfazer o processo.

Enfim… com coragem ou não… chegou o Windows 10. Divirtam-se com ele.

23 de agosto de 2015

Nomes de Presidentes


Começamos com um Deodoro. Nome pomposo para uma pompa que nem ele reconheceria no cargo que, enfim, assumira meio sem querer. Depois outro militar, Floriano. Governou mais com a espada que com a cabeça. Precisamos esperar o terceiro presidente para podermos elegê-lo pelo voto. É certo que nem todos nós poderíamos votar naquela eleição, e se hoje nos assustamos com o tanto de candidatos que aparecem para o cargo, naquela eleição houve 29. Mas o que importa é que ele se chamava Prudente.

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Inaugurando a fila de presidentes com nomes mais brazucas, veio então um Manuel, que fez o primeiro ajuste fiscal digno deste nome - o que Joaquim Levy ainda não fez. Depois dele um Francisco - único Chico a nos presidir. Teríamos outro, na verdade o mesmo, mas ele morreu antes de assumir o segundo mandato para o qual foi eleito de novo 16 anos depois. Aí assumiu um Afonso. Era bom de voto, surrou Rui Barbosa nas urnas. É lembrado por inaugurar em seu governo a idéia da integração nacional - no que foi devidamente auxiliado pelo Marechal Rondon. O conceito existe até hoje, até porque "integração nacional" ainda é só um conceito. Ele também foi o primeiro a morrer no exercício do cargo, tendo assumido após a sua morte o vice, chamado Nilo.

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Depois dele, o único presidente militar que tivemos eleito por voto direto, de nome Hermes. Ele completou bonitinho seu mandato e o passou ao sucessor eleito, chamado - e tome nome esquisito - Venceslau. Em seu mandato explodiu a Primeira Guerra Mundial, e a escassez de tudo fez com que ele impulsionasse a industrialização no Brasil, até porque não tinha outro jeito. Findo seu mandato, foi eleito de novo o Francisco, aquele de quem falamos. Mas ele morreu antes da posse, e assumiu seu vice, de nome Delfim.

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Naquela época, o vice que assumia nestas condições tinha que convocar novas eleições, e estas elegeram um Epitácio, que aliás tinha como vice aquele mesmo Delfim. Depois do Epitácio, tivemos um presidente com nome de rei, Artur (teríamos outro Artur mais na frente). Ambos fizeram governos tensos, por diferentes razões. Este primeiro governou sob estado de sítio por um bom tempo. O segundo baixava o porrete mesmo, mas isso veremos depois.

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Tivemos então, assim como os Estados Unidos, um presidente chamado Washington, mas com a diferença de que o nosso trazia como nome próprio o que no norte-americano era o sobrenome. Depois dele foi eleito um Julio, que ganhou mas não levou. Fizeram um trololô danado, a ponto da presidência ser ocupada por três de uma vez só, a saber, Augusto, Isaías e João. Não ficaram nem dez dias. Um presidente chamado Getúlio assumiu provisoriamente e este governo provisório durou uns quinze anos. Quando ele saiu, deu lugar ao primeiro José a assumir a presidência. Este ficou uns dois, três meses, até que foi eleito um Eurico. Ele foi sucedido por aquele mesmo Getúlio, que retornava agora, por força do voto. Umas questões muito sérias o levaram a ser o segundo presidente a morrer no cargo, com a diferença que o fez pelas próprias mãos.

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Aí foi um Deus-nos-acuda. Assume o vice, chamado João, que ficou bem doente e não conseguiu terminar o mandato. O presidente da Câmara, de nome Carlos, só tinha que conduzir o país por poucas semanas até entregar a faixa ao presidente que já havia sido eleito pelo voto. Andou falando umas coisas sobre não entregar o raio da faixa e durou três dias no cargo. Em seu lugar assumiu o presidente do senado, de nome Nereu, que aí sim, passou o cargo ao eleito, que se chamava Juscelino.
 
