13 de novembro de 2018

God of War – Garoto…

Fala rapaziada do UBQ! Como estamos hoje?

Bom, já que falei de jogos antigos nas ultimas duas semanas, bora falar de um joguinho mais novo… Né não!?

20181113_ph_godofwar

Sim amiguinhos, eu joguei todos os jogos desta franquia. Do primeiro aos que foram lançados pelo PSP. E sim… a franquia é animal. Sim… Kratos conquista o coração de todos mesmo não sendo o ser mais bonzinho do mundo. E sim… EU acho que este que saiu para o PS4, e não é envolvido de mitologia grega mas sim nórdica, é o melhor jogo da franquia. #prontofalei

20181113_ph-god01

Bom rapaziada, como não curtir este game onde Kratos está mais velho, mais sereno, mais amadurecido e ainda pai de família? Tudo nesta história é envolvente e faz você querer jogar mais e mais até o dia em que finalmente irá terminar.

E lágrimas cairão dos seus olhos…

20181113_ph-god02]

[ Sobre o jogo ]

Bom, vamos falar um pouco da história: o jogo começa com nosso intrépido herói e seu filho Atreus preparando o funeral da esposa de Kratos. Para isso o espartano usa seu machado (sim amiguinhos… nada de “Chaos Blade”) para derrubar diversas árvores com o intuito de fazer uma grande fogueira e cremar sua esposa. Um ritual comum para a mitologia em questão.

20181113_ph-god03

A treta é que uma das árvores tem um símbolo de uma mão “pintado” no tronco e ao cair ela acaba desfazendo um encantamento de proteção que rodeava toda a área onde Kratos e sua família moravam. É revelado mais tarde que quem colocou este encantamento foi a própria esposa – Faye – e ela o fez para protegê-los do mundo externo.

Assim que o corpo é cremado, pai e filho recolhem as cinzas da esposa e mãe e rumam para o cumprimento de uma promessa que é jogar as cinzas de Faye do pico mais alto conhecido na região.

Bom ai temos um início de jornada comum, singular, basicão.

Mas… não…

Antes de saírem para tal aventura, surge Baldur – filho de Odin – na porta da casa do nosso querido Deus Grego da Guerra e começa a indagar o espartano. Bom, claro que nada acaba bem e logo de saída rola uma pancadaria épica entre os dois (sério… é épico mesmo com direito a “Fúria Espartana” e tudo – para quem lembra dos demais games).

A porrada come solta, tem de tudo mesmo, tiro, porrada, bomba, machado, pedrada, rachadura que abre no chão, pedra gigante que cai na cabeça, sangue, olha… é coisa pra burro…

20181113_ph-god04

Kratos vence e segue para o monte mais alto (nota que Atreus, está totalmente fora desta passagem).

Bom dai pra frente é uma lindeza só. Um game cheio de mitologia nórdica, diversos personagens famosos, muito bem amarrado com o passado de Kratos e em um certo momento nostálgico para o “baralho”.

Ressalto aqui momentos de puro desafio, como o encontro com Valkírias (uma side quest animal, para dizer o mínimo); ou então engraçados como o encontro com os Irmãos Brock e Sidri. Ou ainda, tensos, como o descobrimento de Atreus.

[ Jogabilidade ]

Falando um pouco da jogabilidade, este game muda totalmente o que estávamos acostumados nos demais God of War. Aqui, a câmera fica acima do ombro do personagem no mais famoso estilo “terceira” pessoa de ser divergindo totalmente do que estávamos acostumados nos jogos anteriores da série.

20181113_ph-god06

Além da câmera outro fator bem importante de mudança é em relação à arma de Kratos: Como disse acima, nada de “Chaos Blade”. O que temos é um machado extremamente poderoso herdado de sua esposa. A dinâmica de combate é totalmente diferente de antes.

Um recurso muito útil para as lutas: Atreus. Sim amiguinhos… o filho do Deus da Guerra também luta e ajuda “bagarai” ao longo do jogo.

Por último, neste game você agora consegue não só desbloquear habilidades novas pra você e pro seu filhote, como já era nos jogos antigos, mas também evoluir sua arma utilizando cabos e jóias mágicas.

[ Dicas ]

Pra finalizar o texto hoje não trarei curiosidades, trarei dicas:

Haverá um momento em que Kratos ira revisitar seu passado para conseguir continuar no jogo (é um momento muuuuito animal, diga-se de passagem). Pra quem jogou os demais jogos da série, reparem bem neste momento e na jogabilidade após ele. É idêntica ao que tínhamos nos demais jogos porém com uma visão diferente.

Façam todas as side quests e jogue o máximo de tempo possível este game, não salvem pra voltar depois e terminar o resto. Apesar destas quests não serem obrigatórias para a continuidade do game, fazê-las enriquece demais a história ,  evita que você termine logo esta obra prima e te da vários itens legais.

20181113_ph-god08

[ Veredito ]

Gente… não tem como se arrepender de jogar isso. Os caras conseguirem fazer um game com uma puta história, uma baita continuação do personagem, além da mais pura lindeza gráfica, sonora, gameplay, etc...

Está no meu top 10 dos melhores jogos! Amiguinhos… Não tem como não gostar desse jogo. Selinho de qualidade garantido, diversão garantida e sentimento de vazio após acabar garantido.

20181113_ph-god07

Tem PS4 e não jogou? Tá moscando, hein rapá?

