23 de janeiro de 2015

Análise: Tec-Toy Veloce TT-5000

Pois bem… como alguns se lembram, há algum tempo eu anunciei minha traição a causa do Windows Phone. Por conta da necessidade de me adequar àquilo que o mercado oferece, acabei adquirindo um tablet com Android.

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Neste texto vou falar um pouco de como foi (isso mesmo… no pretérito) minha experiência com o mundo do robozinho verde.

Se você não está a fim de ler o texto, vou resumir em uma frase: não vale a pena.

Agora, se você quiser entender minhas razões, leiam o texto até o fim.

Sobre o tablet

Inicialmente, uma observação: sugiro a leitura de reviews mais detalhados como este do Tecmundo ou este do Ztop. Não é minha intenção fazer propaganda do dispositivo, mas apenas contar como foi minha experiência.

É necessário afirmar que este tablet da Tectoy foi pensado para o mercado low profile. Ele passa longe de um topo de linha. Eu pesquisei muito antes de optar por ele e a conclusão que cheguei é que dos mais baratinhos ele é o que tem melhor relação custo x benefício. Os tablets básicos da Samsung ficam em um patamar de preço maior (cerca de R$ 100 a mais).

A seu favor conta o fato dele ser um lançamento recente (Agosto/2014), de contar com processador Atom Dual Core da Intel, de ser leve (bem leve, aliás) e possuir uma tela nítida.

Contra ele pesam o o sistema de áudio (que fica muito a desejar, mesmo em volumes baixos de som), as câmeras (ele conta com uma traseira de 2,0 mega pixels e uma frontal de 0,8 mega pixels… juntas não somam uma câmera razoável), uma versão desatualizada do Android (sem possibilidade de atualização) e uma tela bem frágil.

Sim… tela frágil. Pois, após 8 dias usando o aparelho, a tela trincou. Não prejudicou o fucionamento do aparelho, mas considerando que o aparelho caiu no tapete a uma altura de 40 cm (sim, eu medi) e que o meu Lumia já levou tombos bem piores, a tela é muito fraca.

O aparelho em si é muito bonito e o processador dá conta do recado. Achei chato este negócio de não poder instalar apps no cartão de memória. Achei mais chato ainda este tablet não ser compatível com a versão do Office para Android (e com isso fiquei limitado à péssima suite que acompanha o Jelly Bean.

Não tenho queixas quanto aos apps… Mas sinceramente, não vi produtividade. Usar o teclado virtual é muito chato (principalmente depois do wordflow do Lumia) e a resposta deixa bastante a desejar.

Ele é um aparelho básico para tarefas extremamente básicas: ver os e-mails, tuítar, atualizar o Facebook, navegar por alguns sites e assistir a vídeos. Para alguns jogos casuais ele também é bom. Mas não se engane… você não conseguirá fazer muito mais que isso com ele.

Sendo realista, é pouco mais do que uma agenda eletrônica com algumas funcionalidades extras.

Uma diferença que para mim seria fundamental seria o uso do app Estadão para ler o jornal on-line. Não existe um app para o Windows Phone nem mesmo para o Windows (é necessário usar uma interface web ou baixar as páginas em PDF, o que é bastante trabalhoso). Mesmo o app vez outra apresentava algum bug e não permitia salvar as edições no cartão de memória. Em pouco tempo, a memória estava lotada.

Tenho que admitir… não gostei da experiência Android. E isto me deixa mais puto com o mercado nacional que simplesmente esnoba o desenvolvimento para apps Windows/Windows Phone.

Sobre o Android

Fraco… isto resume bem minha impressão sobre ele. Muitas configurações inúteis que poderiam ser trabalhadas pelo desenvolvedor para que fossem transparentes ao usuário. Não há também um esmero quanto a interface. Ela é aquilo que é…

O fato de não poder atualizar o tablet para pelo menos a versão Kit Kat é imperdoável. Já tive a oportunidade de olhar o Lolipop de perto e a melhora é significativa. Muito injusto deixar esta atualização de lado.

Opinião

Já sei… os críticos dirão que se eu quero potência, que comprasse um Galaxy Note, certo? Certo… mas isso prova o ponto que venho defendendo há alguns anos. O Windows Phone entrega uma experiência muito melhor e mais fluída, mesmo em configurações mais modestas.

O Android para mostrar alguma qualidade precisa de uma configuração robusta. Caso contrário, ele funciona precariamente.

Enfim… é um tablet barato com potência suficiente para tarefas básicas. Totalmente fora de cogitação trocar um laptop por este tablet (mesmo porque sua autonomia é risível). Sua tela rachada na segunda semana de uso, sua incompatibilidade com alguns apps importantes e seu sistema operacional fraco me permitem concluir que é uma pena que o mercado não queira dar uma chance para os dispositivos com Windows/Windows Phone.

Em breve, justificarei as razões desta minha opinião. Aguardem pelos próximos textos.

