17 de dezembro de 2018

Crônicas ao Volante #1: Os passageiros que só falavam inglês

Muito bem amiguinhos do UBQ… começo aqui uma nova coluna onde vou contar algumas aventuras e desventuras de um hipotético motorista de aplicativo que encara o trabalho de transportar pessoas não só como um maneira de completar a renda familiar, mas também como uma grande experiência social, onde de alguma forma possam ser contados pequenos retalhos das vidas das pessoas… uma visão bem humorada com algumas liberdades literárias. Lembrem-se… são histórias inspiradas em fatos, mas livremente adaptadas para criar um efeito narrativo….

Sendo assim, divirtam-se com as ‘Crônicas ao Volante’…

20181217_cronicasaovolante

Recebo um chamado ali na altura do metrô Paraíso. É uma região próxima à Avenida Paulista que tem bastante movimento. E ali do viaduto é possível ver uma grande extensão da Avenida 23 de Maio.

O bairro tem suas origens ainda no século XIX, quando a Chácara pertencente à João Sertório foi vendida à família de Alexandrina Maria de Moraes que loteou a região, dando origem às primeiras edificações.

20181217_cronicasaovolante1

Ali por perto é possível aproveitar uma visita ao Centro Cultural São Paulo, ou então esticar até a Avenida Paulista e visitar a Casa das Rosas. Com efeito, ali também está localizada a Catedral Metropolitana Ortodoxa, inaugurada em 1954.

20181217_cronicasaovolante2

À minha espera, um casal… e foi ela quem chamou o aplicativo. Após as apresentações e definição do trajeto, iniciei a viagem. Alguns minutos se seguiram e o casal inicia uma conversação bem animada e intensa…

Com um pequeno detalhe… em inglês.

Pois é… até o momento do embarque, um casal típico brasileiro, conversando em português nativo e de repente… uma conversação em inglês…

Até aí, para mim seria indiferente… eles poderiam falar até em Bantu-Javanês que daria no mesmo para mim. A questão é que eu tenho fluência no idioma. E obviamente consegui entender praticamente tudo que eles conversavam.

Era uma conversa até enfadonha… o rapaz havia retornado naquele mesmo dia dos Estados Unidos (estava em Chicago) e depois a conversa seguiu para algo sobre o trabalho, pois eles comentavam e criticavam ativamente algum relatório que lhes fora apresentado naquela tarde.

Em determinado momento, cansei de acompanhar a conversa e tratei de me concentrar no trajeto da viagem. Era uma conversa privada e a troca de idioma talvez fosse uma forma de buscar alguma discrição ou até mesmo alguma privacidade.

A viagem seguiu até que notei um comentário da moça para o rapaz:

- Did you see that? Here in the profile it appears that he speaks English!!!

- Ah ... I would not worry about that. Probably he simply put it there to enrich the profile.

Enriquecer o perfil, é? Tá bom… enfim… a moça continuou:

- But did he understand anything we said?

- Probably not ... if he had understood a word, don’t you think he would’ve said something already?

Então, foi a minha vez de falar… e já que estávamos no idioma bretão, mantive a linha…

- Yes ... I understood several things you said. But by education and respect I just said nothing.

Silêncio perturbador…

Levou um tempo até que alguém dissesse algo. A iniciativa veio do rapaz:

- O senhor fala e entende inglês? – Desta vez ele falou em português mesmo.

- Perfeitamente! - Eu respondi… e em português, já que voltávamos ao idioma local.

Novo silêncio constrangedor. Pelo resto da viagem parecia ser mais um carro acompanhando um cortejo fúnebre. Ao chegarmos ao destino, anunciei nossa chegada em bom e prosaico português. O casal desembarcou, sem dizer ‘boa noite’ ou ‘obrigado’ ou qualquer outra manifestação de agrado ou desagrado… apenas o silêncio. Que em alguns momentos é uma língua universal bastante clara.

Levei alguns minutos para processar os fatos… talvez o embaraço tenha ocorrido pela situação, ou então porque talvez eles estivessem conversando algum assunto confidencial… eu não saberia dizer.

20181217_cronicasaovolante3

Mas o que sei é que logo em seguida comecei a rir… uma risada clara e efusiva…

E acho que qualquer um entenderia a graça… não importando o idioma…


10 de dezembro de 2018

Qual será a idade ideal? (Crônicas Amarelinhas #6)

Em tempos de classificação indicativa para as crianças, limitando o que elas podem ou não ver, presenciei uma cena, que me chamou muito a atenção e me deixou bem reflexivo.

20181210_amarelinhas

Indo para o trabalho, observei uma mãe levando suas filhas para escola (mais tarde descobri que era uma filha e uma sobrinha da mulher), tudo normal, até então…

As meninas tinham por volta de 5 ou 6 anos. O que tinha de diferente era o batom das meninas, bem chamativo por sinal. Duas meninas, de idade pré-escolar, com maquiagem, de manhã cedo?

Peço desculpa, pelo meu espanto, mas fiquei bem impressionado. Uma criança pode usar maquiagem? A partir de quantos anos uma criança pode usar? Por que uma criança usa maquiagem para ir à escola? Maquiagem, como é sabido por todos, é algo cultural, usado pela humanidade em várias culturas para demonstrar aos demais algum sentimento, característica ou vontade.

20181210_amarelinhas02

Na sociedade em que vivemos, maquiagem é usada para ocasiões de festas e eventos para ressaltar a beleza das pessoas. Geralmente tal prática é feita por adultos, pois ressaltar e valorizar a beleza é uma atitude de “gente grande”. Dessa forma, qual o motivo para que uma criança use maquiagem? Ressaltar a beleza, também?

Será que estamos deixando nossas crianças adultas muito cedo? Como educador, sempre tive ressalvas com relação as creches e escolas de educação infantil. Não por não confiar no trabalho dos professores, mas por colocarmos independência e maturidade muito cedo a uma criança. Ao mesmo tempo que estamos preparando ela para o futuro, podemos estar preparando ela para o futuro cedo demais.

20181210_amarelinhas02

No passado – e não muito distante – a criança sempre foi vista como uma adulto em miniatura. Apesar de tal conceito ter mudado, talvez a ideia antiga pode estar presente ainda. Seja no jeito de se vestir, de falar, de se maquiar ou se relacionar. Isso é por nossa causa, os ditos “adultos”.