Se não tem, acho que seria uma boa pensar em comprar um na Black Friday, em uma promoção de Natal. Sei lá!!!

Digo isso, porque não ter este game na sua lista de jogos jogados e salvados é um baita desperdício.

É isso ai rapaziada, vou ficando por aqui e até o próximo game. Abraço!!!

12 de novembro de 2018

Stan… você fará falta

Hoje a tarde fui surpreendido com a notícia dada em primeira mão pelo site TMZ e depois confirmada pela filha do quadrinista. Morreu aos 95 anos, Stanley Martin Lieber. Mas provavelmente você o conhece melhor pelo nome que o consagrou no mundo dos quadrinhos.

20181112_ricardo_stan

A minha relação com as HQ’s de super-heróis sempre foi turbulenta. No início eu era um tanto cético com as aventuras destes heróis. Tanto do mundo Marvel, como do mundo DC. Acho que em parte isto era culpa direta dos desenhos animados horríveis produzidos na década de 60 e que tentavam resgatar na tv a mesma magia dos quadrinhos.

Depois me incomodava o excessivo “bom mocismo” dos heróis. Principalmente os do universo DC. Sempre perfeitos e verdadeiros altruístas dedicados a proteger a causa da justiça. Em minha cabeça, os heróis também poderia ter dias ruins…

O fato é que, lá nos anos 80 eu pouco li ou acompanhei estes universos (DC e Marvel).

Já na faculdade, eu voltei a reencontrar estes heróis. Seja pela leitura dos quadrinhos na casa de alguns amigos que eram fãs incondicionais dos heróis, seja pelo gradual ressurgimento do gênero ficção científica no cinema e na TV. Ou seja porque finalmente eu descobri quem era esse tal Stan Lee.

Não vou aqui neste espaço me alongar sobre a biografia e realizações deste gênio dos quadrinhos. Por ocasião de sua morte, vários sites especializados trarão os dados mais precisos sobre ele e sua vida.

E mesmo o próprio Stan Lee, já havia escrito sobre sua própria morte. Isto foi em 2014, em uma entrevista para a revista Playboy:

“Eu sei que a minha morte já está escrita. Está nos computadores do New York Times em algum lugar. Já está tudo pronto pra ser publicado. Não dá para evitar. E eu tive uma vida feliz. Não quero que ninguém pense que eu tratei o Kirby ou o Ditko de maneira injusta. Acho que nós tivemos um relacionamento maravilhoso, o talento deles era incrível. Mas não estava em meu poder dar à eles o que eles queriam”.

20181112_ricardo_stanlee01

“Eu estou sempre olhando pra frente, mesmo nessa idade. Sabe, meu lema é ‘Excelsior’, que é uma palavra antiga que significa ‘pra cima e pra frente em direção à uma glória maior’. Está no selo do estado de Nova York. Continue em frente e, se estiver na hora de ir, então está na hora de ir. Nada dura pra sempre. Caramba, eu tenho 91 anos de idade. Se eu tiver de morrer enquanto estou falando com você, eu terei vivido uma vida longa o suficiente. Eu odiaria ter de deixar minha esposa e minha filha, mas os céus sabem que isso está além de mim. E eu nem mesmo acredito nos céus”.

Stan Lee, em 2014 para a Revista Playboy.

O fato é que li os quadrinhos criados por Stan Lee – junto com outros bons cartunistas – e pude ver em suas criações que – sim – heróis também têm seus dias ruins. Peter Parker perdeu seu tio Ben… Tony Stark perdeu seus pais… Bruce Banner perdeu sua sanidade em busca de uma cura para o seu algoz Hulk. E isso sem contar os X-Men, o Demolidor (não aquele do cinema…), Doutor Estranho e outras criações que agora não me recordo.

Nos últimos anos, Lee era o rosto da Marvel. Eram personas indivisíveis e além disso, com o MCU (Marvel Cinematic Universe), suas participações nos filmes da Marvel eram realmente impagáveis.

E agora me lembrei do teaser trailer do Deadpool 2… onde o nosso anti-herói simplesmente mandou Stan Lee calar a boca…

20181112_ricardo_stanlee02

Acho que a vida dos personagens criados por Stan Lee podem ser resumidos com apenas uma frase: “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. Os personagens das HQ’s deram origem a grandes histórias… Como não ser fã do Homem de Ferro ou então não se empolgar com a jovialidade do novo Homem Aranha, ou ainda, como não achar Bruce Banner um cara boa praça sensacional?

Já tem algum tempo que Stan Lee deixou de criar novos personagens para apenas simbolizar todo um universo. Uma espécie de simbolismo que só que leu as revistas dos personagens criados por Lee poderá entender em toda sua plenitude.

Excelsior, Stan. Você fará falta por aqui…

20181112_ricardo_stanlee04

9 de novembro de 2018

Palhaços

Há um tango interpretado por Nelson Gonçalves que assevera:

"É um palhaço todo homem que não sabe envelhecer, que não sabe impor silêncio ao maldito coração".
Nelson Gonçalves in “Palhaço” (by Herivelto Martins e David Nasser)

20181109_spasmo

Pois que envelhecer é se deixar governar não pelo coração, mas por tudo que não é ele: pelas articulações dolorosas, pelos óculos - os quais cada vez mais fundamentais, pelos exames de laboratório que medem nossos parâmetros metabólicos, pelos médicos que nos tratam, cada vez mais novos. Tão moços, pobres moços, estes médicos. Ah, se soubessem o que eu sei.