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Juscelino entregou a faixa ao seu sucessor eleito, chamado Jânio, numa capital novinha, que ele tinha mandado fazer. Parecia que teríamos paz mas Jânio resolveu renunciar.

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O vice, outro João, estava viajando para fora do país. Era metido com comunistas e por pouco não o fazem ficar onde estava na marra. Até que ele voltasse, fomos presididos por um Pascoal. O João, uma vez que assumiu teve muitos problemas e foi deposto. O tal Pascoal assumiu de novo, até que se inicia o ciclo da ditadura militar, primeiramente com um Humberto.
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Ele passou a faixa ao Artur, de quem falamos acima, que foi quem promulgou o AI-5. Este Artur não morreu no cargo, mas ficou incapaz por um derrame. Tinha um vice civil, chamado Pedro. Mas, pelo sim pelo não acharam melhor que ele não assumisse, e uma junta com três militares, Aurélio, Augusto e Márcio tocou o governo até a ascensão de um chamado Emílio. Este passou a faixa para um Ernesto, que por sua vez passou para o quarto João a nos presidir. Curiosamente os Josés e os Joões que nos presidiram não foram diretamente eleitos pelo voto. Este último João, inclusive, pediu que o deselegessem da memória quando saiu.


Em seu lugar assumiria um Tancredo, que também morreu antes de assumir, e o governo ficou na mão de um José. Havia muita esperança em Tancredo e nenhuma em José - e ele não nos decepcionou. Saiu pela porta dos fundos no fim do mandato, se recusando a entregar a faixa a um Fernando.

Fernando Collor de Mello, primeiro presidente eleito pelo voto direto após os 21 anos de ditadura, seu governo foi marcado por escândalos e corrupção, renunciou após um pedido de impeachment, governou o país de 15/03/1990-29/12/1992. CARIOCA.

Este até que saiu pela porta da frente mas antes de terminar o mandato. E não foi por ter sofrido impeachment como muitos pensam, mas porque renunciou antes disso. Parece que não aprendeu a se comportar até hoje. Em seu lugar assumiu um Itamar, que fez um ajuste na inflação, liderado por outro Fernando, que acabou se elegendo presidente duas vezes.

#Caricatura de Fernando Henrique #Cardoso, presidente o país, reeleito, governou de 01/01/1995-01/01/2003.

Passou a faixa para um Luís, num momento realmente emocionante para o país, na mesma medida em que os últimos tempos tem sido decepcionantes.
#Caricatura de Luís Inácio #Lula da Silva, presidente o país, reeleito, governou de 01/01/2003-01/01/2011.
Luís ficou dois mandatos e passou o cargo para a primeira mulher presidente - "presidenta" é só mais uma de suas bobagens - chamada Dilma.

#Caricatura da presidente #Dilma Rousseff, primeira mulher a ser eleita presidente do Brasil, assumiu em 01/01/2011.

Tuuudo isso aí para dizer o seguinte: eu, Michel, nunca imaginei que pudesse ter um xará na presidência. Mas parece que este tal xará já se imagina com a faixa...


16 de julho de 2015

Então, vamos falar sobre oldgames? #1 - Top Gear

Depois de sair do interior e vir morar em São Paulo, tive que me adaptar a conhecer novas pessoas, frequentar outra escola e aprender a dormir ouvindo briga e forró de bar vindo da rua. Ao vir embora não pude trazer meu videogame junto (Super Nintendo foi meu primeiro e último videogame). Fiquei com uma saudade imensa de jogar videogame, já tive vontade de comprar o Xbox 360, Play II, Play I e acabava nunca comprando. Talvez eu ainda quisesse os jogos que jogava no meu Super Nintendo e descobri que tenho essa vontade até hoje. Por isso me perguntei "Que jogos eu joguei? Eu gostei?" me levando a criar essa pequena série. O primeiro jogo que eu queria discutir é Top Gear.