Ser criança é tão bom. Uma fase maravilhosa de descobertas, experiências e vivencias novas, seja no mundo real, seja no mundo imaginário. Para que pulamos isso?

7da0846d1f8e1997941dc3357836b9a0

Depois de adultos, nos comportamos, agimos e pensamos como crianças. Nossa nostalgia está em todos os lugares. Por isso penso em outra questão, qual seria a idade ideal, para ser simplesmente uma criança?

7 de dezembro de 2018

O Último Discurso

A beca não era tão quente e ele não suava lá dentro como imaginava. Até ali corria tudo bem. Faltava uma meia hora para entrarem sob "Pompa e Circunstância" na casa de shows lotada para a formatura. Discretamente abriu mais uma vez o discurso de orador da turma que trazia nas mãos. Foi quando percebeu que a voz lhe faltou. Mágica e histericamente ele ficou mudo. Nem quando tossia conseguia emitir um ruído. Riu-se por dentro. Não estava nervoso. Não estava feliz. Não sabia como estava, até porque nos últimos anos não soubera como deveria estar.

20181207_michel

Achou por bem ir para uma fresta do grande recinto, por onde entrava uma corrente de vento. Havia no local bancos de cimento, como os de praça. Devia ser um fumódromo ou coisa parecida, mas ninguém estava ali. Só ele.

Abanou-se com o discurso até que sentiu uma corrente de ar fresco, quase uma rajada. Parou de se abanar e pousou a resma de papel no colo, como que a cuidar daquilo. Ouviu uma voz do seu lado:

- Aproveita que é o último!

Olhou para o lado e não viu nada nem ninguém…

Foi quando percebeu que aquela voz lhe era muito familiar. Olhou de novo. Um senhor gordalhufo, calvo, de óculos,com uma barba farta, testa suada sentado estava do seu lado no banco, espalhado, meio recostado, as pernas entreabertas, enfim, uma postura desleixada.

Ficaram se entreolhando sem expressão nas faces. Ele assustadíssimo, pensou que além de mudo dera para alucinar. Pensou em procurar um trago. Mas de alguma maneira a expressão respeitosa do outro ao seu lado o acalmava…

Perguntou a ele:

- Quanto tempo se passou?

- De hoje, mais dezenove anos.

- Então hoje, para você, é dezesseis de dezembro de dois mil e dezoito.

- Até agora era. Aí eu decidi vir dar um pulinho aqui.

Ficara ali se olhando… e se alguma emoção pudesse ser extraída ali, era a curiosidade.

- Ficou interessante a barba… Nunca imaginei!

- É boa para esconder as bochechas. Chega numa hora que fica difícil tirar.

- Entendi. Você engordou mesmo. Muito!

- Calma aí, você já está gordo... Pesa quanto?

- Noventa.

- Hoje tô com cento e dez. Praticamente um quilo por ano.

- Nossa... nunca imaginei que passaria dos cem! Mas o cabelo tá resistindo. Achei que ia ficar todo careca.

- Continua a Finasterida. Talvez a coisa mais disciplinada que você fez na vida. Você vai tomar ainda por uns bons anos. Te devo essa!

E se riram. E fizeram um silêncio meio longo.

- Por que você voltou?

- Para que você me visse.

- E por que eu teria que te ver? Qual o problema com você? Tirando os óculos...

- Teve uns piripaques cardiológicos, nada importante… Os óculos são por conta do glaucoma. Mas não incomodam. Quer usar um pouco?

- Não, não. Está tudo bem, tá tranquilo.

Novo silêncio…

- É que... eu sei que eu, quer dizer, a gente, não diz diretamente as coisas, mas se você tem algo a me dizer, eu preferia que não perdesse a viagem, sabe como é né? Daqui a pouco vai acontecer. Não teve jeito, vai acontecer.

- Jeito teve, porra! – A frase saiu num tom alto. – Tudo isso em volta. Esse discurso aí no seu colo, essas coisas que você fez usando essa retórica, tudo isso foi para tornar mais suportável isso aí. Foi para te dizer para você mesmo que você era viável, que não era tão burro assim, foi para te inserir nesse meio aí, esse mesmo meio de onde você vai começar a sair agora. Esse foi o jeito que você encontrou para levar tudo isso. Por esta razão eu disse que esse será seu último discurso. Não vai fazer mais sentido precisar disso depois de hoje…

- Pode ser. Faz sentido. Mas... vai acontecer o quê? Eu vou ser o quê?

- Vai seguir essa profissão.

Ele se abanou com o discurso de novo. Não entendia se estava aliviado ou tenso com aquela notícia. Mas resolveu perguntar:

- Mas... se não houver mais essas coisas, como é que eu posso dizer, 'por fora', eu vou levando como?

- Levando.

- Como?

- Levando… cacete! Fica tranquilo! Vai ser mais fácil que você pensa.

- Tá. Posso te perguntar uma coisa, assim, não se ofenda.

- Vamo lá… pergunte!

- Para onde eu, quer dizer, você... sei lá, nós fomos nesse tempo?

- Você fala como? Viajar?

- É!

- Você tem passaporte?

- Não. Calma, eu me formo hoje. – E viu que ou outro tentava segurar o riso...

- O que foi? Você também não tem?

- Eu acho que a resposta é 'continuamos não tendo'...

- Vixe... então não fomos a lugar nenhum.

O outro respondia um "não" veemente com a cabeça.

- Tá... eu preferi investir em patrimômio?

O outro sorriu de forma generosa, sem sarcasmo.

-Eu... na sua idade... juntei o quê?

- Eu prefiro dizer que você vive bem e não passa necessidade. Fique tranquilo quanto a isso.

Mas ele se inquietava cada vez mais.

- E... quanto a filhos? Não, né?

- Vão demorar, fique em paz. Vão demorar bem. Mas você vai gostar, vai gostar bem. Você vai ver.

- E quem sabe eles me colocam no eixo, trazem sentido a isso aqui.

- Agora você está exagerando. Sentido é uma coisa que você talvez...

Neste momento ele sentou-se com solenidade no banco, tirou os óculos, secou os olhos e pareceu fixar o olhar ao longe.