O cerne do envelhecimento está em se deixar dominar pelo corpo todo e dominar por fim e inauditamente o coração. Durante toda a juventude nos perdemos pelos descaminhos e ditames do infante coração, mas a velhice nos reserva a plenipotência sobre ele, o órgão antagonista do bom senso.

20181109_spasmo02

Impor silêncio às gritarias daquele que nos diz do caminho sempre errado a seguir, que faz com deixemos "o céu por ser escuro", para irmos "ao inferno em busca de luz." Fazer com que se recolha à função de bomba. Entender que sonhos são apenas descargas do inconsciente, que tem sim lá sua importância mas que devem se confinados ao recôndito da noite devendo ser mortos à luz da aurora, eis os imperativos da maturidade.

É lógico que é preciso crer. É preciso crer em Deus, na Redenção, dada pela disciplina, pela renúncia e pelo desapego. A verdadeira paz repousa em nossas mentes e aguarda nossos passos firmes e coesos para vicejar. Basta que não olhemos para trás.

181156970

A Providência nos impôs o nascimento e a juventude, mas nos presenteou com a velhice, onde, fora da contaminação dos sonhos, podemos contemplar, uma vez fartos das nossas, as desgraças do mundo que não nos pertencem.

8 de novembro de 2018

Turbo Kid - Mad Max, só que colorido (Luz... Câmera… Textão!)

Olá meus queridos!

Antes de começar a falar de mais um filme aqui nessa lindeza que é o UBQ, vou explicar que eu sou uma pessoa que nasceu nos anos 80, então tenho uma nostalgia muito forte por essa década e tudo aquilo que surgiu na cultura pop nessa década tão estranha e divertida, portanto, minha opinião sobre esse filme é levemente enviesada e eu amo muito esse filme por tudo que ele homenageou e trouxe de lembranças pra mim.

Agora, com o aviso fora do caminho, vamos falar dessa coisa xuxu sangrenta e divertida que é Turbo Kid!

20181108_luzcameratextao03

Esse é um filme de 2015, uma produção conjunta entre EUA, Canadá e Nova Zelândia, escrito e dirigido por 3 pessoas, François Simard, Anouk Whissell e Yoann-Karl Whissell. O filme estrela atores relativamente desconhecidos, como Munro Chambers e Laurence Leboeuf.

20181108_luzcameratextao03a

Temos também no elenco, como nosso vilão principal, o inesquecível e maravilhoso (apenas pra pessoas velhas que nem eu) Michael Ironside, que fez vários vilões e personagens mal encarados durante os anos 80 e 90, como por exemplo o antagonista principal no filme CLÁSSICO Vingador do Futuro, com nosso querido Arnoldinho.

20181108_luzcameratextao03c

[ A história ]

Turbo Kid conta a história de um rapaz que não tem nome, apenas é referenciado como Kid, que não é um nome, mas o equivalente a chamarem ele de "Garoto". Ele vive sozinho em um bunker ou algum abrigo no subsolo no meio de um deserto, num mundo pós apocalíptico, com indícios de ter passado por alguma catástrofe radioativa. Kid basicamente sai com sua belíssima BMX (anos 80, minha gente… anos 80…) todos os dias para caçar coisas pelo mundo pra vender e trocar por água, comida e, o item mais essencial de todos, quadrinhos do seu herói favorito, o Turbo Rider, que tem uma luva que solta lasers e combate o mal.

20181108_luzcameratextao03d

Numa dessas viagens ele encontra uma moça, que é aparentemente a pessoa mais feliz da história do planeta Terra, chamada Apple (Sim, a moça chama Maçã mesmo, “Garoto” e “Maçã” são nossos heróis… respire fundo aí, leitor!). Os dois acabam se aproximando e desenvolvendo uma amizade e talvez um interesse romântico, isso é, até Apple ser sequestrada por um dos capangas do bandido chamado Zeus, agora o Kid tem que ir salvar sua amiga!

20181108_luzcameratextao03e

Vou parar por aqui, quero tentar deixar um pouco de água na boca pra quem se interessou pela história. Essa sinopse não revela nem 10% da maluquice desse filme.

20181108_luzcameratextao03b

[ Análise ]

Enfim, Turbo Kid, como eu falei lá em cima, no meu aviso, é uma viagem direta ao coração dos anos 80 e o cinema daquela época. Temos referências fantásticas a coisas como Mad Max, Tron, Aventureiros do Bairro Proibido, Vingador do Futuro, Laserblast, Evil Dead, Soylent Green, Karate Kid, Dead Alive, RAD, entre outras várias, incluindo uma referência MUITO bizarra a um dos meus filmes ruins favoritos, Zardoz!

20181108_luzcameratextao03f
Este aqui fica para uma próxima resenha!!!

Também conhecido como o filme que tem o Sean Connery de bota de pirata até o joelho, usando sunga vermelha com suspensórios e com esvoaçantes cabelos numa trança. Não acredita? Tá aqui embaixo a imagem e juro que é de um filme de verdade!

20181108_luzcameratextao03g
Bond… meu nome é James B… Ehrr.. não!