Capa do jogo original, lançado pela Nintendo em 1992

Não há muito o que falar, todos com 20 anos ou mais vão se lembrar dos carrinhos com nitro saindo pra fora da pista ou batendo em placas vermelhas de direção perdendo velocidade. Top Gear foi um dos primeiros jogos lançados para o Super Nintendo juntando controles simples, pistas tortuosas, nitro (com belas frases como Banzai, Are You Blind, What the Heck entre outras) e uma trilha sonora um tanto quanto, viciante, esse jogo fez muito sucesso nos anos 90.
O objetivo é simples: ser o corredor mais rápido do mundo, correndo em pistas diversas (coloca diversas nisso) ao redor do mundo. Com um menu incial bem simplificado, temos 4 opções de carros que podem ser escolhidos variando em características como gasto de combustível, estabilidade, velocidade,etc. A maneira como o jogo foi desenhado nos da uma boa impressão de velocidade e o jogo é bem viciante.

Há alguns pontos principais que gostaria de ressaltar:

1- A escolha de carros, possibilidade de marchas, nitro e combustível finito fazem do jogo mais interessante, não apenas o velho acelere e ultrapasse. Top Gear é bem divertido no quesito de tentar escolher o melhor carro e saber a hora certa de parar no pitstop;

2- Pode ser jogado por duas pessoas na mesma corrida como diz na caixinha Two Player Simultaneous Racing! Isso formou amizades e parcerias de corrida. Acreditem...

3- Chega a ser bastante difícil em certo momento porque as pistas são extremamente tortuosas e como são vários carros rivais é comum bater na traseira e algum e perder velocidade (cuidado, dá raiva).

4- Sistema fácil de passwords, usam palavras ligadas a carros como Carpark, oiled, etc.

Acho que pode ser considerado um jogo divertido, que deve ser aproveitado não só a jogabilidade como a soudtrack, a facilidade em menus e passwords mas que deve ser levado a sério pois não é fácil ser o melhor do mundo.

Para quem se interessar: Soundtrack 1 do Top Gear (é de chorar de nostalgia ao ouvir).

15 de julho de 2015

Então, vamos falar sobre hobbies...

Já aproveitando essa conversa de Hobbies, pode ser legal eu falar sobre as coisas que gosto (pelo menos ultimamente, afinal, cada hora é uma febre não?!). Não tenho um hobbie principal, ou algo que sempre fiz a vida toda ou tenho alguma facilidade, tenho procurado coisas que me interessam e de época em época eu volto a ter interesse e a pesquisar(treinar, melhorar, assistir, o quer for..) sobre isso.
Talvez o primeiro hobbie que eu tenha pegado mesmo seja o de instrumentos musicais. 



Aos 16 comprei um violão de estudante e comecei a tocar algumas musiquinhas simples, comecei a gostar e não quis mais parar, de fato, não parei de verdade só não possuo o mesmo tempo de antes. Acho que é uma atividade que me trouxe muita coisa, passar a ver certas músicas de maneira diferente e ter a sensação de querer tentar tocar algo novo, criar, melhorar algo, etc. Hoje tenho um violão de nylon, muito gostoso de tocar, bem leve e ótimo pra tocar músicas calmas; um violão de aço que tem um som mais brilhoso, ótima pra tocar acústicos de rock e um maravilhosa guitarra que, apesar de não tocar tanto quanto violão, é algo que gosto bastante e saber tocar, escalas, arpejos, formas, solos é algo que de vez em outra me da vontade.

Outro hobbie talvez seja leitura.



Minha casa sempre foi cheia de livros (ainda que a maioria espíritas), sempre me vi num espaço em que leitura foi estimulada mas só no início da adolescência que as procuras por bons livros se tornou algo realmente "sério". Costumo ler bastante divulgação científica (Dawkins; Sagan; Fernando Reinach) e alguns bem famosos como Admirável Mundo Novo; O mundo de Sofia; Laranja Mecânica; etc. Ainda há muito o que ler, mas sem pressa.