- Tá na hora de eu ir embora.

- Peraí, fica mais, assiste aí!

- Eu sei o que vai acontecer aí.

E se olharam demoradamente e sem emoção…

- Antes de eu ir, e de você ir compor a fila de entrada, eu poderia sugerir uma alteração no seu discurso?

- Claro! Afinal é o último. Que seja nosso!

Ele trazia uma caneta e estendeu ao formando, advertindo:

- Pega essa citação final e risca, vamos colocar outra. Eu cito e você ouve, depois, se você gostar eu dito e você escreve, beleza?

- Pode ser…

- Vamos lá. Eu preciso que você feche os olhos enquanto ouve. Depois eu dito, pode deixar.

Ele fechou os olhos. O outro começou:

- Nunca fiz por menos, sobretudo depois de determinada época de minha vida, no dia em que entendi que devia tentar tudo… porque só há um homem respeitável: aquele que realiza o máximo do potencial de personalidade que a natureza lhe deu.

E continuou…

- Que isso seja pouco porque o destino lhe foi parco em dádivas e talentos não o desmerece. O que desmerece um homem é a humildade, é o não-tentar, o não se descobrir, não se pesquisar, o não saber para que veio e que notícias traz. Eu já sei a que vim e o grito o mais alto que for possível. Se não me entenderem… azar o meu algumas vezes e sorte minha outras tantas.

Ele, após ouvir aquilo, não conseguia dizer nada por conta de um travo na garganta. Só conseguiu após alguns minutos dizer "você pode me ditar isso?" Mas o que ouviu foi um grito:

- Acorda!!! O que você está fazendo aí? Vai começar!!!

Era o chefe do cerimonial desesperado. Ele olhou no banco, do lado dele não havia mais ninguém. Por um momento lhe adveio um pânico. Como se lembraria da citação?

Foi tomar seu lugar na fila como se fosse cumprir uma sentença. Antes deixou a caneta no banco. Não lhe pertencia, ou pertencia mas não ainda. Ouviu o mestre de cerimônias anunciar a Mesa Solene da cerimônia de Colação de Grau. Automaticamente folheou o discurso. Tomou coragem foi ler a última página, o encerramento, a citação final. Lá estava escrito "Nunca fiz por menos...” e todo o resto que acabara de ouvir. Como se ele tivesse digitado horas antes.

Sentiu finalmente uma calma consoladora. A música soou, a fila começou a andar, os aplausos aumentavam na medida em que ele chegava no pórtico de entrada da platéia. No fundo, pensava que o novo arremate tornava o discurso mais eloquente, e isso o deixava feliz. No fundo, sabia que seria o último.

20181207_michel01

No fundo, como todos os dias a partir daquele, e pelos próximos dezenove anos, só queria que tudo acabasse bem para poder ir dormir…

5 de dezembro de 2018

Baco Exu do Blues - "Bluesman" (Disco da Semana #48)

Buenas,

Semana de provas finais e fechamento de notas no colégio, correria total e irrestrita, é a hora daquele: "Prô, arredonda meu 4,2 pra 6,0?". Pois é… isso não é lenda, acontece, e muito... e nessa semana de encheção de saco "alunística", alguns deles nos trazem a luz alguns músicos e canções pra lá de bacanas. E é sobre um desses "presentes" que falo nessa semana.

20181205_discodasemana

Ultimamente as maiores surpresas na música nacional não estão aparecendo via, rock ou pop, ou reggae (o que seria o comum há alguns anos atrás), algumas das coisas mais legais que aconteceram no cenário brasileiro vem do rap, mais precisamente da Bahia.

Pra vocês verem como essa cena é rica e tá botando um monte de coisa bacana na praça, será a segunda vez em menos de um mês que me cai às mãos (ou aos ouvidos, como queiram), mais uma pérola do rap baiano, o segundo trabalho de Diogo Ferreira Moncorvo, mais conhecido pela alcunha de "Baco Exu do Blues".

20181205_discodasemana01
“Mas Junior, o disco não é de rap? Por que o blues no nome?”
Pois é, também me fiz a mesma pergunta, e só consegui obter a resposta ao escutar o álbum. Faz parte total do conceito do disco, que fala rigorosamente do empoderamento do povo negro.

Pra descarregar a sua metralhadora verborrágica, usa bases e samples  de extremo bom gosto, ponto pro DJ Bebezão que seleciona beats de funk dos anos 70, de blues (olha a ironia aí), de latinidades, regionalismos e de rock, a faixa "Flamingos" acaba com um belíssimo solo de guitarra. Seu caldeirão de referências e suas letras, diretas como um soco no nariz, já começaram a chamar a atenção fora da bolha do rap nacional (seu disco de estreia já ganhou crítica de "disco do ano" em um prêmio bem conhecido em 2017), chegando até a ganhar curtida da própria Beyoncè (a quem homenageia na faixa "Me desculpe Jay-Z").

Mas não é só sobre empoderamento o álbum, ele também fala de sexo, poder, religião, sociedade e amor, mas de uma maneira não ortodoxa (mas fala do amor do jeito normal também, não se preocupem), usa o sentimento como metáfora para algumas situações de depressão.

20181205_discodasemana02

Escreve de uma maneira pra lá de esperta para mostrar o seu ponto de vista acerca do mundo e das relações humanas, além de meter o dedo na ferida do preconceito racial que abunda por nossas terras mesmo após 130 anos do "fim da escravidão", como na faixa que dá nome ao álbum:
"Eu sou o primeiro ritmo a formar pretos ricos
O primeiro ritmo que tornou pretos livres
Anel no dedo em cada um dos cinco
Vento na minha cara eu me sinto vivo
A partir de agora considero tudo blues
O samba é blues, o rock é blues, o jazz é blues
O funk é blues, o soul é blues
Eu sou Exu do Blues
Tudo que quando era preto era do demônio
E depois virou branco e foi aceito eu vou chamar de Blues
É isso, entenda
Jesus é blues
Falei mermo".
Quer entender como é possível fazer rap de maneira brasileira, com a nossa malemolência, sem perder a crueza, falando de amor, sem perder a virulência nas críticas, clica aqui e ouça já esse discaço. Obrigatório!!! Daqueles que mudam a sua visão sobre um ritmo, candidatíssimo a melhor disco do ano.