Bom, voltando ao Turbo Kid, vale muito a viagem pra quem estiver procurando um filme de ação, divertido, nostálgico pra cacete, engraçado e bem construído. Mas já aviso, as cenas de luta desse filme tem MUITO gore, ou seja, tripas e sangue voando ao menor soco ou sinal de violência.

O gore é tão abundante que parece um desenho animado no melhor estilo Ren & Stimpy ou se os desenhos do Pernalonga pudessem mostrar sangue. Segura esse trailer!

Fica aqui mais essa recomendação do tamanho do mundo, junte seus amigos, peça pizzas, bebam e vejam esse filme, prometo que vocês não vão se arrepender!

Então a gente se vê por aqui Luz, Câmera, Textão, até a próxima e bom filme!

[ Serviço ]

  • “Turbo Kid” (Turbo Kid) - 2015, Ação/Comédia de Aventura, 95 min

  • Sinopse: Um adolescente é fascinado por quadrinhos de super-heróis, e vive no mundo da imaginação. Um dia, ele conhece uma garota que também adora HQs, e os dois decidem partir em uma verdadeira missão. Quando o vilão Zeus ameaça a dupla, eles devem provar que possuem mais poderes do que imaginavam. (by Adoro Cinema)

  • Direção: François Simard, Anouk Whissell, Yoann-Karl Whissell

  • Produção: Benoit Beaulieu, Anne-Marie Gélinas, Tim Riley, Ant Timpson

  • Elenco: Munro Chambers, Laurence Leboeuf, Edwin Wright, Aaron Jeffery, Michael Ironside

  • Lançamento: 26/01/2015 (Sundance Film Festival); 28/08/2018 (EUA)

  • Disponibilidade na data da publicação desta resenha: Netflix, Looke (locação ou compra),

7 de novembro de 2018

Placebo - "Without You I'm Nothing" (Disco da Semana #44)

Buenas,

Depois de um fim de semana de feriado e um merecido descanso pra cabeça, nada melhor do que seguir a semana com música da melhor qualidade. E nessa semana, vamos falar de uma obra que completa 20 anos agora em 2018 e que é uma influência direta no meu gosto musical e na minha maneira de tocar e compor (eu tento).

20181107_discodasemana44

Placebo é na minha opinião, a mais americana das bandas inglesas da safra dos anos 90 mostra toda a sua relevância, criatividade e virulência no tão esperado segundo álbum. Se o primeiro chocou a grande mídia pela androginia do vocalista/guitarrista Brian Molko, aqui o lance são as letras provocativas sobre sexo, drogas e também sobre sexualidade, por que não? Molko se rasga de pudores e se mostra um compositor de mão cheia sem medo de dar a cara pra bater e soar como um porta voz, quase que um manual de instruções da adolescência do fim dos anos 90.

20181107_discodasemana44c

O álbum traz uma atmosfera mais calcada na sonoridade gótica dos anos 80 e no punk rock de instrumental agressivo, cheio de guitarras distorcidas e cozinha pesada (baixo de Stefan Olsdal e bateria de Steve Hewitt), para ocupar no cenário alternativo a fatia que anteriormente era ocupada pelas bandas grunge de Seattle e que aqui já estavam em decadência. Fez a cabeça tanto dos neófilos como dos roqueiros mais das antigas que se identificaram com a sonoridade. A produção de Steve Osborne (U2, Happy Mondays, New Order, etc.) é certeira e faz do disco uma obra inigualável.

Em um de seus singles, o que leva o nome do disco, tiveram a participação de David Bowie cantando em parceria com Molko, a quem costumava chamar de "minha filha perdida". Seus outros singles viraram hits que tocavam ininterruptamente nas principais rádios de rock e na MTV.

Um discaço pra roqueiro nenhum botar defeito, tanto em letras como em todas as suas composições, de sonoridade simples, mas de extremo bom gosto, mostra que não é preciso reinventar o rock para ser lendário e fazer história, para isso, basta um punhado de canções indefectíveis que marcaram uma geração toda.

20181107_discodasemana44b

A fórmula é simples na teoria, mas pra conseguir colocá-la em prática, há a necessidade de se despir de seus pudores e de certa dose de genialidade, e isso, o Placebo (ainda) tem de sobra.

Quer entender o impacto de um álbum atemporal e pra lá de essencial na discografia básica de quem cresceu nos anos 90, clique aqui.

Disco mais do que obrigatório, é daqueles que se deve ter em todos os formatos (vinil, cd, mp3, fita k7, etc) para mostrar orgulhoso aos filhos. Uma obra daquelas que mudam vidas.

Logo menos tem mais.

Um papo com Mauricio Virgulino Silva (Um Papo Qualquer #31)

vitrine_031a

[ Sobre o episódio ]

Fotografia significa escrever a luz. A origem da palavra remonta o grego antigo, com a expressão phosgrafein que em tradução livre significa “marcar a luz”.

Na verdade, temos na própria palavra a descrição de como é feito o processo de criar uma imagem a partir da exposição de um assunto em frente à uma câmara escura com um pequeno orifício que deixa passar luz. E esta luz ao incidir sobre uma área sensível a luz (aquilo que inicialmente convencionou-se chamar de filme fotográfico) registra a imagem exposta.

Existe um ditado popular que diz que uma imagem vale mais do que mil palavras. E com a fotografia podemos nos comunicar de vários modos... pela expressão artística, pela apresentação do fato nú e cru, como faz o fotojornalismo, pela interpretação da percepção do fotógrafo que registra um assunto qualquer, mas conta uma história que pode ser infinita.