4 de janeiro de 2015

Mágica… A reunião…

Um pouco de história…

Saí de uma aula de Bioquímica. Era por volta de 11h30 e estava calor. Eu teria que esperar até às 14h00 para retomar a aula, então fiz o que a maioria dos alunos da faculdade de medicina da Unicamp faziam naquela hora. Fui até à Cantina do Bello.

Quando você é um calouro na faculdade é quase um movimento natural ficar próximo a seus pares. Comigo não foi diferente. Avistei alguns colegas da turma reunidos ao redor de uma mesa com a intenção de ter companhia durante o almoço.

Mas quando me aproximei, eu não vi comidas e bebidas à mesa. O que vi foram cartas. Cartas com figurinhas bem diferentes daquelas do baralho tradicional. Entre eles, um diálogo acontecia:

"Paga mais duas manas se quiser conjurar este monstrão aí!"

"Então antes disso eu conjuro uma interrupção anulando sua mágia instantânea"

"Maldito…"

Este foi o meu primeiro contato com o jogo Magic: The Gathering

Na adolescência eu fui apresentado aos jogos de RPG. Conheci o sistema Gurps e também o D&D que depois evoluiu para o AD&D. A ideia do RPG era a de um jogo ambientado em um universo de fantasia onde eu poderia desenvolver (interpretar) um personagem dentro daquele universo. Normalmente você era colocado em uma aventura com mistérios, enigmas e recompensas. É um jogo coletivo… só tem graça se você jogar com uma galera.

Quando em Campinas, fiquei um bom tempo afastados destes jogos. Acho que não encontrei ninguém que gostava de RPG…

Voltando àquela manhã de Março de 1995 o que existia ali era uma espécie de RPG em forma de cartas. Uma ideia bem simples: no jogo, você é um tipo de mago poderoso que pode conjurar magias por meio das forças elementais da natureza. Estas magias são convocadas para lutar contra outro mago. O objetivo mais básico de uma disputa… vencer o outro mago.

Falando um pouquinho do jogo, ele foi criado em 1993 por um cara chamado Richard Garfield (um matemático que inventou dezenas de jogos). Surgiu nos EUA e fez um enorme sucesso… Para jogar você tinha que adquirir as cartas. Cada jogador tem seu próprio baralho (ou deck como o pessoal prefere chamar). O baralho deve conter alguns tipos de cartas e a partir delas você joga contra outra pessoa.

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Minhas primeiras partidas de Magic foram com cartas emprestadas. Fui literalmente surrado nas disputas. As cartas emprestadas eram as sobras dos decks dos colegas e eram cartas mais fracas. Se eu quisesse ter algum sucesso neste jogo, eu teria que ter minhas próprias cartas.

Não demorou muito para que eu descobrisse uma lojinha de RPG em Campinas que vendia as cartas de Magic. Lembro que comprei na época um deck selado (uma caixinha contendo 60 cartas sortidas) e 2 boosters (um pacote contendo 15 cartas sortidas). Na época eu não entendia a estrutura do jogo. Sabia apenas que as cartas eram bonitas e parecia ser um bom passatempo.

Investimento inicial no novo hobbie? R$ 19,00

Dentro da caixinha as 60 cartas e um pequeno manual. Tudo em inglês (e na época meu inglês ainda não era dos melhores)

É necessário fazer a ressalva de que na época, a internet não existia da forma como conhecemos hoje. Então não era possível obter informações sobre o jogo usando o Google (que ainda nem existia).

Assim, toda a informação sobre o jogo vinha dos colegas e das lojinhas… foi assim que descobri que comprei um deck com cartas da quarta edição e dois boosters da expansão Fallen Empires. Descobri também que em breve teríamos cartas em português e que uma nova edição estava em vias de surgir: a expansão Ice Age (ou Era Glacial na versão em Português).

Tudo era muito precário: muitos copiavam as estratégias dos outros jogadores descaradamente. E havia um mercado ativo para troca de cartas. O aprendizado era um tanto complicado.

Seja como for, aprendi a jogar o bendito Magic…

E é claro que comecei a investir em cartas. Eram outros tempos. Um tempo onde eu não sabia exatamente o valor do dinheiro e ainda tinha uma vida financeira bem confortável (o típico, mas idiota, filhinho-de-papai). Desta forma, eu gastei um bom dinheiro na compra de novas cartas. Em pouco mais de um mês jogando eu já contava com mais de 800 cartas obtidas por compras de novos decks e boosters, além das trocas com outros jogadores.

Dois ou três anos depois já era possível obter na internet muitas informações sobre o jogo (a produtora Wizards of The Coast já contava com um site oficial).

E neste dois a três anos que joguei pra valer investindo muito em cartas, acumulei mais de 6000 cartas. Algumas ótimas, outras boas, outras nem tão boas e muitas comuns ou inúteis.

Aliás, o lucro da empresa é justamente esse: fazer com que as pessoas comprem toneladas de cartas para conseguir algumas poucas boas que darão origem a um deck competitivo.