Que o orixá escolhido no seu nome artístico, o ajude a abrir os seus caminhos. Vida longa a mais um grande cronista da vida brasileira que surge por aqui.

Logo menos tem mais.

4 de dezembro de 2018

Mega Man X – É a ferro e Fogo….

Fala rapaziada do UBQ… Tudo “belesma”? Bora seguindo com mais uma semaninha de jogos aqui na coluna. Desta vez trago para vocês o robozinho mais “tchuco” que eu conheço e que abriu a franquia no mundo dos 16 bits. Estou falando do reploid mais querido da galera… o Mega Man.

20181204_borajogar

Sim, amiguinhos!!! Hoje é dia de falar dele mas não do que conhecemos, mas sim da sua versão futura… o Mega Man X ou como muitos chamam apenas “X”.

[ Sobre o jogo ]

Este game chegou no Super Nintendo em 1994 e trouxe uma nova franquia para nosso amiguinho. O game se passa em 21XX (porque ninguém sabe exatamente o ano já que a porra está uma bagunça) e mostra novos personagens.

20181204_borajogar002

Vamos lá… Aqui não temos mais o nosso querido e carismático Dr. Light (pai do Mega Man e do Mega Man X) mas sim Dr. Cain, paleontólogo responsável pela escavação que encontra o antigo laboratório do Dr. Light e consequentemente a capsula em que estava “X”.

A partir daí, Dr Cain estuda toda a construção por parte do “primeiro” novo reploid e começa a desenvolver máquinas semelhantes ao X, capazes de agir com livre arbítrio. Tudo ia bem até que algumas começaram a ficar doidonas e se rebelaram contra os humanos, formando um grupo chamado Mavericks e causando um baita de um estrago na sociedade.

Para enfrentar esse grupo foi criada uma equipe chamada de “Maverick Hunters” (Caçadores de Mavericks, em tradução livre) liderado por um reploid bem poderoso e famoso de nome “Sigma” para auxiliar a raça humana na luta contra os “robôs do mal”. Sobre seu comando, os caçadores estavam conseguindo trazer vantagem para as pessoas trazendo esperança sobre o fim da guerra reploid.

Porém, como nem tudo são flores, Sigma rebela-se e se volta contra os humanos.

20181204_borajogar003

Sim, um vírus criado pelo Dr. Willy, vilão da série Mega Man e maior inimigo do Dr. Light, é o responsável por deixar os robôs doidões e por isso a bagaça toda está acontecendo.

Para liderar os caçadores aparece Zero, outro Reploid bonzinho na pegada do Mega Man X (mas que na minha opinião é de longe o melhor personagem de toda série) e, junto com X pretende acabar com toda a treta que Sigma vem causando.

20181204_borajogar004

[ A jogabilidade ]

Rapaziada o jogo é animal! De toda Franquia X é um dos que mais gosto junto com o X4. Assumo que depois do X5 eu parei de jogar porque virou palhaçada…

Não existe nada de muito novo aqui. O X continua sendo um jogo de plataforma, você atira com seu Mega Buster, pode acumular poder e soltar um tiro mais forte, continua “copiando” o poder dos mestres que destrói porém, diferente da série clássica, em Mega Man X você começa a encontrar novas armaduras deixadas pelo Dr. Light.

20181204_borajogar005

O querido doutor deixou espalhadas pelo mundo diversas cápsulas contendo um upgrade da armadura (conhecida como armadura Branca) que permite no primeiro game a dar um dash (diferente do “carrinho” que o Mega Man dava), acumular mais níveis de tiro, entre outras coisas.

Vale muito a pena jogar porque Mega Man é difícil de enjoar. Prova disso é o fato dele ter atravessado gerações de games, começando lá no 8 bits chegando nas atuais plataformas PC/XBOne/PS4.

Uma curiosidade legal do game é que ele foi reformulado para uma versão “3D” lançado para o PSP com o nome de “Mega Man Maverick Hunters”. Mesmo jogo, mesma história e mesmos personagens. O que muda são os gráficos e as localizações das cápsulas de armadura. Vale a pena jogar também (Tenho o do Super Nintendo e do PSP, pronto falei).

20181204_borajogar006

Outra coisa é que “X” solta Haduken... O QUE?????

Isso mesmo! Se você pega todas as partes da armadura branca e faz uma sequência bem precisa de ações na fase do ‘Armored Armadillo’, você consegue encontrar a ultima cápsula de armadura do jogo que apenas te dá o poder de soltar uma espécie de “Haduken” (Raduqui, Rabugueti, Humburguer, Aduquem, ou sei lá você chama na sua casa).

Para isso basta, após pegar a cápsula, fazer a mesma mecânica do golpe do Ryu em ‘Street Fighter II’: Baixo, frente e soco (que aqui é o botão de tiro) e Voilá! Você solta o Haduken com as mãozinhas aberta e tudo.

20181204_borajogar007

O golpe só pode ser disparado se o “X” estiver com a barra de vida em 100%, mas se você acertar qualquer inimigo – eu disse qualquer inimigo mesmo incluindo o Sigma e os demais chefes – você os derrota com apenas um hit. Legal não, é?

[ Veredito ]

Enfim rapaziada, joguinho bom, maroto e para quem quiser, mas não tiver o Super Nintendo ou o PSP, basta procurar nas lojas de game ou na rede do seu console preferido pois recentemente foi lançado o ‘MegaMan X collection’ que traz na primeira parte os jogos de 1 ao 4 e na segunda de 5 a 8.

Vale um selinho? Vale!

20181204_borajogar008

Vou ficando por aqui, obrigado pela atenção e tchauzinho.

29 de novembro de 2018

Os Sonhadores - Uma Homenagem a Bernardo Bertolucci

Olá meus queridos!

Bem vindos de volta a esse nosso papo sensacional sobre cinema aqui no UBQ. Essa semana, infelizmente, perdemos mais um dos grandes mestres do cinema, o, por vezes polêmico, por vezes engraçado, mas sempre inteligente e muito talentoso, Bernardo Bertolucci.