Fotografar também é se comunicar. E a comunicação pode ter diversas finalidades. Aliás, a comunicação faz uso ostensivo da fotografia, dos filmes (que nada mais são do que fotografias em sequência), dos sons...

Assim posso concluir que a fotografia então está intimamente ligada à comunicação... e nada melhor do que conversar com alguém ligado à fotografia e a comunicação, ou melhor... a educomunicação, para entendermos como tudo isso funciona...

E tudo isso, teremos à nossa disposição em nosso convidado de hoje. O fotógrafo e mestre em educomunicação Mauricio Virgulino Silva...

[ Links citados neste episódio ]

[ Ficha Técnica ]

[Nome do episódio] Um Papo com Maurício Virgulino Silva
[Publicação Original] 07/11/2018 - [Duração] [01:48'45"]
[Formato] MPEG-1/2 Audio Layer 3 (mp3@128kbps)
[Músicas] - “Funky Suspense” by BenSound; “Ocean”, “Palm Tree”, “Road Trip”, “S.A.X.”, “Typhoon” by Ehrling; “Prelude” by The Fat Rat; “Piano Store” by Jimmy Fontanez; “Lobby Time” by Kevin MacLeod; “Sunday Stroll” by Huma-Huma; “The Messenger”, “Carmel Shades”, “Succotash” by Silent Partner; “Book Bag E’s” by James Jams; “Chatting” by Free Stock Music

6 de novembro de 2018

Shadow of the Colossus - Agro!!! (#Bora Jogar)

E ai rapaziada do UBQ… Belezura??? Mais um texto saindo aqui no blog e desta vez escolhi um game um pouquinho menos antigo que o anterior (Tá… não é muito antigo, mas tem mais de 10 anos de lançamento). Estou falando de duas gerações atrás, lá no grande console que foi o PS2. Sim… um jogo que muitos disseram que levava o Play2 ao processamento máximo e que fez um baita sucesso por ter exatos 16 inimigos. Bom não sei se foi apenas por isso (para mim não foi) mas que isso ajudou, ajudou… porque, no fim, era bem amarrado na história. Já sabem qual é o jogo amiguinhos?

20181106_borajogar

Bom pra quem não conhece, esse jogo chegou quebrando a banca no PS2 na época em que foi lançado e virou febre entre os jogadores.

[ Sobre o jogo ]

A parada aqui é a seguinte: um brother (que descobri ao escrever este texto se chama Wander) está cavalgando em disparada com um enroladinho de alguma coisa no dorso do cavalo. Seu destino é um “templo” no meio de uma planície.

Chegando lá, ele atravessa uma ponte gigante para chegar até a porta do templo, desce uma escadaria que deve ter uns 400 andares (tudo montado em um cavalo) e chega no salão principal do templo que tem 16 estátuas bem das grandes e um altar no fundo.

No altar, ele joga o enroladinho em cima e puxa o pano dando até efeito de câmera lenta (tipo naquela pegada de puxar a toalha da mesa sem derrubar os copos?) e ai descobrimos que este enroladinho é na verdade uma linda donzela.

Mono_e_Wander

A partir dai uma voz aparece na sua cabeça ou ecoando em tudo… sei lá!!! (você está sozinho no templo então não tem como saber) e começa a te dar ordens que basicamente são “saia matando uns gigantes a[i conforme eu for te dizendo a ordem e ai ‘nóis’ conversa”.

Na real, o que está acontecendo é o seguinte: a donzela do altar é a amada (morta) do personagem principal e este descobriu uma forma para revivê-la. Para isso, ele precisa matar os 16 “monstros” e ai finalmente o seu desejo será atendido.

Bom já que ele é um simples rapazote, que chances ele teria?

shadow1

Pois é… se você já jogou, sabe que ele não tem lá uma boa armadura, e nem um porte físico invejável. O que ele tem é seu cavalo Agro (que descobri depois que é “cavala” e que a vida inteira chamei de Pablo porque nunca entendi o que ele falava), um arco e flecha e uma espada que – olha a coincidência – é capaz de localizar E ferir até a morte os “monstros”.

Dai pra frente é essa voz do além te dizendo o que fazer, tu vai à caça dos bichos em diferentes lugares do mapa onde para encontrá-los é necessário apenas o uso da espada e do seu senso de direção, e por fim enfrenta cada um de formas diferentes (ai está a mágica do jogo).

O final é esperado (#SQN) você revive a donzela…

shadow5

Mas aí…  meu irmão… a parada é louca.

Termino aqui a história sem “spoilers”.

[ Jogabilidade ]

Falando da jogabilidade, nada muito absurdo. Você consegue andar, correr, cavalgar, atirar de arco e flecha no chão e à cavalo, dar espadadas e escalar montanhas, montes, construções e gigantes.

Para achar um colosso basta você levantar a espada em um campo aberto, deixando os raios de sol tocar a lâmina e virar o personagem para que o brilho da espada forme um único feixe de luz. Quando isso acontecer é esta a direção a ser seguida.

shadow4

Derrubou um colosso, coisas acontecem.Volta pro templo, a voz fala contigo, coisas acontecem, vai lá fora e estica a espada de novo para ver a nova direção.