Eu não sei dizer precisamente quanto dinheiro gastei, mas sei que gastei um bom dinheiro no primeiro ano e depois tratei de fazer muitas trocas proveitosas. Comprei muitas cartas usadas também (que custavam de R$ 0,05 à R$ 0,20 dependendo da sua utilidade).

Só que na época em que investi, eu realmente comprei coisas boas (que não custavam centavos, mas sim dezenas de reais)… para quem conhece Magic, sabe que cartas como Espadas em Arados, Aves do Paraíso, Ritual Sombrio, Pedra de Fellwar, Tutor Demoníaco entre tantas outras são cartas boas no jogo. E também são ótimas no preço.

E uma das cartinhas que consegui foi essa fofurinha aqui…

blacklotus

Bom, quem conhece o jogo deve ter dado um pulo da cadeira agora…

Sim meninos e meninas… eu tinha uma Black Lotus.

Tinha? Como assim… Tinha?

Pois é… este é o momento que a história fica um tanto triste…

No final do ano, a escola em que trabalho fez uma confraternização. E entre outras coisas fizemos uma sessão de jogos de tabuleiro. Jogamos o icônico War.

Durante o jogo, conversando com um professor fiquei sabendo que ele é jogador ativo de Magic. E começamos a falar sobre o jogo.

Devo confessar que durante uns três anos eu gastei um bom dinheiro com este jogo. Mas quando a situação apertou (e o papai deixou de bancar o filhinho) eu parei de jogar. A equação era bem simples: comprar cartas era algo caro (ainda é). E para quem estava brigando para se manter na faculdade, não tinha sentido ficar comprando cartas.

Minhas últimas cartas são de 1999~2000. Depois disso eu guardei as cartas em umas caixas. Encostei as cartas no fundo de um armário e assim permaceram por todos estes anos.

E aí… voltando ao dia da confraternização…  na conversa com o professor ele mencionou cartas famosas, entre elas, a Black Lotus…

"Ah, eu sei… ela é bacana. Dá uma puta vantagem no jogo. Tanto que ela foi banida não é? Eu tenho uma…"

Silêncio… depois de algum tempo, ele perguntou:

"Sério?"

"Sério o que?"

"Sério que você tem uma Black Lotus?"

"Sim… tenho uma só e tive que trocá-la por uma porção de cartas pra depois eu descobrir que não podia mais usá-la."

"Você tem ideia de quanto vale uma Black Lotus?"

Não… eu não tinha. Sendo absolutamente sincero, eu sabia que ela era uma das cartas raras do jogo e sabia que ela valeria bastante em uma troca. Mas eu não estava preparado para o que eu ouvi depois.

"Vale uns dez mil dólares"

Foi minha vez de fazer silêncio…

Caramba… uma grana dessas ajudaria em bastante coisa. Muita coisa mesmo. Eu não tenho a necessidade de ter um item de coleção destes. Passaria a frente sem nenhuma frustração. O dinheiro seria guardado para as necessidades da Mariana.

Enfim… continuamos a conversar e o professor ficou super empolgado com a história. Eu confesso que custei a acreditar que uma única carta poderia valer tanto. Para mim ela valeria, sei lá, uns R$ 100,00 até mesmo uns R$ 200,00. Por esse valor eu deixaria ela comigo guardada… e eu teria uma boa história pra contar…

Mas por US$ 10 mil, a coisa é um pouco diferente.

Então fui a casa dos meus pais e retornei ao meu antigo quarto. Obviamente eles deram ao quarto uma outra destinação, mas algumas coisas minhas permanecem lá. Entre elas, as cartas…

Achei duas caixas. Acho que eram três… não sei. Levei as caixas para minha casa e procurei a bendita carta, uma por uma.

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Entre as cartas achei umas legais e bem divertidas… eu sempre gostei muito das ilustrações. Acho que foi por conta delas que comecei a jogar…

Achei duas Serra Angel, achei meu Sengir Vampire, achei cartas boas como Black Vise, Fellwar's Stone, Oasis, Lord of the Pit e algumas outras… mas nem sinal da Black Lotus, Birds of Paradise, outras duas Serra Angel que eu tinha (sempre me orgulhei de ter quatro destas belezinhas) e mais algumas cartas que tenho certeza que constavam do meu setlist.

O fato é que pelo menos nestas aqui, a Black Lotus não está.

"MENTIROSO", alguns pensarão…

Pior que não, meninos e meninas… pior que não… também não tenho uma boa explicação para onde as cartas possam ter ido parar. Vez ou outra eu emprestei algumas cartas para uns amigos… pode ser que num destes empréstimos, a carta tenha ido embora sem que eu tenha percebido…

"MENTIROSO", alguns ainda pensam…

Pior que não…

Pior que não.

Bom… pelo menos achei algo para me entreter. Eu andava reclamando que eu não tinha um hobby. Agora arrumei um… Organizar e classificar quase seis mil cartas de Magic: The Gathering.

Mas dói um pouquinho pensar que em algum lugar por aí tem uma cartinha solta aí valendo este bom dinheiro.

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