20181129_luzcameratextao1

Bertolucci era uma grande parte da história do cinema mundial, dono de uma carreira além de invejável, com uma série de prêmios e dois prêmios da academia em seu nome, ele foi diretor assistente de ninguém mais, ninguém menos que outro grande mestre faixa coral do cinema… Pier Paolo Pasolini.

Bertolucci dirigiu, escreveu, produziu, uma quantidade realmente impressionante de obras, sempre com um estilo muito peculiar e uma forma muito única de contar suas histórias.

Pra ilustrar um pouco dessa carreira, escolhi um de seus filmes, um dos mais recentes dirigidos por ele, considerando que ele encerrou sua carreira de diretor em 2013. Vamos falar um pouco sobre Os Sonhadores, de 2003.

[ A história ]

Esse filme, dirigido pelo Bernardo Bertolucci, estrela o Michael Pitt, Louis Garrel e a hoje conhecida e tão subestimada Eva Green.

20181129_luzcameratextao02

Os Sonhadores conta a história de Matthew, um estudante americano em um intercâmbio pela França no final dos anos 60, enquanto uma revolução estudantil acontecia em Paris. Matthew é um apaixonado por cinema e, nos seus passeios e idas ao cinema, ele acaba conhecendo um casal de irmãos gêmeos, Isabelle e Theo, que também frequentam o cinema regularmente.

20181129_luzcameratextao04

Uma amizade nasce entre os três e acabam convidando Matthew pra jantar na casa da família dos gêmeos. O jantar ocorre normalmente com os pais dos gêmeos e Matthew acaba dormindo na casa. Os pais dos gêmeos, no dia seguinte saem em viagem, deixando Matthew e os gêmeos sozinhos.

A partir desse momento sozinhos, Matthew percebe que aqueles irmãos tem um relacionamento, digamos, mais próximo que o comum e acabam trazendo Matthew pra esse relacionando e os jogos sexuais e mentais que esses irmãos adoram fazer, sempre envolvendo o cinema como tema desses jogos.

20181129_luzcameratextao03

Encerro por aqui essa sinopse desse filme tão provocativo e tão inteligente e já aviso que não é um filme pra assistir com a família na sala, pois apesar de ser um filme inteligente, Bertolucci sempre utilizou a nudez e o sexo nos filmes dele como ferramentas narrativas muito poderosas, coisa que ‘Os Sonhadores’ faz muito bem.

[ Análise ]

Acredito que esse filme seja um dos mais incisivos e apaixonados do Bertolucci, pois nessa obra ele usa a relação dos gêmeos e a inocência do Matthew pra falar muito sobre a perda da inocência, até onde vão nossos controles aos desejos e o que acontece quando toda a "decência" é abandonada e alguém se entrega totalmente àquilo que deseja. Tudo isso regado a uma grande declaração de amor ao cinema, que também é uma marca muito forte de Bertolucci em praticamente todos os filmes que fez.

20181129_luzcameratextao05

E segura esse trailer!

Mas, fica aqui um aviso: lá no começo eu falei que às vezes o Bertolucci foi um cara bem polêmico, como por exemplo o quase estupro de Maria Schneider durante as filmagens do "Último Tango em Paris", tudo em nome do "realismo".

Bom… em ‘Os Sonhadores’, apesar de não ter esse histórico de violência, ainda assim pode ser visto como tendo vários problemas, o excesso de nudez e as situações e jogos sexuais podem acabar sendo vistos como quase pornográficos pelo espectador, a experiência cinematográfica é algo bem subjetivo, então… né… assista sob própria conta e risco.

20181129_luzcameratextao06

O filme tem coisas muito interessantes a dizer, mas ele também exibe imagens e temas fortes, por isso, saiba onde está entrando e não diga que eu não avisei antes!

Enfim, apesar das polêmicas, Bernardo Bertolucci foi, inegavelmente, grande parte da história do cinema, um excelente diretor e alguém cujas obras merecem ser aproveitadas.

Descanse em paz e com a sensação de dever cumprido!

20181129_luzcameratextao01a

Fico por aqui, então a gente se vê na próxima coluna, pra falar de outro filme, com menos homenagens, tristezas e polêmicas (eu espero!). Até a próxima e bom filme!

[ Serviço ]

  • “Os Sonhadores” (The Dreamers), 2003 – Drama/Romance, 115 minutos
  • Sinopse: Matthew  é um jovem que, em 1968, vai estudar em Paris. Lá ele conhece os irmãos gêmeos Isabelle e Theo. Os três logo se tornam amigos, dividindo experiências e relacionamentos enquanto Paris vive a efervescência da revolução estudantil (Fonte: Adoro Cinema).
  • Direção: Bernardo Bertolucci
  • Produção: Jeremy Thomas
  • Elenco: Michael Pitt, Eva Green, Louis Garrel.
  • Lançamento: 10/10/2003 (Itália)
  • Disponibilidade na data da publicação desta resenha: indisponível nas plataformas de streaming Netflix, Amazon Prime e Google Play.

28 de novembro de 2018

Scatolove - "Lei de Muffin" (Disco da Semana #47)

Buenas,

Semana complicadinha… entrega do TCC, fechamento de estágio além de algumas  burocracias universitárias. Me acompanhando no meio desse caos de documentos, textos e pdf’s, a estreia do Scatolove. E que ajuda providencial, um oásis de sanidade e bom gosto no meio de toda essa confusão universitária.

20181128_discodasemana

Leo Ramos é um cara pra lá de criativo. É produtor de mão cheia, um baita músico (toca TUDO!!!) e escreve algumas das melhores letras dos últimos anos com sua banda principal, a Supercombo.

Nesse disco, foge um pouco da sonoridade de sua banda de origem, se dá o direito de soar mais pop, mais plural e de mudar seu instrumento, assumindo as baquetas, os teclados e parte das vozes (o cara é um polvo!).

Mas não faz isso sozinho, conta com a ajuda pra lá de especial de Edu Filgueiras (do ‘Far From Alaska’ no baixo/guitarra) e de sua inseparável Isa Salles (esposa e cantora com uma voz incrível) para criar um dos discos mais divertidos e criativos de 2018.