Lutar com um colosso é a graça da coisa, pois tem alguns que você luta no chão, outros você escala (na verdade, creio que quase todos), outros você tem que dar o truque e tem aqueles (meus preferidos) em que você tem que usar o Agro…

shadow6

E aqui destaco um no deserto que “avua” e você precisa usar o cavalo, fazer ele baixar a altura do voo, montar no bicho, sentar a espadada e por ai vai.

Bicho o jogo é animal… vale a pena ser jogado e, se você não tem um Play2 mas tem um Play3, saiba que o jogo foi remasterizado para esta plataforma e você consegue comprar por um preço baratinho.

shadow7

“Mas PH, eu sou jovenzinho e não tenho vídeo game antigo só um Play4” ou “PH… eu caguei para as plataformas antigas eu sou é entusiasta de novas gerações e tenho um Play4"

E agora o que fazer?

É aqui que entra uma das curiosidades deste jogo…”saporra” fez tanto sucesso que ele saiu pro Play2 foi remasterizado para o PS3 e depois “Re-remasterizado” para o Play 4.

shadow8

Sim, rapaziada! Não tem motivo para não jogar, só se você não for team Playstation ai você se lascou mesmo. O jogo está nas 3 plataformas da Sony e deve ser jogado por todos que tiverem qualquer uma delas.

shadow2

Então meus amiguinhos, se rolar um tempinho e uma graninha sobrando (mídias físicas estão baratinhas por ai) comprem e joguem até terminar. Descubram como enfrentar cada colosso e não esperem nada fácil.

Aqui é na raça e as vezes a voz te dá umas dicas bem mais ou menos do que fazer durante a luta (e isso só se você demorar muito pra sair do lugar). De resto, é a adrenalina de descobrir como faz durante a luta e se adaptar à situação.

Merece o selinho “Jogo Bão, PH indica”

selo PH

É isso, espero que tenham curtido o texto, comentem,  compartilhem e bora trocar figurinhas.

Até o próximo game. Um abraço!

5 de novembro de 2018

Você é aquilo o que você posta? (Crônicas Amarelinhas #3)

Em 06 de maio de 2017 postei em minhas redes sociais a seguinte frase:

“Questão filosófica, você é o que você pública nas Redes Sociais?”
Luiz Filipe Pereira, via rede social do livro das faces.

Como não sou tão popular nas redes sociais, não recebi milhares de curtidas ou comentários, apenas alguns amigos que realmente refletiram minha intenção e deixaram seus comentários.

Adorei isto por sinal… e acho que por razão parecida, escrevo para esse blog.

20181105_cronicas

Pois bem… Após esse período, não creio que meu círculo de amizades virtuais tenha efetivamente mudado depois desta reflexão. Logicamente, seguimos modelos e padrões de outras pessoas, que eu chamo de “modismo”. Esses modelos e padrões estabelecidos por algumas pessoas, são replicados e retransmitidos por uma grande parcela de indivíduos nas redes sociais.

Isso mesmo, existem pessoas (gente de verdade, carne e osso) que alimentam as redes sociais, por mais que a internet seja povoada – aparentemente por robôs – existem seres vivos que demonstram alguns fatos de suas vidas nas redes sociais.

Após as eleições, achei que iria ter uma rede social de paz e tranquilidade, que ia ver apenas fotos de comidas, praias, cachorros e academias.

SocialMedia_Kids

Mas não… parece que estou andando em um campo minado, sem explosivos, mas com milhares de imagens e vídeos sobre política, ódio, desinformação, ignorância, vitimizações, entre outras dezenas de coisas. A eleição não passou – e na verdade não, vai passar – acho que as redes sociais ganharam um rumo bem diferente do que deveria ser.

20181105_cronicas_03

Vendo filmes e documentários sobre as redes sociais, percebi que a ideia ainda é boa. Você pode falar com pessoas mesmo a distância. Pode rever amigos que não encontra mais. Pode mostrar e expor suas felicidades e alegrias para que outros possam te ajudar

Parece muito bom, não é? Mas acho que isso acabou…

Se eu postei (que vem do inglês “post” e o Brasil fez disso um neologismo) algo nas minhas redes virtuais, isso é o que realmente eu sou? Qual o meu objetivo com isso? Serve para dar um recado para alguém? Serve para que aquela pessoa leia e se sinta mal? Serve para que eu diga àquela “celebridade” (ou pseudo-celebridade, é outra invencionice da linguagem coloquial, mas este eu gosto de usar), que ela não me representa e que eu odeio tudo o que ela faz, pelo simples fato de eu odiar?

Tudo isso é você mesmo?

Vejo brigas, processos, tristezas, problemas de relacionamento, dor e sofrimento, violência e muita… mas muita ignorância. E vejo isso, não porque eu sou o inteligente ou intelectual, que sabe tudo sobre tudo mas por ver pessoas refletindo mentiras e ofensas de formar gratuita, com uma única justificação:

“Só estou compartilhando”.

SocialMedia_Kids2

Agora deixa eu te perguntar uma coisa. Depois de ler tudo isso… Depois de você se identificar (ou não!) com tudo o que eu coloquei… Depois de refletir bem sobre o assunto… Me responda sinceramente uma coisa:

Você é o que você pública nas Redes Sociais?

2 de novembro de 2018

A Esperança dos Outros

Há várias tragédias na história de Pip, principal personagem de "Grandes Esperanças", suculento romance de Charles Dickens.