Difícil pensar em coisas que eu gosto muito e queira passar um tempo fazendo isso. Ultimamente o que tenho gostado de ir atrás é programação.



Está aí algo que eu acho incrível, a possibilidade de criar o que você quiser com uma linguagem própria (dentre as muitas que existem), saber toda a lógica por trás da programação e obter o resultado (com alguns bugs) eu acho incrível. Ultimamente só tenho lido sobre as bases da programação, linguagens Turing Complete e Incomplete, etc, mas o que eu queria mesmo era aprender uma linguagem (pensei em Python) e tentar aprender o máximo dela, soube que é uma linguagem fácil e muito útil. Aprendi a mexer no VisualG mas agora queria algo maior. Quem sabe...

É difícil separar assim as coisas que gosto, talvez ainda pudesse citar:

  • Restauração de algum objeto antigo;
  • Jogos online de RPG (quem aí já jogou Priston Tale, sou bom nesse negócio);
  • Artes Marcias (Kung Fu, Krav Maga, Jeet Kune Do) e filmes do Bruce Lee.
Para mais coisas que gosto: www.blogdolucasarantes.blogspot.com

12 de julho de 2015

Para que servem os Hobbies?

Todas as pessoas economicamente ou academicamente ativas têm obrigações a cumprir. São tarefas no emprego, trabalhos no colégio ou na faculdade, contas a pagar, casa pra cuidar, filhos pra criar, etc.

A lista é imensa. E também variável. Cada um tem lá suas obrigações mais ou menos urgentes.

Felizmente para alguns (ou muitos… não sei ao certo) é possível dedicar algum tempo com – digamos – "não-obrigações". São aquelas atividades que fazemos por prazer. Para nosso deleite pessoal. Coisas que gostamos e que refrescam nossa mente para que possamos cumprir com as obrigações.

Alguns chamam estas "não-obrigações" de hobbies.

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Bom… eu tenho alguns. O principal deles hoje em dia, na verdade não é um hobby… brincar com minha filha. Isso não é um hobby… é uma benção.

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E é claro que os peludos (Tobias, Meg, Mike e Nina) também não são hobbies… são meus filhotes peludos.

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Vamos falar então somente dos hobbies…

1) Livros: Adoro livros. Em geral, os romances. Mas livros históricos também são bem legais. A leitura sempre me ajuda a enxergar um problema com mais serenidade. Atualmente estou lendo "O chamado do cuco" da J.K. Rowling

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2) Seriados e filmes: Netflix e NET são duas importantes aquisições. Não me importo de assistir três ou quatro (bons) filmes na sequência. E os filmes que gosto são tantos que nem dá para listar. Os seriados são apenas três na atualidade: Grey's Anatomy, The Big Bang Theory e Mom. Eu odiei o fato da Warner ter cancelado Forever. Aliás, o cancelamento de Franklin & Bash também incomodou. Ainda não li nada sobre a safra de novos seriados. Ah sim… voltaram a reprisar ER, mas ainda não consegui pegar nenhum episódio.

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3) Caminhar: É incrível que algumas pessoas simplesmente não acreditam nisso. Afinal de contas, sou obeso (e mórbido). Mas eu adoro caminhar! Funciona assim: na primeira meia hora de caminhada você está com a cabeça recheada de caraminholas. Na segunda meia hora de caminhada, você começa a sentir o cansaço e começa a se esquecer dos problemas. Por fim, na última etapa da caminhada, você está concentrado em terminá-la. E sua cabeça, limpa e pronta para solucionar problemas.