20181128_discodasemana_001

Fofo, mas sem perder a acidez e sem abrir mão de temas densos (mesmo que sejam ditos com leveza), falam sobre cotidiano e relações humanas de maneira tão autoral que parece que cada uma das canções são passagens reais da vida de ambos, sem abrir mão de criticar a sociedade contemporânea (e todas as suas doenças: do corpo, alma e cabeça).  Pra refletir sem abrir mão da diversão (fator preponderante a este discaço).

Com uma produção absurda (feita praticamente em casa), sonoridades e timbres que mesclam o orgânico e o eletrônico, além de um instrumental pra lá de bem executado, servem como plano de fundo pra alguns dos vocais mais marcantes da já longeva carreira do casal. Hora voando solo, hora em dueto, não se furtam imprimir sua marca e impor seu estilo, e o fazem de maneira tão natural, que é possível perceber o quanto eles se divertiram ao gravar e ao criar essas canções.

20181128_discodasemana_002

Um disco pra cantar junto, em alto e bom som (em casa ou ao vivo num show da banda) que mostra que o Scatolove veio pra ficar, e não ser apenas o projeto paralelo de dois músicos profícuos em busca de diversão.

O negócio aqui é coisa de gente grande, um discaço. Candidato sério a melhor disco de 2018, esse é daqueles discos que a gente se orgulha de apresentar pros amigos.

Quer uma análise sincera e divertida do mundo sem soar careta, clique aqui e divirta-se.
Logo menos tem mais 

27 de novembro de 2018

Assassin’s Creed 2 – Nada é verdade, tudo é permitido.

Olá amiguinhos do Um blog qualquer, tudo na paz? Hoje estamos aqui para falar de um jogo que meus queridos, me fez curtir demais esta franquia. A trilogia do Ezio começa aqui.

20181127_borajogar

Galera eu comecei a jogar esta franquia por este game, depois eu fui jogar o primeiro com Altair… aí não teve jeito… virou xodó.

[ Sobre o jogo ]

Desta vez o jogo se passa na Itália e mostra a família Auditore, rica, influente e com um grande segredo: sua ligação com os Assassinos.

Bom, logo no começo do game nós já descobrimos que Ezio irá enfrentar uma baita rede de Templários que está embrenhada na Itália. E o que esses caras fazem pra facilitar a vida? Eles acusam a família Auditore de um crime e executam alguns de seus integrantes sendo que Ezio e sua mãe são um dos poucos que escapam.

Ezio descobre um baú nas coisas da família e lá encontra a famosa roupitcha dos assassinos e sua mais icônica arma, a hidden blade.

20181127_borajogar_001

Dai em diante você joga com um cara que nunca recebeu treinamento algum para fazer o que estava prestes a fazer porém que vai evoluindo durante o game mostrando que seu DNA guarda todas as lembranças, técnicas, conhecimentos que ele precisa para se desenvolver como um grande assassino.

O mote não muda muito de qualquer outro joga da franquia, os templários querem ampliar o poder se embrenhando em posições fortes na região e os assassinos na surdina tentando impedir o progresso do inimigo.

20181127_borajogar_002

O que destaco aqui é a beleza das cidades italianas que são apresentadas no game e o profundo estudo histórico do time da Ubisoft.

[ A jogabilidade ]

Galera, é um jogo que vale a pena ser jogado pois além de trazer uma ambientação animal, a história é envolvente o personagem é carismático e tudo joga a favor…

Tão a favor que mais duas continuações da história de Ezio foram lançadas, uma chamada Assassin’s Creed Brotherhood que continua exatamente de onde o Assassin’s 2 parou (sério tipo o filme do final acaba no 2 e é dai que começa no brotherhood) e Assassin’s Creed Revelation que mostra um Ezio mais velho, com mais recursos bélicos, uma hidden blade em forma de gancho que só tem neste game e uma localidade animal… o reino da Constantinopla.

Mas esses outros dois eu falo depois…

A jogabilidade aqui não muda muito do que vemos no primeiro game ou em outros, tem corrida, escalada, esquiva, aparar com arma, esquivar e atacar, armadura, armas corpo a corpo e à distância.

20181127_borajogar_003

O que temos aqui são novos elementos que dinamizam mais o personagem como a visão aquilina sem em terceira pessoal e não em primeira como no Assassin’s Creed original, dando a Ezio a passibilidade de utilizar este recurso em movimento, hidden blade dupla presente do amigo de Ezio, Leonardo Da Vinci (lembra que falei do cunho histórico? É animal!!!) que te possibilita eliminar 2 alvos ao mesmo tempo e nadar agora também é possível.

Além de dinamismo por parte do personagem há também um sistema econômico que você vai desbloqueando ao longo do jogo através de estabelecimentos que você compra e aprimora em uma vila que você passa durante a história…(não posso falar mais que isso para não dar spoiler, ok?).

[ Veredito ]

Cara… vale muito a pena, eu tenho este como meu preferido (essa trilogia, no caso) e recomendo demais. Tenho até um action figure do Ezio.

Uma curiosidade que envolve o game é a quantidade de easter eggs que você encontra pelo fato do game trazer bastante realidade. Então várias figuras importantes da história aparecem como o supra citado Leonardo da Vinci, Rodrigo Borja, entre outros.

Outro fato que vale a pena prestar a atenção é no momento que Ezio chega a uma vila(Monteriggioni) e encontra seu tio Mario… atenção no momento do encontro... eu ri com esse easter egg.

20181127_borajogar_004

Por fim uma curiosidade pessoal….

Meu avô é filho de italianos e durante o gameplay houve uma manhã que ele passou por mim enquanto eu jogava e viu na tela um edifício histórico italiano que eu – vergonhosamente – não me lembro agora  qual é...

Ele me perguntou se era mesmo o prédio. Acessei o banco de dados do game e vi que eu já tinha desbloqueado a historia do local então eu li o nome e os fatos históricos de lá, comprovando que meu avô tinha razão.

Ele adorou saber que o jogo de vídeo game trazia esse tipo de conteúdo e ao perceber isso, eu sai andando pela cidade para mostrar outras localidades pra ele. Ponto para Ubisoft que fez um ótimo trabalho histórico e chamou a atenção do meu avô.

20181127_borajogar_005

É isso amiguinho, quem puder pode jogar esse e os demais games do Ezio porque tem para geração atual de consoles. Se não jogou, está esperando o que? Sério joga esse pelo menos, os demais eu deixo não jogar (O “Black Flag” é animal também então joga esses dois, certo?).