20181102_michel00

O livro conta a história de um menino órfão, o tal Pip, que passa por uma infância de privações imensas até  que o destino lhe sorri: ele ganha algo como uma polpuda herança, ou um patrocínio generoso exatamente para colocar em prática seus sonhos.

20181102_michel01

Neste momento se dá a principal tragédia em sua existência, que é a de ver concretizadas as suas grandes esperanças. O menino já feito homem descobre que ter muito dinheiro pode ser também fonte de problemas, principalmente se houver na pessoa o pendão para criá-los - e é certo que todas as pessoas possuam este talento em alguma medida.

O negócio começa a degringolar quando ele renega o passado pobre e daí vai metendo os pés pelas mãos até ser levado pelas situações a fazer um balanço da vida, sentido último do livro que é narrado em primeira pessoa. O que esperar quando tudo dá certo?

20181102_michel02

Agora, uma outra história… Um coronel aposentado aguarda a aprovação do pagamento de sua aposentadoria enfurnado em uma cidade ribeirinha qualquer no interior da Colômbia. Vai toda semana para a beira do rio esperar a canoa do carteiro que sempre traz o olhar desolado por não trazer nenhum envelope para o militar. "Ninguém escreve ao Coronel" de Garcia Márquez fala da esperança desalentada, carcomida, mas que ainda é o que resta, sempre a última coisa que fica no desolador vazio de uma vida.

20181102_michel03a

Há também, na história, um galo de briga, sempre amarrado a um móvel, que vive os dias a comer, e a comer e a comer, nunca estando pronto para a rinha, de onde o Coronel também espera que sairá algum dinheiro. No final, o Coronel tem uma explosão de raiva diante dos questionamentos da esposa. Raiva, apenas. Sem lucidez. Só desespero.

São ilustrações de dois extremos que se encontram na perda da Esperança. Há os exemplos em que ela se mostra como o único, irremediavelmente único sentido para a existência. Penélope aceitou com serenidade esperar seu marido Ulisses que demoraria dez anos para retornar da Guerra de Tróia. Não, ela não bordava (e desbordava) seu manto num exercício infinito para suportar a espera. É que seu pai exigia que ela se casasse, uma vez que dava Ulisses como morto. Penélope teve que capitular, mas avisou que só se casaria quando terminasse o manto - daí o faz-desmancha. A Esperança nela assumia ares de resignação, com muita firmeza.

20181102_michel05

Na peça "Esperando Godot", de Samuel Beckett, dois vagabundos esperam o tal Godot, que nunca aparece. Lá pelas tantas eles se perguntam "por que é que estamos esperando mesmo?" A falta de tudo é tão imensa que um eles cogita se enforcar, não para morrer, mas para ter uma ereção. E fincam sua existência em esperar uma figura, sem forças nem para idealizá-la.

20181102_michel04

Bem, o tempo de eleições, assim como o Réveillon é um renovar-se de Esperanças. Pode ser que um seja mais sem-sentido que outro, mas é o que acontece. No fim das contas votar tem mais concretude que pular ondinhas. O mais pernicioso é que nas eleições colocamos nos ombros dos candidatos as resoluções de ano-novo - aquelas que a gente nunca cumpre. Ao final, se no Réveillon a virada da meia-noite representa esperança para todo mundo, nas eleições, uma vez a apuração finda, as esperanças daqueles que "perderam" o voto (eu nunca vou entender essa expressão. Parece que se vota como se aposta num cavalo no Turfe) vão-se com as oferendas.

20181102_michel06

A democracia é o exercício de defender o direito de quem pensa diferente. Isso passa por respeitar opiniões diferentes, muitas vezes contrárias. É chato mesmo. Tem hora que não dá para entender por que um cidadão de bem, inteligente, sensível, coerente solta uma frase eivada de equívocos - a menos que ele fosse burro de marré e até ali tenha disfarçado muito bem. É do jogo. Acontece com todo mundo, e todo mundo se vê na posição de quem não entende ou no lugar do burro disfarçado, na maioria das vezes no mesmo momento.

Vimos acima exemplos de como lidar com a Esperança, e com a falta dela. E vemos agora, como em nenhuma outra eleição, que a  maior dificuldade que a democracia traz em seu bojo é exatamente ter que lidar com a Esperança… dos outros.

20181102_michel08a

E sendo ela um valor tão importante quanto pessoal, talvez um bom começo seja não tentar compreender mas pelo menos deixar a Esperança alheia em paz. Sem fazer pouco, sem fazer troça. Pois é, é difícil. Mas é mais fácil que emagrecer.

1 de novembro de 2018

Até você, Sérgio Moro?

Eu tinha minhas dúvidas se ele aceitaria a indicação para ministro. Eu tinha dúvidas se ele, juiz de sólida carreira, deixaria a magistratura onde está há 22 anos para adentrar em um projeto político, deixando o poder judiciário para adentrar no poder executivo. Mas ele aceitou…

20181101_Ricardo_Até Você Moro1

Como não poderia deixar de ser, talvez esta seja a grande notícia do dia… Sérgio Fernando Moro – juiz federal com atuação na 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba – aceitou o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro para ser o titular da pasta do ministério da Justiça.