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4) Games: Mas não é qualquer game não… Na verdade, a lista é mediana: Ragnarok (Eu ainda não tenho um transclasse 99), F1, Fifa, NBA, Civilization e Fallout (Ah… Fallout 4! Como esperei por você!). Para este meu hobby continuar, creio que terei que investir em um console (quem sabe um Xbox One?). Mas essa conversa fica para outro dia…

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5) Magic – The Gathering: sim… um card game criado em 1993 por Richard Garfield e que eu comecei a jogar entre 1994~1995. Já escrevi alguma coisa sobre isso anteriormente.

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Magic é algo bem legal. Exige raciocínio, estratégia, conhecimento de idiomas (muitas cartas são em inglês) e garanto que não é um jogo para gente burra. Além disso, você conhece pessoas, cria novas amizades e principalmente se diverte.

E para mim, um hobby tem que ser isso: diversão.

Ultimamente eu tenho dedicado boa parte do meu tempo livre (depois de morder bastante o pé da filhota) com as cartinhas. E hoje – quando escrevi este texto em 12/07/2015 – tive a oportunidade de participar de um evento de lançamento de uma nova coleção de cartas de Magic. Participei do Pre-Release da Edição Origens.

Foi um evento que durou praticamente o dia inteiro. Encontrei com amigos que também participaram do evento. No pré-jogo, ficamos naquela expectativa de que cartas poderíamos pegar para montar nossos decks. Cartas boas, cartas ruins. Enfim, ganhar, perder, empatar faz parte do jogo. Faz parte da diversão.

Mas não para alguns babacas…

O evento consistiu em cinco rodadas do tipo melhor-de-três. Faz-se um sorteio para definir os duelos e as pessoas sentam-se nas mesas e começam a jogar. E quando você vai jogar contra um desconhecido, é natural praticar a cordialidade e simpatia… não custa nada e o jogo é bem mais legal.

Foi assim no primeiro jogo. Nos divertimos. Demos muitas risadas porque todas as cartas eram novidade para nós. Então sinceramente não sabíamos muito bem o que elas faziam. Foi um jogo bem bacana. Ganhei uma, perdi duas. Resultado final: vitória do meu rival (1-2). 

Ai fui para a segunda rodada. Novamente tive a sorte de pegar um rival muito bacana. Ele não teve muita sorte na montagem do deck, mas se divertiu pacas. E me deu alguns sustos engraçadíssimos. Mas no final, vitória minha (2-0). E com certeza gostaria de jogar com este colega novamente com um deck montado.

E então veio a terceira rodada… e aí começaram os problemas. Primeiro porque o cidadão começou a querer ditar as regras do jogo pra mim e a ser um pouco estupído no modo de conversar. Minha frase neste momento foi: "Cara, isto aqui é para a gente se divertir… não vim aqui pra me estressar. Então vamos com calma, ok? Eu conheço as regras do jogo também".

Os ânimos esfriaram… e aí ficou um jogo bosta… Porque ali na minha frente não tinha um jogador de Magic. Tinha um babaca competidor querendo provar que era melhor do que todos ali. Suas ações demonstravam que – para ele – aquilo era a final de um ProTour ou um Qualifying para algum GP.

Mas… meu Deus… aquilo era só um Pre-Release. Um evento de lançamento de uma coleção de cartas.

ERA PRA SER DIVERTIDO… PQP!

Enfim… ganhei a primeira do cara. Um jogo arrastado, mas que ganhei com justiça. Começamos a segunda partida da melhor-de-três. E aí, o cara me solta a pérola: "Vou pedir pra você jogar mais rápido porque o tempo está esgotando".

Detalhe… Aquele partida ainda estava bem indefinida. E também tinha o fato que eu estava tentando entender os efeitos de algumas cartas. Então respondi: "Estou fazendo o meu jogo… preciso ter certeza do que vou fazer. Não vou fazer jogada errada só porque você está com pressa".

E aí o traste emendou: "Então se continuar assim, vou ter que chamar o juiz".

Estou velho para certas babaquices, para certas posturas arrogantes, para lidar com certos idiotas… "Ora… chame o juiz então!"