Selinho de aprovado.

20181127_borajogar_006

Um abraço pessoal e até o próximo game.

26 de novembro de 2018

Eu poderia estar roubando… (Crônicas Amarelinha #5)

No último fim de semana, fui visitar uma bela cidade turística aqui nas proximidades e consegui pegar uns bons dias de sol, tendo a oportunidade de andar na beira mar desta cidade e apreciar a praia, a areia e as belezas naturais.

20181126_amarelinhas

Não quero falar, necessariamente, das belezas naturais, mas sim das pessoas. Ao andar por poucos metros, bem no coração da praia, vi muitas pessoas bem distintas. Em um primeiro momento vi vários idosos.

Realmente o pessoal da terceira idade se faz muito presente na praia. Principalmente nesse período que ainda não é considerado alta temporada. O pessoal que está aposentado, gosta de frequentar esses ambientes, para gastar e se divertir.

20181126_amarelinhas_001

Além dessas figuras, me destacou também, um grande número de pedintes, moradores de rua e pessoas “avulsas”. Os considerados excluídos da sociedade, estavam lá. Dormindo nos bancos, deitados na porta do shopping, manobrando veículos, circulando entre um ponto e outro, esperando uma oportunidade de ganhar um dinheiro (de forma lícita ou ilícita), para comprar comida, ou até drogas (lícitas ou ilícitas).

20181126_amarelinhas_002

Talvez o meu destaque seja algo rotineiro e comum nas grandes cidades. Mas não deveria ser. Não é possível que seja normal ter um exército de pessoas, em idade apropriada para o trabalho, que não estão trabalhando. Mas estão por aí, sem grandes objetivos. Esse é um sério problema social, o que falta para essas pessoas?

Será que lhes falta emprego? Será que lhes falta conhecimento para o mercado de trabalho? Será que lhes falta vontade de trabalhar? Será que lhes falta condições para sustentar seus vícios? Será que lhes falta acolhimento familiar?

Conversando com pessoas, que conhecem essa realidade, ouvi o relato de que o governo contrata um ônibus (ou algo similar), recolhe essas pessoas, consideradas “avulsas” e os leva para outro lugar. Ou seja, durante a alta temporada do verão, esse problema deixa de existir. Os turistas então não percebem o problema, só percebem as belezas e as atrações da cidade. Portanto, problemas social resolvido, não é mesmo?

20181126_amarelinhas_003

Resolvido, até surgirem outros pedintes, mendigos e desempregados, no próximo ano e o ciclo começar de novo. Novamente os invisíveis se tornam visíveis, até ficarem invisíveis de novo e te abordarem na rua, dizendo as seguintes palavras “Eu poderia ter sumido...”

21 de novembro de 2018

Gram - "Outro Seu" (Disco da Semana #46)

Buenas,

A resenha de hoje é de um disco não tão novo, mas de uma importância vital na minha bagagem musical e um dos maiores discos do rock brasileiro.

Eu tive o prazer de escutar esse disco ao vivo em um pocket show que eles fizeram no começo de dezembro/2014. Aliás, na ocasião, tive a oportunidade de resenhar aquele show aqui mesmo no UBQ… Você pode conferir a resenha neste link. E o que eu posso dizer? Bom… ele soa tão bem quanto em estúdio. Hoje falamos da volta… o retorno triunfal do Gram.

20181121_junior_outroseu

Cara, que disco é esse?! SENSACIONAL!!! O Gram, após 7 anos de hiato, voltou em 2014 com os dois pés no peito, cobrando o seu posto de melhor banda do rock’n’roll brasileiro (com méritos e direitos) e lançando o disco do ano (entre os nacionais… fato consumado).

Após o fim abrupto e inesperado em 2007 com a saída do vocalista e principal compositor, Sérgio Filho, como continuar? Levou um bom tempo para que os remanescentes (Fernando Falvo na bateria, Marcello Pagotto no baixo e Marco Loschiavo com as guitarras) conseguissem equalizar o término e se reconstruírem como banda e unidade.

20181121_junior_outroseu1

Infindáveis pedidos públicos de volta, e várias conversas com o ex-vocalista aconteceram sem que se houvesse um consenso sobre o retorno. Ao final, optou-se pela continuidade, mas com um novo vocalista, Ferraz foi incorporado e deu o gás que eles provavelmente precisavam pra voltar a ativa, da mesma maneira inesperada com que foram.

O disco – um EP com 7 canções, e menos de 40 minutos – nos deixa sedentos por mais novidades. Abre guitarreiro com "Sem Saída", a escolhida pra ser o single de estreia. O disco é plural, muito diversificado.

Da balada cheia de slides e violões e letra genial em "Toda a dor do mundo" ("... e tão bela é a luz que ilumina sem perguntar por que, por ser tão breve de si...") a levadas hendrixianas em "Meu tom", mostram que não perderam a mão e que evoluíram nesse tempo longe.

20181121_junior_outroseu2

Ecos de rock inglês dos anos 90, cozinha extremamente bem formulada, guitarras cheias de personalidade e criatividade, além de violões que são um recurso muito utilizado nesse novo trabalho dos caras, são a base para a voz de Ferraz que se impõe a frente da banda e mostra que é uma grata e positiva surpresa, principalmente em "Sei" onde o vocal realmente toma a frente.

O mais bacana, foi contarem com o aval e apoio do antigo vocalista, que deu a sua benção pra que essa volta acontecesse, e se declarou fã dessa nova formação.

O Gram mais uma vez nos dá uma aula de rock’n’roll cosmopolita e contemporâneo.

Mais do que recomendado, essencial. Quer ouvir? Clica aqui.

Logo menos, tem mais.

20 de novembro de 2018

Metal Gear Solid 3 (Snake Eater) – Snake? Snake?? Snaaaaaaake!!!”

E aí, rapaziada do UBQ, beleza?

Estamos aqui reunidos para falar de mais um game da minha lista de “Top 10 games que mais gostei”… Sim amiguinhos!!! Da franquia Metal Gear direto para o conforto da tela do seja lá qual for o dispositivo que você usa para ler esta coluninha, Metal Gear 3: Snake Eater.