A primeira coisa que me ocorre é que o mesmo juiz Moro afirmou categoricamente em 2016 que “jamais entraria na política”, conforme entrevista concedida ao jornal “O Estado de Sâo Paulo”, publicada na edição 06/11/2016.

image

Para ser justo, ao ler a entrevista, Moro diz que jamais seria candidato a algo. Ele também nunca disse que não teria uma opinião política. E ele também não acredita na existência de uma pessoa que faça milagres contra a corrupção.

image

Aliás, ele participou com voz ativa em alguns momentos do executivo. Ele foi por exemplo à Câmara dos Deputados para falar sobre o projeto das 10 medidas contra a corrupção. Neste link, você pode ler uma notícia do Paraná Portal sobre o assunto. Apesar de assumir posições políticas, não o vejo assumindo posições partidárias. Se assim o fizesse, isso de certa forma contradiria sua própria posição na mesma entrevista concedida ao Estadão:

image

image

A segunda coisa que me ocorre é que provavelmente o PT, Lula e toda a galera da bagunça vai utilizar este fato para questionar não só a prisão de Luís Inácio, mas toda a lava-jato. Aliás, segundo notícia do próprio jornal Estadão, Lula já antecipou esta possibilidade.

image

Observando as publicações sobre o assunto, muita gente alertou que o aceite do juiz Moro para o ministério complica um pouco as coisas. A defesa do Luiz Inácio provavelmente utilizará esta questão para alegar que as decisões do juiz foram persecutórias e com viés político-partidário. E usando as palavras do jurista Modesto Carvalhosa, em entrevista concedida ao UOL:

image

A reportagem da rádio Jovem Pan acrescenta que o convite para o ministério foi dado juntamente com a promessa de que Moro assumiria a próxima cadeira vacante no Supremo Tribunal Federal, o que deve ocorrer em 2020, por ocasião da proximidade da aposentadoria do ministro Celso de Mello. Também se aproximam as aposentadorias compulsórias dos ministros Marco Aurélio e Carmén Lúcia.

Moro recebe promessa de indicação ao STF; juiz deve ocupar vaga de Celso de Mello em 2020. https://t.co/VztA0FK1Zl pic.twitter.com/7cDj2vXAJy

A grande questão é o momento político… parcela dos brasileiros está entusiasmada com a vitória do Bolsonaro e estão propensos a aplaudir decisões que vão em direção ao combate da corrupção. A indicação do juiz Moro para o ministério é muito simbólica neste sentido.

Entretanto, fica outra questão pendente… o que será da Operação Lava-Jato? Não creio que ela só foi bem sucedida por mérito exclusivo do juiz, mas acredito que sua imparcialidade e objetividade foram determinantes para o rumo que tudo tomou.

A juíza substituta é Gabriela Hardt que via de regra, manteve a mesma linha do juiz Moro. Mas não será ela a substituta direta na 13ª Vara Criminal. Existe um rito para a substituição do juiz titular a partir de sua exoneração que implica em um processo seletivo. O critério preponderante é o de antiguidade. Hardt é juíza desde 2009 (menos de 10 anos de magistratura) e isso pode tirá-la do processo.

Mas este não é o momento para conjecturas. Nem sei quem são os postulantes ao cargo. Então fica difícil falar sobre isso.

O que posso falar é que Moro poderia aguardar um pouco mais em seu gabinete de juiz. Seria indicação certa para o STF em 2020. E pela sua atuação como magistrado é mais do que certo de que ele está preparado para função.

E não me entenda mal… ele também está preparado para a função de Ministro da Justiça. Mas apesar de não ser um cargo eletivo, ser ministro do executivo implica em fazer política de alguma forma. E nesta posição, ele não terá mais a prerrogativa do “cumpra-se”. Poderá propor alterações na legislação, criar políticas de combate a corrupção, publicar portarias ministeriais neste sentido… mas não poderá julgar.

E pelo contrário, será julgado… já está sendo só em aceitar o convite. Um dos advogados que defendem acusados da Lava-jato, segundo notícia do UOL, já virou suas baterias para o futuro ministro Moro:

image

Como figura pública, Moro já recebeu elogios, críticas e declarações céticas referentes à sua aceitação para indicação como Ministro da Justiça. Juristas, jornalistas, políticos, ministros do STF, além dos palpiteiros de plantão já se manifestaram à respeito.

Inclusive este palpiteiro aqui…

Quanto a mim, o que me incomoda é esta resposta que ele deu – naquela mesma entrevista ao Estadão – sobre sua decisão de ser candidato ou entrar para a política:

image

Não existe o risco?

Quero realmente acreditar que Moro aceitou apenas por se tratar de medida que condicionaria sua indicação ao STF. Quero realmente acreditar que talvez esta tenha sido uma condição imposta pelo próprio Bolsonaro para que ele (Moro) seja indicado ao STF futuramente. Quero acreditar que foi isso que o motivou…

Mas o Moro não me parece ser o tipo de pessoa movida por fatores condicionais. Não me parece ser o tipo de pessoa que se sujeita a uma condição imposta para obter algo.

Então, parece que ele está ali por sua própria vontade…

Até você, Sérgio Moro?

Apenas para quem se lembra… não foi o próprio Moro que “ignorou” o Bolsonaro em um encontro casual no aeroporto de Brasília lá em 2017?

image

image

Para quem não se lembra, eis o link para o vídeo. Aproveite também para ler a reportagem sobre o assunto, bem como a reação de Moro ao episódio algum tempo depois do fato ocorrido.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...