Veio o juiz… e aí o cidadão simplesmente diz: "Ele está ganhando por 1-0 e está deliberadamente atrasando o jogo para eu perder no tempo".

Então, além de babaca o cara também era mentiroso…

Aí eu fiquei puto… O cara que vá plantar batatas. Quer competir? Paga passagem e vá competir nos EUA no circuito profissional.

Ainda tentei ter bom senso: "Cara, isso aqui é só um jogo… é para ser diversão".

E então ele emendou mais uma pérola: "Eu não achei meu dinheiro no lixo" (Obs: tem uma taxa de inscrição para participar).

Tenho quase 41 anos… Sinceramente, não é da conta do cidadão o que eu faço ou deixo de fazer com meu dinheiro. Mas ele queria me atingir de alguma forma.

E só aí, eu percebi o óbvio… Era simplesmente um moleque de seus vinte e poucos anos. Um moleque que precisa de muita auto-afirmação. Que precisava daquilo para provar alguma coisa para si mesmo.  Um moleque… nada mais do que isso. Um moleque que precisava ser menos arrogante e mimado, mas que provavelmente teve tudo na vida e que acha que o mundo tem que ser como ele quer.

Eu conheci um outro moleque assim… E me lembrei que a vida ensinou este outro moleque da forma mais amarga possível a ser um pouco mais humilde. E ao me lembrar disso, tomei a decisão mais sensata do dia:

"Ok… faça o seguinte: você ganhou. Eu dou a vitória pra você. Já que você precisa tanto dela. Fique com ela."

E com isso, perdi a rodada (1-2). O assunto rendeu e ainda tivemos uma discussão áspera. Falei algumas verdades para ele. E ele vinha com frases do tipo "Você não sabe com quem está falando" e "Baixa o tom pra falar comigo". Frases típicas de um moleque… um moleque digno de pena…

Felizmente, depois desta rodada, ainda pude jogar com mais duas pessoas que estavam ali para jogar e para se divertir. Perdi uma (0-2) e ganhei outra (2-1). Resultado final do dia: em 5 rodadas perdi 3 e ganhei 2. Fiquei classificado em 19º (de um total de 33 jogadores). O tal cidadão acabou fechando em top 10 e com isso ganhou boosters de premiação. Deve ter feito um bem danado ao ego dele.

Bom… Campeão, faça bom proveito!

Não quero e nem tenho a pretensão de ser um campeão no Magic. Como eu disse antes, Magic é para mim um hobby. Quero ganhar algumas, sei que vou perder outras. Vou colecionar minhas cartas, fazer amigos, jogar. Vou me divertir.

E felizmente, apesar do transtorno, consegui me divertir pra caramba.

Diferente de alguns, eu já aprendi que um punhado de cartas não me faz um homem melhor do que os outros…

Ok… só para deixar o post um pouquinho mais leve no final, quero registrar aqui alguns hobbies que eu gostaria de ter, mas por uma razão ou outra eu não fiz ou não dei continuidade:

  1. Fotografia: eu adoraria saber fotografar e ter uma câmera ao menos semi-pro; na falta disso, vou quebrando o galho com o Lumia.
  2. Jogar RPG: não disponho de tempo para isso… quebro o galho no Ragnarok mesmo.
  3. Montar quebra-cabeças: tem um de 500 peças fechado na embalagem me esperando aqui em casa (e vai continuar esperando por enquanto)
  4. Tocar piano: meu pai achava que isso era "coisa de viado" (idiotice homofóbica dele)
  5. Pescar: mas não em pesqueiros… na beira da lagoa ou do rio mesmo
  6. Jardinagem: queria cuidar de uma horta (tomatinhos, hortaliças, verduras em geral)
  7. Jogar tênis: nunca consegui adquirir coordenação motora para isso

Mas não dá pra abraçar o mundo, não é mesmo?

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