20181120_phvizza_mgs3

Galera esse jogo é muito, mas muito fantástico… quase sem palavras para descreve-lo. Metal Gear é uma franquia bem antiga. A primeira versão do Metal Gear foi lançada para o MSX2 em 1987.

20181120_phvizza_mgs3_1

A franquia ficou bastante famosa lançando um baita dum jogo para o PS1 (Metal Gear Solid) – e na minha opinião – o melhor da franquia e do gênero… Metal Gear 3: Snake Eater para o PS2.

20181120_phvizza_mgs3_2

[ Sobre o jogo ] 

Aqui temos um clássico jogo de espionagem colocando você na pela de Naked Snake, o primeiro grande agente da organização que daria origem à Foxhound.

Você começa no meio de uma floresta Soviética com basicamente a roupa do corpo, uma arma tranquilizante, uma missão e o grande suporte da terra do tio Sam…

Pausa para descrição do suporte…

“Snake, você está em uma missão não-oficial portanto qualquer equipamento que precisar deverá conseguir ai pois não poderá deixar nenhum vestígio de sua passagem pelo país.”

“Ahhhh, se você for pego vamos negar que você é agente americano então está por sua conta e risco…ta não está 100% por sua conta, se precisar de “nóis” aqui é só bater um rádio que estamos aqui. Um abraço fui…”

Termina a mensagem do General.

20181120_phvizza_mgs3_3

Pronto, tai um ótimo começo de jogo… Pera aí! Faltou outro detalhe: lembra do radar que tinha nos outros jogos da série Metal Gear? Bom aqui não tem essa parada não… estamos no meio da década de 60 tio… guerra fria… saporra não tem tecnologia de ponta não.

A partir daí queridão, é espionagem na raça, se escondendo, usando roupas camufladas, táticas para contornar ou engajar inimigos, não fazer barulho pra não chamar atenção, derrubar o cara com rádio para ele não passar a letra para central… E vamo que vamo… porque a floresta é uma das fases do jogo, tem coisa pra caçamba pela frente.

Eu disse coisas??? E os Inimigos PH?

Bom, tem o vilão do Jogo… Coronel Volgin que é o cara que tá zoneando a coisa toda e quer estourar uns mísseis nucleares por aí. E você tem também a principal personagem do jogo (que foi quem te treinou para ser o agente fodástico que você é)… The Boss.

20181120_phvizza_mgs3_4

Sim amiguinhos, apesar do “chefão final”, The Boss (que eu achei que ficou parecida com a Madonna) é a principal personagem tanto pela representação na vida do Snake quanto para a história que está rolando.

Existem outros dois personagens bem marcantes também, Ocelot (já conhecido de quem jogou o Metal Gear do PS1 e que aqui em Snake Eater revela porque no futuro ele é chamado de Revolver Ocelot) e Eva… uma espiã, agente dupla, cretina, boazinha, paixão, sei lá mais o que, que bagunça a vida do Snake durante o jogo.

20181120_phvizza_mgs3_5

“Mas PH a missão então é chutar a bunda deles?”

Não gafanhoto, sua missão é resgatar o cientista Sokolov das mãos de Volgin, que quer usá-lo para finalizar o projeto de uma arma de lançamento de mísseis que é capaz de atirar um projétil de um continente para outro (o avô do Metal Gear Rex).

[ A jogabilidade ]

Falando da jogabilidade, aqui é um terceira pessoa com a câmera mudando de posição de acordo com a parte da fase que você está. Você tem recursos bélicos e de suporte que vai adquirindo ao longo do jogo e precisa usar tudo o que encontrar para conseguir sobreviver.

O jogo é no estilo “stealth” mas dá pra você sair atirando como um louco ou – se quiser mais diversão – sair descendo a porrada com suas técnicas de CQC (Close Quarter Combat) e derrubar (ou arrebentar) os inimigos com as próprias mãos.

20181120_phvizza_mgs3_6

Um recurso muito útil ao longo jogo é a camuflagem…procure pelas fases tudo que for mascara, pintura de rosto e roupa pois isso vai te ajudar demais a passar por tudo que for situação.

Outra coisa legal é que você pode revisitar partes do jogo por onde já passou e pegar coisas que deixou para trás. Muito útil isso…

Prestem atenção na abertura do jogo no maior estilo início de filme do 007. Além das cenas a música… rapaz… que música! Eu tenho ela na playlist do spotify inclusive de tão boa que é.

Curiosamente, existe um momento do jogo que eu chamo de “cena da escada” em que a música é tocada novamente. Já adianto… se começarem a subir uma escada já saibam que a música vai tocar e a escada só acaba quando a música acabar (não adianta parar de subir porque a música abaixa e para de tocar retomando do ponto que parou quando você continuar subindo).

Outra curiosidade engraçada é que toda vez que você precisar recuperar vida, será preciso entrar em uma tela de cuidados médicos e executar ações específicas para cada machucado: se você sofre uma queimadura precisa seguir um passo-a-passo que vai de passar água, pomada,enfaixar, etc. Ou se você levar um tiro, tem que primeiro tirar a bala, corte tem que suturar, e por aí vai (calma… tem uma frequência na rádio que te ensina tudo).

Nesta tela, se você acionar o modo “raio x” e ficar chacoalhando o Snake, ele passa mal e vomita… é… coloca os bofes pra fora. Mano, eu rachei o bico quando descobri isso e paguei um pau quando descobri que isso é útil caso você coma algum alimento estragado (você precisa caçar alimentos para recuperar sua stamina).

[ Veredito ]

Bicho o jogo é fantástico, mas eu acho que ja disse isso né? Precisa ser jogado, ele saiu na PSN remasterizado para PS3 então tem como jogar mesmo nos dias de hoje. Eu joguei duas vezes essa budega devorando cada pedaço do jogo. Na segunda vez eu usei apenas a arma tranquilizante (é treta mas é animal jogar assim).

Se eu pudesse dava dois selos de recomendo pra esse game porque ele é um dos melhores que eu joguei e de longe o melhor da franquia.

(NOTA DO EDITOR: Dois selos?? pois não!!!)

20181120_phvizza_mgs3_7

É isso, vou ficando por aqui. Até a próxima.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...